Entrevista

Pally Siqueira fala sobre Amanda, de "Malhação": "Um afago na alma"

Jovem de 26 anos conversou com o NaTelinha sobre o desafio de interpretar jovem portadora da ELA

Pally Siqueira fala sobre Amanda, de
Pally Siqueira - Foto: Reprodução

Publicado em 15/03/2019 às 07:16:49

Por: Laís Lubrani

Interpretando uma jovem portadora de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) em "Malhação - Vidas Brasileiras", Pally Siqueira tem conquistado cada vez fãs e aceitou falar com o NaTelinha sobre esse desafio.

A atriz de 26 anos já participou de workshops no Instituto Paulo Gontijo, referência no assunto. Abnegada a criar a personagem, a pernambucana criou um caderno onde constrói a evolução da doença da personagem, além das sensações que experimenta a cada cena.

Além de atriz, Pally também é artista plástica e falou sobre o talento e a dedicação ao mundo da arte.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

NaTelinha - Você está tendo muito destaque em Malhação. Como é viver a Amanda?

Pally - Está sendo a experiência mais desafiadora e emocionante da minha carreira até hoje. A Amanda mexe com o meu lado mais humano e sensível, ela me deixa em movimento, uma inquietude boa de sempre querer fazer o melhor de conseguir tocar as pessoas. A Amanda é quase que um afago na alma.

NaTelinha - Sua personagem tem ELA, na minha opinião uma das doenças mais complicadas atualmente. O que é mais difícil pra você?

Pally - Pra mim o mais difícil é saber que essa doença não tem cura ainda. Tenho convivido com muitas pessoas que tem ELA e não me conformo em saber que ainda não descobriram algo que pare o avanço dos sintomas. Temos que dar visibilidade a essa e outras doenças para que se tenha um interesse Em caráter de urgência em pesquisas e tratamentos. Quanto mais visibilidade mais interesse público.

NaTelinha - Li em uma entrevista do GShow que você tem um caderno, onde anota as fases da doença de acordo com a personagem. De onde surgiu essa ideia? Conte um pouco mais pra gente sobre?

Pally - (Risos) Esse caderninho tá ficando famoso.... Então, como a doença tem uma linha cronológica, eu precisava de algo que me desse essa dimensão de tempo, pois gravamos muitas vezes fora de continuidade. Exemplo: No mesmo dia gravo cenas de capítulos distintos e o caderno foi uma forma de manter minha continuidade, eu anoto sempre o capítulo e como fisicamente a Amanda está naquele capítulo, daí na hora de gravar eu confiro as anotações e sei exatamente o estado físico que devo me encontrar. Nesse caderno eu coloco desenhos, estudos anatômicos, anotações emocionais, físicas, meus truques, tudo o que é preciso para me dar uma segurança em contar essa história.

NaTelinha - Sua interpretação é tão real que muitos te perguntam se você tem a doença. Se você fosse portadora da ELA, o que faria igual e o que faria diferente da Amanda?

Pally - Eita.... Pergunta difícil. Eu acredito que temos que abrir aqui um parêntese especial para os amigos da Amanda, sem eles as coisas seriam bemmmm mais difíceis. A Pally tem um pouco dessa sorte também de ter pessoas iluminadas e amorosas por perto, e acredito que estarão ao meu lado em qualquer situação. Mas por mais que a gente imagine ou interprete, nada chega nem perto da realidade.

NaTelinha - Você é super engajada e militante das causas, em especial feministas. Como você vê a luta da mulher hoje em dia? O que falta pra que todos vivam bem?



Pally - Nossa luta é por sobrevivência, nossa luta é por igualdade, nossa luta é por liberdade. No mês em que completa um ano da morte da Marielle Franco a nossa luta está longe de acabar. Os casos de feminicídio tem crescido de uma maneira assustadora, cerca de 16 milhões de mulheres sofreram algum tipo de agressão em 2018 no Brasil. Enquanto você está lendo essa entrevista, aproximadamente 3 mulheres foram espancadas no Brasil.

Todos os direitos que conquistamos seja ele o de votar ou o de andar com a roupa que desejarmos, devemos a luta e a causa feminista. Muitas mulheres morreram ou foram caladas lutando pelo básico de iqualdade de gênero no mundo, é pela memória dessa mulheres que luto, é por querer uma nova geração de mulheres empoderadas que eu luto. Chega de nos calarem! Chega de nos matarem! Que comece o matriarcado já!

NaTelinha - Você vive total em função da arte. Como atriz e também faz obras, que publica no Instagram. Sua personagem inclusive busca na arte um motivo pra viver. O que o mundo da arte te traz e por que vivê-lo? Pensa em se aprofundar em outro universo?

Pally - É algo que nasceu comigo, essa inquietação, esse frenesi. O mundo das artes visuais é algo muito confortável pra mim, é como se fosse minha casa, é o meu universo, que através de cores consigo mostrar as pessoas o que está aqui dentro. Não me imagino sem pintar, pinto com tudo desde muito criança, quando não tinha dinheiro para comprar materiais adequados e usava tudo o que conseguisse extrair pigmento, seja do café até o vinho, o importante é nunca parar. A prática aperfeiçoa o trabalho, eu não nasci pintando assim, levei muito tempo e estudo até fazer o que faço hoje e acredito que levarei muito mais tempo e estudo para fazer o que quero fazer amanhã... Tudo é processo. E eu sou isso.

NaTelinha - A novela está terminando. O que vai levar da experiência e quais são seus planos?

Pally - Muita experiência!!! Aprendi muito em todo esse processo, foi algo que me exigiu esforço emocional, físico e intelectual. Levo comigo na bagagem as amizades, as parcerias, a cumplicidade, o respeito e o amor de todos os profissionais que estiveram do meu lado. Levo também uma das maiores experiências de “outrar”, se colocar na pele do outro, viver as angústias e amores de outro é mágico. Levo comigo muita gratidão. E quero continuar nesse processo mágico que é a atuação, espero dar vida a muitas outras personagens marcantes e reais.


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