Mandioca News: sem estúdio e com apelido pejorativo, Globo Rural estreava há 46 anos
Um dos mais tradicionais programas das manhãs de domingo da Globo, o Globo Rural estreava há exatamente 46 anos; no início, programa sequer tinha estúdio para gravar
Publicado em 06/01/2026 às 12:21
Antes de se consolidar como um dos programas mais tradicionais das manhãs de domingo da Globo, o Globo Rural, que estreava há exatamente 46 anos, enfrentou muitas dificuldades em seus primeiros anos.
Naquele período, poucos apostavam no sucesso do telejornal voltado ao campo, idealizado por Luiz Fernando Mercadante, então diretor da Central Globo de Jornalismo em São Paulo. O projeto surgiu a partir de um programa homônimo exibido pela Rádio Globo paulista desde a década de 1970. Internamente, a nova atração era chamada de forma pejorativa de Mandioca News.
A estreia do Globo Rural aconteceu em 6 de janeiro de 1980, com o objetivo de informar e prestar serviços ao homem do campo.
Para a apresentação, foi escolhido o então repórter Carlos Nascimento, natural de Dois Córregos, no interior de São Paulo. Humberto Pereira assumiu como editor-chefe, enquanto Silvia Poppovic ficou responsável pela editoria de cartas. Já em 1983, o premiado repórter José Hamilton Ribeiro passou a integrar a equipe.
Sem estúdio

Nos primeiros meses, o programa sequer contava com um estúdio próprio. Sem espaço disponível na grade da emissora paulista durante o dia, as gravações precisavam ser feitas nas madrugadas de sexta para sábado.
A edição era concluída por volta das 21 horas, e a equipe aguardava em um restaurante ao lado da sede da emissora. Por volta da uma da manhã, os profissionais eram chamados pelos técnicos e permaneciam gravando até, geralmente, três horas da madrugada.
Em sua coluna publicada no jornal O Globo em 8 de janeiro de 1980, Artur da Távola definiu a estreia como “um passo novo da televisão”. Segundo ele, “era oportuno. Enfim, o campo e não só a cidade na TV. A iniciativa é mais importante e bem melhor do que foi o programa de estreia, que se ressentiu da falta de hábito e da dificuldade de criação de uma linguagem especial”.
O crítico também observou que o programa parecia não perceber seu alcance nacional, sendo necessário torná-lo “menos paulista” e definir com mais clareza o público-alvo. Ainda assim, ponderou: “Nada disso, porém, deslustra a iniciativa. Todo e qualquer esforço na direção de tornar o Brasil um país realmente agrícola e pecuário só pode merecer aplausos. Como as plantas, qualquer programa precisa começar pequeno. Depois cresce”.
E foi exatamente o que aconteceu. Inicialmente exibido com 30 minutos de duração, o Globo Rural teve excelente aceitação do público e, a partir de 3 de agosto de 1980, passou a ocupar uma hora na grade, formato mantido até hoje.
A redação recebia semanalmente centenas, e às vezes milhares, de cartas com dúvidas sobre sementes, vacinas, hortas, receitas e outros temas ligados ao campo. O impacto foi tamanho que, em dezembro daquele mesmo ano, a revista Veja elegeu o programa como o melhor do ano na categoria jornalística.
Ao longo de sua história, diversos apresentadores passaram pelo comando da atração, entre eles William Bonner, em 1988.
Já em 9 de outubro de 2000, o Globo Rural ganhou uma versão diária, com 15 minutos de duração. Essa edição permaneceu no ar até 28 de novembro de 2014, quando foi substituída pelo telejornal Hora Um da Notícia.
A edição dominical, no entanto, segue firme, sob o comando de Nelson Araújo, Helen Martins e Cristina Vieira, mantendo sua audiência fiel, muitas vezes superando atrações exibidas em horários mais nobres na grade da emissora.