08/12/2016 às 11:25:46 atualizada às 11:35:44

Fim do "Domingo Legal" só não é mais patético que volta do "Fantasia"

Antenado

Por Gabriel Vaquer
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Fim do "Domingo Legal" só não é mais patético que volta do "Fantasia" Divulgação/SBT
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Desde 1993 no ar, e facilmente a maior marca dos domingos do SBT - se a gente levar em consideração que o "Programa Silvio Santos" existe desde os anos 60 -, é custoso crer que o "Domingo Legal" irá acabar como confirmou a direção da emissora na noite desta quarta-feira (7).

Primeiro porque não se acaba com uma marca assim. Por mais que não esteja no auge, o "Domingo Legal" é uma das maiores vitrines do SBT, vide que ainda rende muito dinheiro em anunciantes mesmo fora de seus áureos tempos. Segundo porque é totalmente viável que ele possa se reerguer com uma reformulação.

Ao bem da verdade, Celso Portiolli nunca foi exatamente a cara do programa e nunca conseguiu deixar ele agradável de se ver. Seu conteúdo e, por vezes, o comodismo da atração sempre foram criticados. Isso quando ainda confrontava com Ana Hickmann, ou até mesmo quando a Record colocou um "Tudo a Ver".

De uns tempos para cá, a entrada do "Mundo Disney" nos domingos prejudicou sim o "Domingo Legal", mas isso não pode ser usado como cortina de fumaça para o seu conteúdo.


Fenômeno de audiência o início dos anos 2000, Gugu deixou programa em 2009 rumo à Record

Por mais que o Ibope não seja lá essas coisas, é absurdo que uma atração marque menos que o "Chaves" e enlatados do "Mundo Disney", não tendo a capacidade de subir na média. No último domingo (4), por exemplo: eles marcaram 5,6 e 5,5 pontos, enquanto o programa de auditório fechou com 5,3. Isso é problema de conteúdo, não do que vem antes. É rejeição.

E nos últimos tempos, na fase pós-Roberto Manzoni, com liberdade total de criação para Celso Portiolli, a atração foi tentando várias possibilidades, o que é bom. Tentaram sair da pecha do "Passa ou Repassa" durar toda edição, mas decidiram apostar na emoção e no choro assim como sua concorrente.

A característica maior do "Domingo Legal" sempre foi sua alegria, seu jeito de animar. Não fazer chorar - isso já era questionável na época de Gugu e seu "De Volta pra Minha Terra". Virar cosplay do "Domingo Show" em muitos momentos foi sua pá de cal. Não era assim que se resolvia o problema. Acabaram matando o coitado do programa.

"Fantasia", Silvio Santos?

Não só o fim do "Domingo Legal" é estapafúrdio, sem lhe dar uma chance de se reinventar com tudo novo. O que comenta-se que pode entrar no seu lugar deixa tudo mais vergonhoso: o game-show "Fantasia", sucesso nos anos 90.

Ao que consta, Lívia Andrade, Helen Ganzarolli e Patrícia Abravanel iriam apresentar essa versão - mais uma... O erro principal é apostar num programa de games por telefone, algo extremamente dos anos 1990, em pleno 2017, com tanta tecnologia da informação vindo aí.

O leitor mais xiita pensará: "Mas não pode ser feito por chamada de Skype, por exemplo, aproveitando a nova tecnologia?". Sim, pode, mas isso não mudará em nada o formato. Apostar em games bobocas num estilo que já era extremamente superado na época em que Carla Perez o apresentou - e estamos falando de 1999 - para tirar o "Domingo Legal" do ar sem lhe dar uma nova chance, considerando a marca importante que é, chega a ser imoral.

Só lembrando: quando voltou entre 2007 e 2008, o "Fantasia" chegou a ter um período nas tardes, saindo das madrugadas. Marcava 2 pontos de Ibope e voltou rapidinho para as madrugadas. Isso há quase dez anos. Imagine agora, nas cada vez mais acirradas tardes de domingo.

Só pra terminar, uma pergunta

Portiolli irá para as tardes de sábado, juntamente com toda a sua produção do "Domingo Legal". Isso é ótimo, porque não haverá nenhum nome demitido a mais neste momento difícil.

O que se questiona é: será que coisas diferentes do "Domingo Legal" podem ser feitas por esta mesma equipe? E outra: se o programa for mal no Ibope, quem vão culpar? A série "Kenan e Kel" por entregar mal? A ver o futuro de Portiolli e sua equipe. E SBT, reveja a decisão do "Domingo Legal". Ainda há tempo.


Gabriel Vaquer escreve sobre mídia e televisão há vários anos. No NaTelinha, é responsável por reportagens variadas e especiais. Ainda assina as colunas "Antenado", sobre TV aberta, e "Eu Paguei pra Ver", sobre TV por assinatura. Converse com ele. E-mail: gabriel@natelinha.com.br / Twitter: @bielvaquer

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