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Briga na Justiça impediu volta de minissérie de Gloria Perez na Globo

Minissérie que estreava há exatamente 18 anos, em 2 de janeiro de 2007, Amazônia - De Galvez a Chico Mendes teve sua reprise proibida por conta de briga judicial


Glória Perez
Glória Perez

Há exatamente 18 anos, no dia 2 de janeiro de 2007, a Globo estreava a minissérie Amazônia - De Galvez a Chico Mendes, que ficou no ar até abril daquele ano e nunca mais foi exibida pela emissora. O motivo foi uma interminável briga na Justiça, que impediu qualquer tipo de reprise ou disponibilização da produção.

A trama foi escrita por Gloria Perez, que narrou a história do estado do Acre. A minissérie abordava a criação e a emancipação do território, por meio de personagens reais, e também valorizava a cultura e o folclore do local.

A trama era dividida em três fases. A primeira fase contava a história de Luis Galvez (José Wilker), enquanto a segunda etapa era centrada em Plácido de Castro (Alexandre Borges) e os irmãos Leandro (Dan Stulbach) e Augusto Rocha (Humberto Martins). Já a terceira fase narrava a trajetória do seringueiro Chico Mendes (Cassio Gabus Mendes).

A obra mostrava como Chico Mendes se tornou um importante ativista pela preservação ambiental, unindo seringueiros e indígenas numa luta pacífica, baseada no diálogo. Mas, em 1988, ele acaba sendo assassinado de forma brutal.

Reprise vetada

Briga na Justiça impediu volta de minissérie de Gloria Perez na Globo

Em 2013, o canal Viva chegou a anunciar a reprise de Amazônia: de Galvez a Chico Mendes. No entanto, pouco tempo antes da estreia, a Globo cancelou a reexibição da minissérie. De acordo com a Folha de S.Paulo, o veto se deu porque os familiares de Chico Mendes moviam um processo contra a emissora por conta da minissérie. Eles alegavam que a emissora fez uso indevido da imagem de Chico Mendes.

Em 2012, a Justiça do Acre havia condenado a Globo a pagar uma indenização por danos materiais. As ações foram ajuizadas pela viúva do seringueiro, Ilzamar Gadelha Bezerra Mendes, e pelos filhos do casal.

A Globo contestou os autores da ação, alegando que “retratou a participação da viúva e filhos por ser imprescindível para a narrativa” e informou que “se limitou apenas a reproduzir fatos nacionalmente conhecidos e amplamente divulgados”. Mas a Justiça decidiu que o dano material se configura pois a exploração da imagem de Chico Mendes dependia do consentimento de seus sucessores.

Como a batalha jurídica continua, a autora chegou a sugerir uma solução para a Globo. "O problema está na terceira fase. A série poderia terminar na segunda, com a conquista do Acre, sem nenhum prejuízo", escreveu Glória no seu perfil no X.

Em outubro de 2024, a 4ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou um recurso da família de Chico Mendes contra o canal e liberou a reprise ou disponibilização da minissérie no Globoplay. Também foi negado um pagamento de R$ 20 mil por danos morais e repasse de 0,5% dos lucros obtidos com a produção. No entanto, até o momento, a obra não saiu dos arquivos da Globo e nem tem previsão para tal.

Outro caso

Amazônia: de Galvez a Chico Mendes não é a única produção que a Globo não pode reprisar. O canal também não tem autorização para exibir novamente a segunda versão da novela Gabriela, escrita por Walcyr Carrasco para a faixa das 23h em 2012.

Isso porque os direitos da obra de Jorge Amado pertencem à Warner Bros. Discovery. A Globo negociou com a gigante internacional para produzir a novela, mas, no acordo, não estava prevista uma reprise ou exibição em outra plataforma.

Por isso, a novela estrelada por Juliana Paes não pode ser reexibida na Globo e nem no Viva. Além disso, a produção não pode ser disponibilizada no Globoplay. Trata-se da única “novela das onze” da Globo que não tem seus capítulos na plataforma.

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