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Theodoro Cochrane torce pela autoaceitação do seu personagem

"É a autoaceitação desse personagem que vai ter direito à felicidade", diz

Theodoro Cochrane
Divulgação
Taty Bruzzi

Publicado em 20/04/2019 às 14:45:35

Quando você olha para Theodoro Cochrane tem a sensação de estar diante de um lorde. Quando ele começa a gesticular, o que era apenas uma impressão se torna realidade. O ator de 40 anos chama a atenção pela entonação da sua voz e a forma ponderada em falar.

Inteligente, perspicaz e muito envolvente no uso das palavras, não deixa dúvidas de ser filho da jornalista Marília Gabriela, a quem chama de parceira. “Ela é minha melhor amiga da vida, companheira, não temos nenhum filtro um com o outro, mas também jamais perdemos o respeito”, assinala.

Apaixonado por artes, o menino que queria ser pintor cresceu e acabou se formando em Desenho Industrial antes de ir estudar Cinema, em Los Angeles. E foi lá que Theo descobriu a vocação para atuar.

“Quando eu estava no meio da preparação eu percebi que o que mais me instigava era o trabalho dos atores e eu falava: ‘Eu quero estar à frente das câmeras, em cima do palco, é onde eu me realizo’”, confessa.

Além do trabalho como ator, Theodoro também exerce as funções de Diretor de Arte, Cenógrafo e Figurinista. Aliás, ele se orgulha muito de já ter vestido sua mãe, que também é atriz, mais de uma vez para o teatro. “Eu já fiz algumas direções de arte para peças dela, cenário, figurino e peças publicitárias”, recorda.

No ar em “O Sétimo Guardião” como Adamastor Davis Crawford, braço direito da Ondina, personagem de Ana Beatriz Nogueira, na pousada e no cabaré de Serro Azul, o ator comemora a parceria com a atriz, com quem já trabalhou quatro vezes.

“Ela é sim mãezona, mas também é meio irmã mais velha. Ela é uma pessoa única, divertida, generosa e absolutamente genial. Sem ela não existiria nada de Adamastor”, derrete-se.

O mesmo ocorre com as meninas da Ondina, interpretadas pelas atrizes Lyv Ziese, Mila Carmo e Josie Pessoa, com quem ele diz ter formado uma família “Sui Generis”. “Tem a mais burrinha, a mais empoderada, a sonhadora, a mais fria, é todo mundo de um tipo. É muito gostoso de contracenar e é um jogo muito vivo”, conta.

Já em relação ao seu personagem, Theo revela ter sido convidado pelo próprio Aguinaldo Silva, autor da novela, que confessou ter criado o Adamastor pensando nele. “Esse convite se oficializou depois de um encontro com a produtora de elenco, Rosane Quintade, o diretor artístico Rogério Gomes e o diretor geral, Allan Fitermann”, explica.

Em conversa com o NaTelinha, o ator falou sobre a preparação para o papel, a relação íntima e de trabalho com sua mãe, projetos para o futuro e o destino que ele espera para o seu personagem na novela. Confira!

Theodoro Cochrane torce pela autoaceitação do seu personagem

NaTelinha: Como foi a preparação para a criação do personagem?

Theodoro Cochrane: Foi extensa! Filmes, livros, o universo dos Dandies, o “Drácula de Bram Stoker”, interpretado por Gary Oldman, a Cruella De Vil, o Raul Julia de “Família Addams”, o João do Rio, que é uma figura boêmia do início do século passado... Aulas de tango para me dar a postura deste assíduo frequentador do cabaré. A partir do momento que viu as referências de figurino que remediam aos dandies e ao David Bowie, tudo isso foi alimento para a criação dele.

NaTelinha: O Adamastor é uma espécie de braço direito da Ondina. Como tem sido a parceria com a Ana Beatriz Nogueira? Ela é meio mãezona né?

Theodoro Cochrane:  É maravilhosa! Eu já tinha feito “A Casa das Sete Mulheres” (2003), mas a gente não se cruzava. Depois ela foi minha mãe em “Essas Mulheres” (2005), na RecordTV. Fizemos “Saramandaia” (2013), onde eu era apaixonado pela filha dela, personagem da Chandelle Bras. E agora, o nosso quarto reencontro fortíssimo enquanto melhores amigos na trama e uma mãe mesmo.

Theodoro Cochrane torce pela autoaceitação do seu personagem

NaTelinha:  E com as meninas da boate? Ele é meio que um irmão mais velho delas, não?

Theodoro Cochrane: Com as meninas da boate eu sou aquele irmão mais velho rabugento, que grita, dá uns tapinhas, mas é carinhoso e ama todas como se fosse um pai. Também são três meninas maravilhosas! Pessoas que eu vou levar para a vida.

NaTelinha: Seu personagem vive com um cigarro nas mãos. Você fuma?

Theodoro Cochrane: É muito da imagem arquetípica do dandy essa piteira. Então, era meio condição para a criação dele ter esse hábito. Eu fiquei um pouco apreensivo porque eu fumava e sou viciado em tabaco [risos], mas eu já tinha feito uma série do Bruno Barreto, chamada “The American Guest”, onde o meu personagem fumava o tempo inteiro um cigarro de palha e não me deu vontade de voltar. Agora, para esse personagem, o pessoal da Globo, da arte, trouxe um cigarro gringo, que deve ser “carésimo”, mas maravilhoso. Eu fumo o tempo inteiro e não tem tabaco, não tem nicotina, não tem alcatrão, não tem nada. É como seu eu estivesse fumando umas ervas, quase um perfume.

NaTelinha: Como você imagina o final do seu personagem? Acredita que ele irá viver um grande amor.

Theodoro Cochrane: É uma incógnita [risos]. Agora com as mortes de alguns personagens a gente não sabe o que pode acontecer, mas eu espero que ele vá viver um grande amor, nem que seja vindo da paternidade, da Estela (Vanessa Giácomo), do Júnior (José Loreto) ou auto aceitação. Acho que mais do que um grande amor é a autoaceitação desse personagem que vai ter direito à felicidade.

NaTelinha: Você é filho da Marília Gabriela, que é um ícone do jornalismo brasileiro. Fale um pouco sobre a relação de vocês?

Theodoro Cochrane: A minha relação com a minha mãe é a melhor possível. A gente se admira mutuamente. Nos aconselhamos, trabalhamos profissionalmente também. E quando a gente viaja só nós dois, temos programas muito similares que gostamos de fazer. Ir à museus, comer bem, fazer exercícios, é muito bom.

NaTelinha: Além de apresentadora e jornalista, sua mãe também é atriz. Ela acompanha o seu trabalho, dá dicas?

Theodoro Cochrane: Sim, dá dicas muito pontuais e precisas, assim como eu dou dicas pontuais para ela com a peça que está fazendo, “Casa de Bonecas 2”, que ela arrasa e eu fiz o figurino. Nós sempre damos um feeling no trabalho um do outro, costuma detalhar o desempenho de cada um naquilo que faz. A gente quer excelência da família [risos]. E ela acompanha a novela, vê todos os capítulos. É mãezona, né?

NaTelinha: Você sempre soube que queria ser ator ou pensou em seguir outra profissão? Talvez fazer Jornalismo, assim como sua mãe?

Theodoro Cochrane: Com as mídias sociais, meu Instagram @theochocrane [risos], eu tenho percebido uma característica muito inerente em mim que é a curiosidade, que eu herdei da minha mãe. Eu era tímido quando criança, mas na adolescência desenvolvi uma cara de pau e a vontade de conhecer pessoas. Então, entrevistar, mesmo que informalmente, no Instagram eu já faço isso e me dá muito prazer. Eu tenho pensado em investir um pouco mais. Por que não? Somos tão plurais, seres multifacetados. Me lembrei do “TV Mulher”, especial de aniversário, contendo 10 programas, que foi exibido pelo canal Viva em 2016. Eu entrevistei 10 ícones da televisão brasileira, 9 atrizes que fizeram personagens inesquecíveis da TV e um dos maiores escritores de teledramaturgia que foi o Aguinaldo Silva. Tive muito prazer em fazer e eu lembro de ter sido elogiado.

NaTelinha:  Já tem planos para quando a novela acabar? Algumas trabalho em vista?

TC: Primeiro eu preciso dar uma descansada, porque realmente é uma loucura. Muita dedicação, imersão, trabalho de segunda a segunda. A gente grava na maioria dos dias e precisa decorar, estudar os textos para fazer bem ou ter um entendimento das cenas nos outros dias. Trabalho em vista eu estou pleiteando alguns como ator e, provavelmente, eu irei fazer um figurino para teatro-musical em São Paulo no início do segundo semestre. E tem também o “The American Guest”, da HBO, que deve estrear logo no comecinho do mês de agosto.

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