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Tá difícil

Crise financeira e familiar com ações na Justiça geram tensão nos bastidores da Band

Sede da Band em SP
Sede da Band no bairro do Morumbi, em São Paulo - Foto: UOL
Naian Lucas

Publicado em 05/02/2019 às 11:21:17

Nesta segunda-feira (04), o NaTelinha relatou com exclusividade que a Justiça criticou a "inércia" das irmãs e vetou interdição de Johnny Saad da presidência da Band. Em crise, a emissora do Morumbi ganhou as principais manchetes dos veículos de comunicação que cobrem televisão e os funcionários se assustaram com as informações.

A reportagem conversou com profissionais e identificou tensão em relação ao problema envolvendo a família Saad. A Band tem encarado o revés financeiro desde o início de 2014. Diretores foram orientados a realizarem cortes e demissões ocorreram ao longo dos últimos anos no canal, além de programas terem sido retirados da programação neste período.

Para se ter um discernimento sobre o assunto, a emissora não transmitiu a Copa do Mundo na Rússia e deixou de ser o segundo canal oficial dos Campeonatos Estaduais e Brasileiro de futebol, pois não tem recursos para pagar a Globo pelos direitos de exibição.

Sem dinheiro para investimento, o clima nos bastidores da Band não era dos melhores. Porém, segundo fontes do NaTelinha, a sensação de esperança tinha renascido no final do ano passado e início de 2019. Isto porque pessoas do alto escalão do canal garantiram que, este ano, investimentos voltariam acontecer.

Band: Crise financeira e familiar com ações na Justiça geram tensão nos bastidores

Todavia, com a briga da família Saad se tornando pública, os funcionários voltaram a ficar tensos. Há receio por parte dos profissionais que trabalham na emissora que demissões ocorram novamente.

A apreensão nos bastidores nesta segunda não foi pouca. Os trabalhadores evitaram realizar questionamentos aos diretores, assim como os artistas da casa resolveram não se envolver no assunto neste momento. “O negócio é ser esquecido para não ser demitido”, brincou uma fonte, aos risos.

Procurada pelo NaTelinha, a Band disse que não irá se pronunciar sobre a questão.

Entenda

A Band enfrenta sua pior crise financeira da história. Segundo dados liberados nesta semana em reportagem do portal Brazil Journal, a empresa da família Saad acumula dívidas que estão na casa de R$ 1,2 bilhão.

Os números assustam e, segundo também apurou o NaTelinha, são frutos, além de tudo, de uma profunda crise familiar por conta dos resultados insatisfatórios que o Grupo Bandeirantes vem acumulando nos últimos anos.

A emissora estava no sétimo degrau na avaliação FITCH Ratings, empresa responsável por analisar a qualidade do crédito da empresa em títulos de dividas. O total do ranking possui 11 etapas. “A nota do Grupo Bandeirantes caiu de B – altamente especulativa – para CCC, que significa risco de crédito substancial”, explicou a nota da empresa divulgada em 2017.

“A posição de mercado da RTB (Rádio e TV Bandeirantes) é fraca, e a Fitch não estima qualquer melhoria relevante na participação de mercado da companhia, devido ao intenso cenário competitivo. A companhia é a quarta maior operadora de TV do Brasil, com aproximadamente 4% da parcela de mercado, em um setor altamente concentrado no país e dominado pela Globo Participações S.A”, ressalta Alvim Lim, analista responsável pelo relatório.

Importante ressaltar que boa parte da dívida da Band está nas mãos de bancos que certamente estão cobrando juros. Outra parcela significativa é com credores. A emissora deve, inclusive, direitos de futebol à Globo.

Por conta de toda a crise financeira e de audiência – atualmente a Band sofre para manter a quarta colocação, segundo números da Kantar Ibope para a Grande São Paulo –, as irmãs Márcia e Leonor estariam dispostas a levar até a última consequência a intenção de destituir Johnny Saad do cargo máximo da empresa. A família trava uma disputa pelo controle do Grupo Bandeirantes entre os acionistas.

Especula-se nos bastidores que as irmãs não pretendem usurpar o poder de Johnny, mas querem a profissionalização de todos os segmentos do grupo e que o CEO, cargo ocupado por ele desde 1999, seja trocado a cada três anos.
Em 2014, foi divulgado amplamente pela imprensa a especulação de que a Band poderia ser vendida para o Grupo Turner que, à época, estava dentro da emissora ajudando na produção do “CQC” e do “Masterchef”. Entretanto, isso acabou não se concluindo.

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