Briga na Justiça impediu volta de minissérie de Gloria Perez na Globo
Minissérie que estreava há exatamente 18 anos, em 2 de janeiro de 2007, Amazônia - De Galvez a Chico Mendes teve sua reprise proibida por conta de briga judicial
Publicado em 02/01/2026 às 11:13
Há exatamente 18 anos, no dia 2 de janeiro de 2007, a Globo estreava a minissérie Amazônia - De Galvez a Chico Mendes, que ficou no ar até abril daquele ano e nunca mais foi exibida pela emissora. O motivo foi uma interminável briga na Justiça, que impediu qualquer tipo de reprise ou disponibilização da produção.
A trama foi escrita por Gloria Perez, que narrou a história do estado do Acre. A minissérie abordava a criação e a emancipação do território, por meio de personagens reais, e também valorizava a cultura e o folclore do local.
A trama era dividida em três fases. A primeira fase contava a história de Luis Galvez (José Wilker), enquanto a segunda etapa era centrada em Plácido de Castro (Alexandre Borges) e os irmãos Leandro (Dan Stulbach) e Augusto Rocha (Humberto Martins). Já a terceira fase narrava a trajetória do seringueiro Chico Mendes (Cassio Gabus Mendes).
A obra mostrava como Chico Mendes se tornou um importante ativista pela preservação ambiental, unindo seringueiros e indígenas numa luta pacífica, baseada no diálogo. Mas, em 1988, ele acaba sendo assassinado de forma brutal.
Reprise vetada

Em 2013, o canal Viva chegou a anunciar a reprise de Amazônia: de Galvez a Chico Mendes. No entanto, pouco tempo antes da estreia, a Globo cancelou a reexibição da minissérie. De acordo com a Folha de S.Paulo, o veto se deu porque os familiares de Chico Mendes moviam um processo contra a emissora por conta da minissérie. Eles alegavam que a emissora fez uso indevido da imagem de Chico Mendes.
Em 2012, a Justiça do Acre havia condenado a Globo a pagar uma indenização por danos materiais. As ações foram ajuizadas pela viúva do seringueiro, Ilzamar Gadelha Bezerra Mendes, e pelos filhos do casal.
A Globo contestou os autores da ação, alegando que “retratou a participação da viúva e filhos por ser imprescindível para a narrativa” e informou que “se limitou apenas a reproduzir fatos nacionalmente conhecidos e amplamente divulgados”. Mas a Justiça decidiu que o dano material se configura pois a exploração da imagem de Chico Mendes dependia do consentimento de seus sucessores.
Como a batalha jurídica continua, a autora chegou a sugerir uma solução para a Globo. "O problema está na terceira fase. A série poderia terminar na segunda, com a conquista do Acre, sem nenhum prejuízo", escreveu Glória no seu perfil no X.
Em outubro de 2024, a 4ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou um recurso da família de Chico Mendes contra o canal e liberou a reprise ou disponibilização da minissérie no Globoplay. Também foi negado um pagamento de R$ 20 mil por danos morais e repasse de 0,5% dos lucros obtidos com a produção. No entanto, até o momento, a obra não saiu dos arquivos da Globo e nem tem previsão para tal.
Outro caso
Amazônia: de Galvez a Chico Mendes não é a única produção que a Globo não pode reprisar. O canal também não tem autorização para exibir novamente a segunda versão da novela Gabriela, escrita por Walcyr Carrasco para a faixa das 23h em 2012.
Isso porque os direitos da obra de Jorge Amado pertencem à Warner Bros. Discovery. A Globo negociou com a gigante internacional para produzir a novela, mas, no acordo, não estava prevista uma reprise ou exibição em outra plataforma.
Por isso, a novela estrelada por Juliana Paes não pode ser reexibida na Globo e nem no Viva. Além disso, a produção não pode ser disponibilizada no Globoplay. Trata-se da única “novela das onze” da Globo que não tem seus capítulos na plataforma.