Criança Esperança

Jonathan Azevedo fala sobre depressão e a busca pela mãe biológica

Mobilizador do "Criança Esperança", Jonathan Azevedo aponta a educação como solução para o fim da violência

Jonathan Azevedo fala sobre depressão e a busca pela mãe biológica
Fotos: Divulgação

Publicado em 19/08/2019 às 05:15:54 ,
atualizado em 19/08/2019 às 11:10:33

Por: Taty Bruzzi

Na noite desta segunda-feira (19), Jonathan Azevedo sobe ao palco do "Criança Esperança" para discursar minutos antes de as cantoras Iza e Karol Conka interpretarem juntas a canção "Roda Viva", de Chico Buarque.

Sobre as colegas, o ator é só elogios. "Duas pessoas que demonstram a força da mulher, a força da minha mãe, da minha avó, a força de tudo que temos para ver e aprender daqui para frente", se derrete.

Ele também se emociona ao lembrar que o texto que irá falar logo mais, embora tenha sido escrito bem antes, retrata o que aconteceu no Rio na última semana. Para o artista, fala do passado e também prevê o futuro.

"Eu não vim aqui para atacar um lado e nem o outro, mas sim para fazer com que todos os lados reflitam. Independente de qualquer cor, raça, credo, são adolescentes. Poderia ser o meu irmão, seu filho, primo, sobrinho. Então, eu acho que esse texto me faz pensar qual é a minha função não só como artista, mas como pessoa", reflete.

Estando pela segunda vez consecutiva como um dos apresentadores do programa, o ator é a prova de que essa mobilização dá certo. Aos 16 anos, a arte entrou em sua vida através da ONG "Escola Spetaculu", uma das instituições contempladas pela ação social.

Mais à frente, Jonathan se formaria pelo "Nós do Morro", projeto que funciona há anos na comunidade do Vidigal. Pela sua história, o artista que ganhou fama e o carinho das crianças no papel do traficante Sabiá em "A Força do Querer" (2017), tem a preocupação de ressaltar que as doações são importantes para milhares de jovens brasileiros.

"Eu sou o exemplo e a confirmação de que as doações fazem de fato a diferença", diz. "Cada vez que eu chego nesse lugar, eu vejo o quanto foi importante para mim tudo o que aconteceu no passado desde as primeiras doações, há 34 anos", diz enquanto elogia a iniciativa do humorista Renato Aragão.

"A gente vive um momento em que estamos meio perdidos, sem um ídolo, sem uma pessoa que nos traga a esperança e, esse cara é uma grande referência de esperança. É isso o que eu tento buscar quanto eu chego nesse lugar [Globo]. Não ser um mega ator, uma estrela, ser aquela luz que transmite esperança, amor e que tudo passa, só depende da gente", filosofa.

Com uma carreira na TV considerável, depois de participar da novela das nove, em 2018 o ator brilhou na série "Ilha de Ferro" e também como um dos participantes do "PopStar".

Este último, visto como um dos seus maiores desafios e uma ponte para que ele também possa incentivar os jovens de todo o Brasil. "Foi isso que o 'PopStar' deu para mim. Eu olho para cada adolescente e falo você pode!", grita.

"Acredite, você pode! É agora, a vida é essa, enquanto respirar a gente pode abraçar, pode viver. Eu posso cantar, eu posso dançar, eu posso ser advogado, eu posso ser o que eu quiser, basta eu me dedicar e encontrar a felicidade", prevê.

O sucesso repentino e a facilidade com que as redes sociais aproximaram o ator das pessoas o levaram à terapia. "A gente vive em um país que não te faz acreditar em você. Você está cercado por questões que não te faz acreditar em você", analisa.

Para Jonathan, a web acaba fazendo com que você se preocupe mais com terceiros. "Você fica muito tempo olhando a vida dos outros e não olha para sua. Quando eu comecei a ver que eu estava indo por esse caminho, uma psicóloga entrou na minha vida", entrega.

Adotado, por volta dos seus 29 anos o ator teve vontade de saber mais sobre suas origens, encontrar sua mãe biológica, mas quando percebeu que esta não seria uma tarefa fácil, se deixou abater emocionalmente e precisou do apoio dos seus pais adotivos e da psicologia para se reerguer.

"Eu queria muito ir atrás da minha mãe biológica, mas eu não tinha como encontrá-la. Então, eu tive ajuda da psicóloga, da minha mãe e do meu pai [adotivos], e eles me fizeram entender que eu precisava ser feliz com a vida que eu tenho", pondera.

Voltando ao Criesp [Criança Esperança], Jonathan ressalta que essa é também a mensagem que o programa está levando este ano. "De renovar a energia dentro do seu coração, o seu modo de olhar para esse mundo, para essa vida que você leva e, assim, nós vamos transcendendo o que é o nosso amor", dita.

Enquanto não aparece um novo projeto na casa, o ator se prepara para estrear no teatro e só adianta que será um monólogo falando sobre toda sua trajetória até aqui. Para quem não sabe, antes de atuar ele queria ser atleta.

"Vou falar sobre minhas alegrias e frustrações, como foi lidar com a carreira artística, a entrada de uma psicóloga em minha vida", assinala. O ator quer chegar até os jovens e aos pais deles também.

"Para chegarmos em um consenso onde você pode ser o que você quiser, desde que você seja feliz. Então, esse espetáculo vai falar muito da trajetória de busca pela felicidade. A gente tem que progredir!", aponta.

Jonathan reafirma, ainda, que a vida nem sempre tem dado muitas possibilidades para os adolescentes e acredita que muitos sofrem pela falta de informação. "Levar a informação é um trabalho digno e muito importante para a nossa sociedade", diz.

Ele confessa que também não tinha essa visibilidade quando mais novo, mas gostava de ler e foi o interesse pelos livros que o levou ao teatro. "Eu queria saber sobre o universo dos personagens, porque para mim eles eram mais interessantes do que as pessoas com quem eu convivia", alega.

Para finalizar, Jonathan cita como exemplo a história bem-sucedida escrita pelo "Nós do Morro" que funciona há 33 anos dentro de uma comunidade. "Por mais que o Vidigal tenha dificuldades, teve uma base educacional e isso faz a diferença", dá o recado.

"Quantos jovens se projetaram do Vidigal para o Brasil e quantos se projetaram da minha comunidade, a de São Sebastião, ou da Rocinha?", indaga. "Não fica difícil calcular que o problema do Brasil é a educação", conclui.


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