Entrevista

Filho de Raul Gil acha quatro horas cansativo e apoia Patrícia Abravanel aos sábados no SBT

Raulzinho falou com exclusividade ao NaTelinha após Patrícia ganhar o "Topa ou Não Topa", reduzindo o "Programa Raul Gil"

Filho de Raul Gil acha quatro horas cansativo e apoia Patrícia Abravanel aos sábados no SBT
Raulzinho é o diretor do "Programa Raul Gil" - Foto: Divulgação

Publicado em 07/07/2019 às 06:30:13

Por: Fabrício Falcheti com Naian Lucas

Diretor do "Programa Raul Gil" e filho do apresentador, Raul Gil Júnior não viu com maus olhos a entrada de Patrícia Abravanel nas tardes de sábado do SBT tendo como consequência a perda de uma hora da atração do seu pai. Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, ele considera que agora terá o tempo ideal e que antes era muito cansativo.

"O SBT foi muito inteligente de fazer esse tipo de gancho, de colocar a Patrícia ali. Pra nós é ótimo três horas de programa. Quatro horas é muito grande, nosso programa era um tijolo, muito cansativo. Agora não, você consegue fazer um trabalho concentrado. A gente ganha junto com a emissora. E a gente vai pra um horário mais nobre, com certeza o faturamento vai aumentar, cotas de patrocínio. Tudo isso é positivo", explicou.

Para Raulzinho, como é conhecido, a disputa pelos números de Ibope se torna até mais atrativa. Mesmo o programa passando a disputar integralmente com "Caldeirão do Huck" e "Cidade Alerta", ele não demonstrou preocupação.

"Eu tenho 40 anos de televisão, meu maior concorrente não é outra emissora. Meu maior concorrente são os desligados. Quanto mais ligados, mais oportunidade você tem de fazer o telespectador mudar de canal. Tirar o telespectador do lazer e fazer voltar pra casa pra assistir TV é muito mais difícil que mudar de canal. O telespectador já está ali, é só fazer um programa bem feito. Eu tenho um dos maiores animadores da TV na minha mão, só usar a criatividade que vamos dar grande audiência. A gente está olhando positivamente, bem positiva a entrada da Patrícia. Ela vai acabar entregando uma audiência boa e isso vai ajudar o programa", explica Raul Gil Júnior.

E continua: "Com certeza a filha do Silvio vai ter um trabalho intenso de produção e divulgação e quem sai ganhando somos nós porque recebemos grande audiência. Estou olhando pelo lado positivo da coisa, como foi o caso da Maisa que a gente pensou na mesma coisa. O sábado é muito concorrido, muito difícil. Não é um dia muito fácil de dar audiência, precisa realmente ter uma força muito grande com trabalho, com produção, entendeu? Com certeza a Patrícia vai ter um excelente trabalho de mídia, vamos colocar, vão fazer um trabalho fora e dentro da emissora, redes sociais, site e no fim quem ganha não é só a emissora, nós também. Porque a gente se beneficia da entrega da audiência. Porque a entrega vai vir forte e isso é importante para nós".

Neste ponto, pela primeira vez Raul Gil Júnior comentou sobre a mudança de horário elencando um ponto negativo, ao lembrar que os números do vespertino aumentaram com a chegada de Maisa Silva para os sábados e que só começam a cair quando entra em disputa com o "Cidade Alerta".

"A gente tem conseguido boa audiência com a entrega da Maisa, só quando começa a chegar o 'Cidade Alerta' que a gente começa a perder audiência, mas estamos perto do 'Cidade Alerta' porque é uma questão de fidelidade. O 'Cidade Alerta' está há cinco anos no mesmo horário e a gente há três meses. É uma questão de fidelidade. A gente vai fazer um excelente programa e vai se dar muito bem", garante.

Questionado se Raul Gil teria ficado chateado com a situação, ele foi taxativo ao afirmar que soube da alteração justamente pelo apresentador e que todos eles são muito gratos ao SBT por tudo que presenciariam e vivenciaram ali no cotidiano.

"Meu pai gosta da Patrícia e da Maisa e tenho um carinho grande pela família Abravanel. A gente não tem nem o que agradecer o que fizeram pra gente, quando saímos da Band e em menos de uma semana a gente já tava no ar. Foi um carinho tão grande que precisamos agradecer e ter reconhecimento eterno, independente do que acontecer. Pelo SBT que é uma emissora espetacular, todos eles são pessoas que estão sempre, independente dessa movimentação, são diretores que sempre quiseram nosso bem e de alguma forma prestigiar e ajudar e fortalecer a imagem do Raul Gil", diz.

Contrato vitalício

Neste ponto da entrevista, Raul Gil Júnior comenta que o contrato entre SBT e Raul Gil não tem data de vencimento e é vitalício. O diretor não se fez de rogado e explicou que o apresentador só sai do ar se quiser se aposentar, mas que a emissora o manterá com programa enquanto ele quiser.

"O contrato é vitalício. Depois da segunda pré-saída do Raul Gil, foi feito um contrato vitalício. Não temos data pra sair do SBT. Se o Raul Gil quiser um dia quiser parar ele para, não porque o SBT vai parar com o Raul Gil, porque o contrato é vitalício. Quem resolve é o Raul Gil se um dia ele quer se aposentar, o que eu duvido. Duvido porque ele tem 80 anos de idade e consegue falar com criança, adolescente, senhores de idade. Com certeza ele tem uma gama de telespectadores muito grande e fibra. Já está provado", revela.

O diretor lembrou ainda dos tempos em que o programa chegou a ir ao ar aos domingos na Band, e que brigou pela liderança de audiência com a Globo, exemplificando a força da marca.

"Um dia quando saímos da Record e fomos pra Band e eu lembro que falei com o [Marcelo] Parada que hoje é nosso diretor do SBT e a gente queria ir pro domingo, porque na época a Band não tinha futebol no domingo. Aceitaram o desafio e teve um dia que a gente deu 14 e a Globo 16. O Raul sempre teve um público muito fiel", sacramenta, afirmando ainda que considera o apresentador e seu pai um dos dois grandes nomes da história da TV brasileira.

"Se você analisar, existem dois nomes históricos dentro da TV brasileira: Raul Gil e Silvio Santos. Que fazem parte da TV brasileira. Tinha a Hebe que se foi, mas hoje são dois nomes e os dois são do SBT, Raul e Silvio", aponta.

Todos copiam o Raul Gil

Uma das críticas que o "Programa Raul Gil" sofre é por uma repetição dos quadros, mas Raulzinho não concorda.

"O 'Programa Raul Gil' tem mudado há muito tempo, sempre se renovado. Por sinal, outros programa tem copiado demais o Raul Gil. Em relação a parte tecnológica, criativa, os outros programas que tem copiado a gente. O 'Pra quem você tira o chapéu' é o mais copiado da TV brasileira", brada.

Ele afirmou que, nos últimos tempos, o programa vem criando uma série de novos quadros que ele considera muito criativos e que se tornaram marca da produção: "Colocamos um quadro 'Youtubers querem Saber', agora colocamos o 'Shadow', que o júri só vê a silhueta do artista. Colocamos o outro agora, 'Os Funkeirinhos', que prestigia o funk da TV. Não estamos iguais".

Porém, Raulzinho faz uma ressalva e lembra que há uma espinha dorsal no "Programa Raul Gil" e que, neste quesito, a produção é repetitiva.

"Estamos iguais sim na questão musical porque sempre fomos musical e essa a nossa espinha dorsal. E aí dentro dessa nossa espinha dorsal, a música, música é cultura. E Raul Gil sempre foi extremamente cultural, envolvidos com todos os movimentos. Foi ele que abriu o mercado do rock, o country, o axé, o gospel, o funk, o sertanejo. Ele desenvolveu e deu força a todos esses movimentos. Ele foi o precursor de todos os movimentos. É a única que acontece que te falei, prefiro fazer cultura e música. Eu gosto de música. O Programa Raul Gil é sobre música e é repetitivo sobre música e cultura, mas não de quadro", explica.

Ele critica outras produções do estilo assistencialista que, segundo ele, estão se copiando o tempo todo: "Se você analisar hoje, a maioria dos programas estão todos se copiando em relação a dramas, tristezas e agonia da sociedade. Pessoas que passam fome, que moram na rua. Os programas estão se copiando. O 'Programa Raul Gil' não".

Novo cenário

Ao final do bate-papo, Raul Gil Júnior afirmou que não sabe se há previsão para mudança de cenário, uma vez que esta não é uma decisão dele, mas do SBT, e salientou ainda que gosta muito do cenário e o considera um dos mais bonitos da TV brasileira. 

"Isso é estratégia da emissora, não é minha estratégia. Quem decide é a emissora. Eu acho o meu cenário um dos mais bonitos da TV brasileira. Se tivesse que fazer outro eu faria algo bem parecido porque eu adoro. Ele tem quatro anos e não parece porque é lindo. Porque é muito bem planejado, quem fez foi o Eron [Reigota], um grande cenógrafo, um dos maiores que temos no Brasil e está no SBT. Temos grandes profissionais no SBT, gente que entende de televisão", finaliza.


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