Em Estado de Choque

Contrário às torcidas organizadas, jornalista da ESPN estrela série com a tropa de choque: "muito puxado"

"Em Estado de Choque" mostra os preparativos da PM para clássico mineiro de futebol

 Contrário às torcidas organizadas, jornalista da ESPN estrela série com a tropa de choque: "muito puxado"
Primeira coisa que Gustavo Hofman teve que fazer no quartel: raspar a barba

Fabrício Falcheti

Publicado em 19/01/2018 às 12:08:15

Depois de ver Paulo Calçade como treinador, Leonardo Bertozzi como goleiro e Mendel Bydlovski como árbitro, agora o telespectador da ESPN Brasil poderá conferir como Gustavo Hofman se sai em um treinamento intenso junto à tropa de choque da polícia militar do estado de Minas Gerais, até a atuação no principal evento esportivo do estado, o encontro entre Cruzeiro e Atlético pelo último Campeonato Brasileiro.

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A série especial "Em Estado de Choque" já está disponível no Watch ESPN, plataforma sob demanda do canal, e estreia na próxima semana na TV.

Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, Gustavo Hofman, comentarista dos canais ESPN, falou sobre essa experiência, passando uma semana com o batalhão e enfrentando todas as dificuldades para o grande clássico mineiro, que aconteceu no dia 22 de outubro e terminou com o placar de 3 a 1 para o Atlético.

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Não foi fácil. "A rotina é muito puxada. No início eu achava que as maiores dificuldades seriam físicas, mas me enganei. A superação é psicológica, é necessário ter muita resiliência", disse ele.

"A exposição aos agentes químicos é a pior parte, e os policiais têm que passar por isso rotineiramente para criarem resistência e também para sempre saberem o efeito daqueles produtos nas pessoas", contou.

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Mas tudo isso foi superado, em nome do "jornalismo de verdade". "Fiquei empolgado pela oportunidade de fazer uma série de jornalismo especial. (...) o mais importante é que conseguimos produzir jornalismo de verdade, com apuração, mostrando os dois lados, ouvindo e mostrando histórias", comemorou.

Questionado pelo NaTelinha, Gustavo Hofman explicou por que é contra a existência das torcidas organizadas: "Se tornaram quadrilhas no Brasil. Essas entidades reúnem criminosos que estão interessados no poder que elas lhes dão". E fez um desafio: "Desafio líderes de organizadas a provarem que estou errado sobre esse cenário".

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Para ele, a série que protagonizou só aumentou essa sua visão. "O fã de esportes que acompanhar a série vai entender os motivos", apontou.

Confira a entrevista na íntegra:

Você é o protagonista de nova série da ESPN, participando de um intenso treinamento da tropa de choque da Polícia Militar para um clássico do futebol. Quando você foi chamado para a função, qual sua primeira reação?

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Gustavo Hofman - Fiquei empolgado pela oportunidade de fazer uma série de jornalismo especial. A missão de passar ao fã de esporte a rotina de um policial do Choque era desafiadora. Claro que, quando falaram comigo pela primeira vez, você fica pensando sobre o que vai acontecer, como será, mas no final das contas gostei muito do resultado.

Lógico que haverá críticas positivas e negativas, pessoas que vão gostar e outras que vão odiar. Normal, isso faz parte, mas o mais importante é que conseguimos produzir jornalismo de verdade, com apuração, mostrando os dois lados, ouvindo e mostrando histórias. É uma série que mostra a rotina do Batalhão de Choque da polícia militar de Minas Gerais, mas que mergulha no debate sobre a violência em estádios de futebol no Brasil.

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Desde sua chegada ao quartel até a conclusão dos trabalhos no Mineirão, quais dificuldades classifica como as piores?

Gustavo Hofman - A rotina é muito puxada. No início eu achava que as maiores dificuldades seriam físicas, mas me enganei. A superação é psicológica, é necessário ter muita resiliência. Fiquei com o Choque de Minas na semana pré-clássico Atlético x Cruzeiro e passei por todos treinamentos, nem mais, nem menos. Tudo.

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A exposição aos agentes químicos é a pior parte, e os policiais têm que passar por isso rotineiramente para criarem resistência e também para sempre saberem o efeito daqueles produtos nas pessoas. Gás de pimenta, gás lacrimogêneo, gel de pimenta, teaser... De todos, o pior foi o gel de pimenta. Fiquei realmente em sofrimento por muito tempo.

Você mostra-se totalmente contrário à existência das torcidas organizadas no futebol. Pode explicar a sua visão?

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Desafio líderes de organizadas a provarem que estou errado sobre esse cenário.

Gustavo Hofman

Gustavo Hofman - Infelizmente, torcidas organizadas se tornaram quadrilhas no Brasil. Essas entidades reúnem criminosos que estão interessados no poder que elas lhes dão. Lógico que não podemos generalizar, afinal, o jovem que se filia a uma organizada pode estar interessado apenas em torcer para seu time, fazer festa, mas na prática ele vai mergulhar em um universo de consumo de drogas, brigas marcadas, saques em lojas durante viagens e muita violência.

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Desafio líderes de organizadas a provarem que estou errado sobre esse cenário. Conheço muito bem, e a polícia também, tanto é que prende os culpados por isso. Só que no Brasil, mesmo com todas evidências, a Justiça vai lá e solta. Costumo sempre fazer o seguinte questionamento aos jovens: vocês precisam de uma torcida organizada para torcerem para seu time? Eu jamais precisei, e ia em todos os jogos, viajava...

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Os pais devem ficar atentos a tudo isso e conversar muito com os filhos. Sinceramente, eu jamais deixaria meus filhos se integrarem a uma organizada atualmente.

E essa visão mudou depois da reportagem ou aumentou?

Gustavo Hofman - Aumentou, sem dúvida alguma, e o fã de esportes que acompanhar a série vai entender os motivos.

Acha que seria possível essas torcidas conviverem em paz com o futebol um dia? O que precisaria ser feito pra isso acontecer?

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Gustavo Hofman - Estamos falando de um problema de segurança pública. Para as torcidas organizadas conviverem em paz com o futebol seria necessário prender os marginais que se escondem atrás delas.

Durante a reportagem, ficou com medo ou certo receio de trabalhar com a polícia no meio dos torcedores?

Gustavo Hofman - Não, em momento algum. É necessário explicar que a maioria dos torcedores não é baderneira. O problema está nas torcidas organizadas e nos torcedores que exageram no álcool e não sabem se controlar nas arquibancadas.

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Para você, qual a pior torcida organizada do país?

Gustavo Hofman - Não vejo uma pior do que a outra. As principais e maiores apresentam, todas, os mesmos problemas.

Convide o público a acompanhar a sua série de reportagens.

Gustavo Hofman - Convido o fã de esportes a mergulhar no mundo tão criticado do Batalhão de Choque. Entrar em uma reunião da polícia com as torcidas organizadas antes de um clássico entre Atlético e Cruzeiro. Acompanhar a escolta dos atleticanos até o Mineirão lotado de cruzeirenses. Você vai tirar suas próprias conclusões sobre o problema da violência nos estádios de futebol no Brasil.

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