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Jornal da Tarde

Cultura se recusa a exibir discurso de Bolsonaro: "Não damos espaço para homofobia"

Presidente chamou brasileiros de "maricas" e ameaçou Biden, eleito nos Estados Unidos

O presidente Jair Bolsonaro e o apresentador Aldo Quiroga
O presidente Jair Bolsonaro e o apresentador Aldo Quiroga - Foto: Montagem/Reprodução/TV Cultura
Paulo Pacheco

Publicado em 11/11/2020 às 18:11:23

Âncora da TV Cultura, Aldo Quiroga iniciou o Jornal da Tarde desta quarta-feira (11) com um esclarecimento. O jornalista, que também é editor-chefe do noticioso, informou aos telespectadores que a edição não noticiaria o discurso do presidente Jair Bolsonaro chamando os brasileiros de "maricas", uma ofensa homofóbica, e ameaçando o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

"Nesta edição, este é o único momento em que você vai ouvir as palavras 'pólvora' e 'maricas'. Uma hipotética guerra entre Brasil e Estados Unidos contraria toda a lógica. Não damos espaço para homofobia, e 162 mil mortos não admitem qualquer adjetivo de palanque, só atitudes de enfrentamento para salvar vidas. Gastamos 30 segundos com o diversionismo de hoje. Agora vamos às notícias que realmente podem mudar a sua vida", disse Quiroga na abertura do Jornal da Tarde.

Na última terça, em cerimônia no Palácio do Planalto, Bolsonaro minimizou as mortes por Covid-19. No mesmo dia, ele havia comemorado uma "vitória" sobre o governador de São Paulo, João Doria, em decorrência da suspensão dos testes da CoronaVac pela Anvisa após um voluntário ter morrido. A causa, não relacionada à imunização, foi um suicídio.

"Tudo agora é pandemia, tem que acabar com esse negócio aí, pô. Lamento os mortos. Lamento. Todos vamos morrer um dia, aqui todo mundo vai morrer. Não adianta fugir disso daí, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas", disse o presidente.

Bolsonaro ainda ameaçou Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos, que prometeu impor sanções comerciais ao Brasil se o desmatamento na Floresta Amazônica não for controlado.

"Assistimos há pouco aí um grande candidato a chefia de Estado dizer que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, não é, Ernesto? Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão, não funciona. Não precisa nem usar pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo. Ninguém tem o que nós temos", afirmou.

Assista à fala de Aldo Quiroga no Jornal da Tarde:

 

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