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Com crise, programa caça-níquel vira salvação de afiliadas da Record e SBT

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Sabrina Petrarca é considerada a musa dos programas caça-níquel na TV
Redação NT

Publicado em 27/06/2016 às 15:39:52

A crise vem atingindo todos os setores econômicos do Brasil, inclusive a televisão. E em especial, as TVs locais estão em momento de aperto.

A grande maioria dos canais fizeram reformulações e reduções de custo, dispensando funcionários e diminuindo equipe, mesmo que tudo já seja muito apertado. Outras, na necessidade de manter a qualidade e os empregos, vendem horários da faixa local da programação.

Para não cederem horários para programas religiosos, várias afiliadas da Record (como a TV Tropical do Rio Grande do Norte, TV Cidade do Maranhão, TV Pajuçara de Alagoas e TV Atalaia de Sergipe) e do SBT (como a TV Tribuna do Espírito Santo e o SBT Mato Grosso do Sul) estão arrendando suas faixas da hora do almoço para a produtora G2P, especializada em atrações caça-níquel, que contêm apresentadores jovens e carismáticos apresentando games que custam caro para quem telefona.

Cada minuto da ligação para este programa custa uma chamada de celular para São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, o que varia de operadora para operadora - mas não é menos que R$ 2,80. Segundo apurações do NaTelinha obtidas em primeira-mão, a G2P pagaria algo em torno de R$ 250 mil por mês para cada afiliada, além de participação nos lucros telefônicos do programa.

Até onde se sabe, as emissoras locais fazem isso sem consentimento da cabeça de rede, ou de qualquer diretor que cuide do assunto. Inclusive, a recomendação é que este horário não seja vendido, para que não se prejudique a média de audiência dos canais e faça cair seu faturamento de publicidade. Ou seja, esses canais fazem tudo "na surdina".

O outro lado

A reportagem do NaTelinha telefonou desde a semana passada para as afiliadas que vendem horário. TV Tropical, TV Pajuçara, SBT Mato Grosso do Sul e TV Atalaia disseram que não teriam alguém para comentar o assunto. A TV Tribuna afirmou que foi uma decisão da direção do canal.

A G2P, que produz os programas, atendeu os nossos telefonemas na quinta (23), e ficou de dar um retorno. Desde esta segunda (27), não havia feito, o que motivou a reportagem a retornar a ligação. Nesse caso, a produtora decidiu não comentar o assunto.

Já a Record, que não estaria sabendo das vendas de horários das afiliadas, também preferiu não falar.