Influenciadora é atacada nas redes por usar preto na virada do ano: "Intolerância religiosa"
Ravena Hanniely, influenciadora conhecida como Musa da Microcintura, revelou que sofreu intolerância religiosa nas redes sociais após revelar que usa roupas pretas na virada do ano
Publicado em 31/12/2025 às 13:51
Conhecida como "musa da microcintura" e em preparação para desfilar pela Estácio de Sá no Carnaval de 2026, a influenciadora Ravena Hanniely falou sobre sua experiência na religião Quimbanda e revelou já ter sido vítima de intolerância e perseguição religiosa nas redes sociais após assumir publicamente sua fé e usar roupas pretas na virada do ano.
Segundo ela, os ataques têm origem em estigmas e desinformação relacionados às religiões de matriz africana. "Sofri muita intolerância religiosa", declarou.
Ritual de passagem

Ravena destacou que o ritual de passagem na Quimbanda simboliza compromisso espiritual, aprendizado e responsabilidade, afastando-se de interpretações negativas frequentemente difundidas.
"Existe muito preconceito porque as pessoas não sabem como funciona. O ritual não tem nada a ver com fazer mal a ninguém", afirmou.
A influenciadora contou que parte das ofensas teve início após internautas estranharem alguns costumes da religião, como o uso de roupas pretas na virada do ano.
Desde então, comentários ofensivos e acusações passaram a se repetir em suas redes sociais. "As pessoas atacam sem conhecer. Já ouvi que, por causa da minha religião, eu faria mal aos outros, e isso não é verdade", disse.
Segundo Ravena, a decisão de abordar o tema publicamente foi justamente uma forma de enfrentar a intolerância e estimular o diálogo sobre diversidade religiosa. Para ela, não se pode confundir espiritualidade com caráter. "Minha fé não define quem eu sou como pessoa. Eu sou responsável pelos meus atos", declarou.
Por fim, a influenciadora ressaltou que consegue conciliar sua prática religiosa com a vida profissional e os preparativos para o Carnaval. “A minha fé faz parte da minha vida, mas não interfere negativamente no meu trabalho”, concluiu.
A Estácio de Sá desfilará no Sábado de Carnaval, pela Série Ouro do Rio de Janeiro, com o enredo Tata Tancredo - O Papa Negro no Terreiro do Estácio, que presta homenagem a uma figura central da Umbanda e aos fundamentos do samba, prometendo um desfile marcado por fé, ancestralidade e resistência.
O que é a quimbanda?
A Quimbanda é uma tradição espiritual de origem afro-brasileira, influenciada por elementos da cultura bantu, africana e também por aspectos do sincretismo religioso desenvolvido no Brasil. Em alguns contextos, é compreendida como uma religião independente; em outros, como uma linha ritual que dialoga com a Umbanda e o Candomblé.
Sua prática é centrada no culto às entidades conhecidas como Exus e Pombagiras, consideradas forças espirituais ligadas à comunicação entre o mundo material e o espiritual. Diferentemente do senso comum, essas entidades não representam o mal, mas atuam como guardiões, orientadores e agentes de equilíbrio, trabalhando com temas ligados à vida cotidiana, à justiça, aos caminhos e às escolhas humanas.
Os rituais da Quimbanda envolvem fundamentos próprios, símbolos específicos e oferendas, sempre baseados em compromisso, responsabilidade espiritual e respeito às entidades e à ancestralidade.