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“Quando se torna compulsão vira um desastre”, diz Lília Cabral, intérprete de viciada em “A Força do Querer”

 “Quando se torna compulsão vira um desastre”, diz Lília Cabral, intérprete de viciada em “A Força do Querer”
Globo/Raquel Cunha

Sem autor

Publicado em 14/09/2017 às 07:07:10

Silvana, deA Força do Querer”, novela das 21h da Globo, já foi do céu ao inferno com seu vício em jogos. Chegou a ficar internada numa clínica e ser presa pela polícia, ao ser flagrada num cassino clandestino. Lília Cabral, que interpreta a personagem, gosta de poder alertar as pessoas sobre o problema do vício.

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A atriz, hoje com 60 anos, opina: “Se ficar só na diversão o jogo é bacana, mas quando se torna compulsão vira um desastre”. Questionada se já passou por situação semelhante, é direta “Graças a Deus (nunca sofri com nenhuma compulsão), não. Na minha família, tempos atrás, tínhamos o costume de jogar buraco e outros jogos de cartas, mas nunca a dinheiro”.

“As pessoas que passam pela compulsão do jogo têm muita dificuldade de sair dessa situação. Acho que tratar disso numa novela faz muita gente que tem parentes nessas situações se identificar, e também proporciona reflexão sobre o problema”, conta Lília.

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O processo de composição de Silvana começou ainda em 2016, quando Lília fez uma “imersão” nesse mundo. “A minha preparação foi feita em cima de quem gosta de jogar, a Silvana curte a adrenalina do jogo, para ela é uma válvula de escape. Desde o ano passado (conversei) com pessoas que gostam de jogar, que conhecem esse universo do jogo e me contam histórias de jogadores compulsivos, os dramas que eles vivem. A Gloria Perez também me deu muito material para trabalhar, tivemos muitas conversas sobre o assunto”, explicou.

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Controle ilusório de angústias

O NaTelinha conversou com Sylvio Ferreira, professor do departamento de psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) sobre o assunto. “A questão da dependência em relação ao jogo acontece quando alguém é acometido de uma angústia muito grande e uma ansiedade muito intensa. Como forma de estabelecer um controle sobre a angústia e ansiedade, busca, na base do ganhar ou perder, um controle ilusório”.

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O professor universitário conta: “Já vi gente que chegava com dinheiro nessas casas à noite, arrumado, e chegava de manhã sem nada, pedindo a um taxista a ser transportado de graça por não ter como pagar”. O vício em jogo, para Sylvio, “é uma das coisas mais devastadoras que existem”, tanto quanto o vício em drogas ilícitas, como crack. “ (A pessoa) surta, engana, mente, como qualquer dependente”, concluiu.

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