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12 anos

"Por Amor" é reclassificada após forte monitoramento por conter consumo de drogas

NaTelinha teve acesso a todo o processo do Ministério da Justiça


Milena (Carolina Ferraz) e Branca (Susana Vieira) frente a frente batendo boca em cena de "Por Amor"
Briga de Branca (Susana Vieira) e Milena (Carolina Ferraz) foi suavizada na edição. Mesmo assim, "Por Amor", foi reclassificada
Por Naian Lucas

Publicado em 18/07/2019 às 11:48:48

A reprise de "Por Amor" na faixa do "Vale a Pena Ver de Novo" foi monitorada por mais de 40 capítulos e chamou atenção do Ministério da Justiça, entre outros motivos, por conter cenas com consumo de drogas lícitas, fazendo a novela ser reclassificada de "Livre" para não recomendável para menores de 12 anos.

A trama de Manoel Carlos ganhou nova Classificação Indicativa do MJ nesta semana, um dia depois de ter cortado mais uma cena de agressão, dessa vez envolvendo Marcelo (Fábio Assunção) e Eduarda (Gabriela Duarte).

O NaTelinha teve acesso ao processo de análise da classificação de "Por Amor" que fez com que o MJ determinasse que o folhetim passasse a ser não recomendável para menores de 12 anos. O documento mostra que a novela foi monitorada em todos os seus capítulos até que a mudança fosse publicada no Diário Oficial da União.

O relatório de monitoramento apontou desde a estreia que a trama contava com uma série de agravantes contrários à Classificação Indicativa, como o uso de drogas lícitas, nudez sugerida, entre outras situações.

No primeiro capítulo, por exemplo, que foi ao ar no dia 29 de abril, o relatório do Ministério apontou sete agravantes que prejudicam o selo livre para a Classificação: consumo de droga lícita (quatro vezes ao longo do episódio), tensão, exposição ao perigo e descrição de consumo de droga.

No capítulo que foi ao ar em 04 de junho, a cena cortada envolvendo uma forte briga entre Branca (Susana Vieira) e Milena (Carolina Ferraz) não passou batido, mesmo com a suavização da sequência, e foi apontado ato violento. Além dela, no capítulo foram destacados outros seis agravantes, como apelo sexual.

Após monitorar "Por Amor" por mais de 30 capítulos, em 17 de junho o Ministério da Justiça enviou um e-mail à Globo solicitando esclarecimentos sobre a novela e explicando que a trama não vinha cumprindo os requisitos básicos para permanecer com a classificação livre. 

"Durante o monitoramento da obra por esta Coordenação, constatou a exibição de cenas contendo as tendências de ato violento, consumo de droga lícita, lesão corporal, apelo sexual, insinuação sexual, nudez velada, estigma/preconceito, dentre outras, que são indicativos de classificação mais elevada", diz trecho do e-mail que solicitou resposta da emissora num prazo de cinco dias úteis.

A Globo respondeu contando o pontapé inicial da história e enviou suas justificativas para manter o selo livre para a Classificação Indicativa, lembrando que "Por Amor" havia sido classificada como livre em sua exibição original, em 1997.

"Cenas relacionadas a bebidas alcoólicas, únicas que aparecem com maior frequência no referido Relatório, cabe registrar que elas têm sido constantemente suavizadas na edição, sendo que sua aparição ocorrem em razão dos costumes da época em que a novela foi gravada e estão voltadas na maioria das vezes à composição das personagens, sem qualquer banalização", explicou o texto que solicitava que a novela fosse não recomendada para maiores de 10 anos, e não 12, como pretendia a análise.

No dia 08 de julho, foi definido que "Por Amor" deveria ser não recomendável para menores de 12 anos. Após relembrar todas recorrências de agravantes apontadas em documentos diários, o relatório concluiu: "Dessa forma, devido à relevância do conteúdo de drogas, bem como a apresentação de conteúdo sexual e temas relativos a violência, e levando-se em consideração os agravantes e atenuantes, sugere-se classificação indicativa de 'Não recomendado para menores de 12 anos'".

Por fim, no dia 12, a novela teve sua classificação alterada por conter "drogas lícitas, conteúdo sexual e violência". Vale lembrar que, desde 2016, a Classificação Indicativa não é mais vinculada a horários, servindo apenas como indicativo dos programas.

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