Direito de Resposta

"Encontro" é condenado por exibir versão de advogada que acusou juíza de racismo

Tribunal de Justiça decidiu que juíza participe do programa

"Encontro" terá de dar direito de resposta à juíza acusada de racismo

Daniel César
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Daniel César

Daniel César é jornalista formado, pós-graduado em linguística e em roteiro de televisão, com mestrado em Literatura. Trabalha com o universo da televisão desde 2010 e já fez cursos de dramaturgia com nomes como Carlos Lombardi e Thelma Guedes.

Publicado em 08/06/2019 às 17:21:58 Atualizado em 08/06/2019 às 19:53:50

A Justiça do Rio de Janeiro condenou a Globo e o "Encontro" por exibir a versão da advogada Valéria Lúcia dos Santos que acusou a juíza leiga Ethel Tavares de Vasconcellos de racismo, após ter sido algemada durante audiência ocorrida em setembro de 2018. A decisão é da juíza Eunice Bitencourt Haddad, da 24ª Vara Cível e que concedeu direito de resposta a vítima.

De acordo com a decisão, Ethel terá direito ao mesmo espaço que Valéria contou dentro do programa "Encontro". A juíza Eunice lembrou que a decisão se dá pelo fato de que a emissora optou por mostrar apenas uma versão dos fatos, mesmo sabendo que o Tribunal de Justiça estava investigando o caso.

A advogada participou do matutino global no dia 14 de setembro e dispôs de tempo para contar toda a versão da história que havia viralizado nas redes sociais. Vídeos gravados mostravam o bate-boca entre ela e a juíza leiga que acabou solicitando apoio da polícia que algemou a advogada. Ela chegou a ser encaminhada para uma delegacia de Duque de Caxias e entrou com processo por racismo.

O caso fez muito barulho à época e diversas entidades apoiaram a advogada e falaram sobre o racismo social. A OAB chegou a manifestar repúdio pela atitude da juíza leiga que não é togada e é nomeada para mediar casos de audiências. O Tribunal de Justiça concluiu que a juíza não havia cometido nenhuma infração e que não houve racismo diante da situação.

A Globo terá de oferecer o mesmo espaço para Ethel no prazo de 90 dias contados a partir da publicação da decisão, ocorrida na última segunda-feira (03), o que significa que o direito de resposta deve acontecer até o início de setembro.

Procurada, a Globo não se manifestou até o fechamento desta matéria.


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