Larissa Erthal sobre parceria com Milton Neves: "química muito boa"

Em entrevista exclusiva, apresentadora fala sobre "Jogo Aberto", Copa do Mundo e Olimpíadas

Divulgação/Band

Publicado em 09/03/2015 às 11:30:22

Por: Lucas Félix

Com Gabriel Vaquer
 

Larissa Erthal não é nenhuma novata na televisão. Já foi repórter e apresentadora por anos no Esporte Interativo e na Oi TV. Mas somente em 2014, ao chegar na Band, se tornou figura conhecida entre os fãs de esporte.

A emissora desenvolveu uma versão carioca do "Jogo Aberto" e escolheu Larissa para exercer o papel de Renata Fan na edição nacional. Inicialmente, apenas os moradores do Rio e os brasilienses a assistiam.

Com poucos meses no ar, porém, aliando a boa recepção com uma personalidade própria, a edição foi ganhando novos espaços. E assim segue até hoje.

Mas todo o Brasil pôde conhecer a apresentadora durante a cobertura da Copa do Mundo, que rendeu elogios e uma presença fixa no dominical "Terceiro Tempo", ao lado de Milton Neves.

Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, Larissa Erthal comentou os detalhes dessa trajetória e os novos projetos que já mira para o futuro, tanto no "Jogo Aberto" quanto nos preparativos para a cobertura olímpica em 2016. Confira na íntegra:

NaTelinha - O "Jogo Aberto" Rio acaba de completar um ano e já se mostra consolidado. Você imaginava que ele cairia nas graças do público tão rapidamente? Houve medo de rejeição por parte de quem o acompanhava anteriormente?

Larissa Erthal -
Medo sempre rola, até hoje, mesmo depois de um ano no ar... E acho que quando não tiver mais é porque tem alguma coisa errada. Mas não é um medo que trava, é um medo desafiador, que te deixa mais alerta e te impulsiona. E em relação ao desempenho do programa eu acho que eu nem imaginava e nem desacreditava também. Se por um lado o "Jogo Aberto" da Renata Fan é muito legal, ela faz uma dupla divertidíssima com o Denílson e o público, claro, sentiria falta deles, por um outro ângulo o futebol carioca precisava ser mais explorado, valorizado, um tempo maior de dedicação no programa, e era nessa sede de futebol do Rio que o público estava sentindo que eu me agarrava.

NaTelinha - O programa começou sendo exibido somente para o Rio de Janeiro e Brasília e hoje já atinge outras praças, como Natal e Manaus. Há planos de ampliar esse alcance aproveitando a popularidade do futebol carioca no Norte e Nordeste?

Larissa Erthal -
Nossa, isso me deixou tão feliz, vocês não fazem ideia... Porque eu não tinha essa expectativa, entrei achando que era Rio de Janeiro e ponto. É tipo fazer compras no shopping e de brinde ganhar um carro naqueles sorteios de nota fiscal (risos). A gente passa pro Rio, Brasília, Manaus, Natal, Tocantins e Maranhão, além das praças que replicam essas e aí eu não tenho controle sobre isso, mas as vezes recebo recadinhos nas minhas redes sociais de pessoas que assistem em determinadas cidades que eu não sabia que passava, dou pulos de alegria.

Os planos são de ampliar sim, na verdade é a população que vai escolhendo e não a Band. As praças recebem o sinal dos dois programas, se o público prefere o futebol do Rio a emissora local escolhe o nosso. Como sabemos que Norte e Nordeste têm mais torcedores do Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo do que os times de SP, a tendência é crescer... Mas dependemos não só do nosso desempenho, como também dos clubes cariocas nos campeonatos ao longo da temporada. Ah, você aí que não consegue assistir ao nosso "Jogo Aberto" do Rio, mas gostaria, avisa à Band local: vale ligação, cartinha, pombo correio, sinal de fumaça...


NaTelinha - O formato começou mais baseado na versão apresentada pela Renata Fan em São Paulo e aos poucos foi ganhando identidade. Esse estilo mais conversado surgiu intencionalmente ou foi uma adaptação natural?

Larissa Erthal -
Foi natural, a Band nos deixa muito à vontade pra fazermos do nosso jeito. E acho que sou mais assim mesmo, despojada, faladeira, informal, brincalhona... Acho que o nome disso é carioquice! (risos)


NaTelinha - A Band tem uma tradição notadamente mais paulista. A rede interfere muito na formatação do programa ou a equipe do Rio tem carta branca?

Larissa Erthal -
São Paulo é rede, São Paulo controla. Mas claro que mesmo num bom texto a gente põe cacos, né?! Ano passado eu queria me fantasiar na época de Carnaval, mas nenhum programa da Band faz isso, e o "Jogo Aberto" é esporte e não entretenimento! O Rio diz "mete bronca"; São Paulo diz "vê lá o que você vai fazer!". Aí eu faço, mas com moderação, no meio termo, não coloco a fantasia toda, mas ponho os acessórios... E assim a gente agrada todo mundo. Agora já virou tradição, já fui de fada, Mulher Maravilha, Pedrita e Carmen Miranda. Eu me divirto, é genuinamente carioca, dos blocos de rua... Essa sou eu.

NaTelinha - O "Jogo Aberto" tem o futebol como pauta principal, mas no começo de carreira você trabalhou no Esporte Interativo e cobria modalidades mais alternativas. É mais vantajoso ou dá mais problema lidar com um esporte que gera paixões tão acentuadas?

Larissa Erthal -
Os dois! É mais vantajoso porque é a grande paixão nacional, atinge um público muito maior, mas dá mais problema sim... Eu diria que eu preciso tomar muito mais cuidado com o que falo. Uma simples opinião minha pode gerar um grande descontentamento, porque envolve paixão no mais alto nível da palavra, e como todo apaixonado as vezes a gente fica cego, né?! Mas isso é uma coisa que ainda estou aprendendo a lidar, sempre vai ter um lado que você não vai agradar.


NaTelinha -Você é muito "acusada" por todos os lados sobre qual é a sua torcida?

Larissa Erthal -
Sou, mas ninguém nunca acerta. Na verdade todo mundo acha que torço pelo Flamengo... Mas é só porque é muito bom zoar o Pedrinho, vascaíno, ele cai na pilha e a gente na risada. Mas é só isso mesmo, meu namorado é flamenguista, meu pai botafoguense, minha mãe Fluminense. Eu na verdade sou Portuguesa da Ilha, um time pequeno, mas tradicional, que representa o bairro onde nasci e moro até hoje, a Ilha do Governador.

O Carioca pra gente começa dia 7 de março e além do acesso também queremos ser campeões esse ano! Aliás, falando da Ilha sou uma apaixonada também pela União da Ilha, nossa escola de samba do grupo especial, que fez um desfile maravilhoso mas infelizmente não atingiu uma colocação tão boa quanto ano passado.

NaTelinha - A convivência com o Pedrinho e o Djalminha ajuda a entender essa pressão que cerca o futebol? Como foi o entrosamento com eles?

Larissa Erthal -
Foi e é maravilhosa, nos entendemos de primeira... Até porque passamos pelo processo de escolha do elenco juntos, então foi uma parceria desde o inicio. Eles me ajudam muito, desde a parte tática, que é mais difícil, até expressões de boleiro e o que é legal e o que não é pra se falar de um jogador, afinal, eles já estiveram do lado de lá e nós não.


NaTelinha - Você se tornou mais conhecida em todo o país com a cobertura da Copa do Mundo. O Mundial de 2014 foi o mais marcante da sua vida até agora?
 
Larissa Erthal -
Não só até agora, como também acho difícil algum outro evento superar. Foi uma Copa do Mundo em casa, não acredito que até o final da minha carreira terei a possibilidade de cobrir um evento como esse aqui no Brasil de novo. Se é que vai ter de novo alguma vez na vida, né?! Pelo jeito, não traz muita sorte pra nós! Agora a expectativa é pras Olimpíadas Rio 2016. Já estou contando os dias.

NaTelinha - Conseguiu assistir alguma partida do estádio? Acha que qual foi o grande legado deixado pela Copa para o Brasil?

Larissa Erthal -
Só consegui assistir umazinha, Argentina x Suíça na Arena Corinthians. Emoção sem igual, é um clima diferente o da Copa do Mundo, não tem jeito... Além de presenciar a empolgação das torcidas de perto, o canto mais famoso desse Mundial (Brasil, decime que se siente tener en casa a tu papá...), a resposta da torcida brasileira (mil gols, mil gols...), a estrutura e organização do nosso comitê e o melhor, ver o Messi jogar ao vivo! Acho que o maior legado foi a confirmação de que o nosso futebol precisa se modernizar, não dá mais pra ser baseado no talento dos nossos meninos. Foi ruim mas se soubermos dar a volta por cima, se tivermos paciência e dedicação, assim como teve a Alemanha, a gente supera essa crise.


NaTelinha - Durante a cobertura, você e o Milton Neves iniciaram uma parceria que rende até hoje no "Terceiro Tempo", gerando até muitas brincadeiras no ar. O que acha dessa química?

Larissa Erthal -
Foi exatamente isso, uma química muito boa, que não só a eu, ele e o público que vimos como a Band também percebeu logo de cara. Tanto é que antes mesmo de acabar a Copa, informalmente, eu já sabia que essa parceria iria continuar. E o público cobrou isso da emissora, foram muitos pedidos pra minha volta à rede. Só tenho a agradecer e a ganhar com isso. Nunca tive um tutor, um mestre... Minha carreira foi meio autodidata, baseada na observação. Agora tenho uma pessoa generosa e que está disposta a me ensinar e ajudar.


NaTelinha - Ele também posta muitas fotos suas nas redes sociais em momentos inusitados. Acha essa imprevisibilidade mais constrangedora ou divertida?

Larissa Erthal -
Divertida se estiver dentro do limite. É preciso tomar cuidado porque as vezes uma foto sem maldade nenhuma, apenas uma brincadeira no estúdio, toma proporções que não me agradam... E eu não estou falando dele, mas claro que isso tem que passar por uma conscientização do Milton também, ou amadurecimento meu, talvez. Determinados comentários nas redes sociais ainda me deixam bem chateada, é um público masculino, jovem... E a internet é sem lei, permissiva demais.

NaTelinha - E nas suas próprias redes, como é o contato com o público? Os comentários aumentaram muito desde a Copa?

Larissa Erthal -
Nas minhas redes sociais é um público mais carinhoso comigo (risos). Ainda não estou na fase dos "haters", todo mundo por lá, tanto no Instagram Larissa_Erthal quanto na fanpage Larissa Erthal do Facebook, gosta de mim... Tenho até fã-clube agora. Aliás um super beijo pra Clara e Maria Luzia, que criaram o Team_Erthal e são do Rio Grande do Norte; e também pro Marlon e Rafael do Larissa_Erthal_FC. E Não foram nem só os comentários que aumentaram, o número de seguidores em si explodiu de uma forma assustadora. Comecei a Copa do Mundo com menos de 3 mil seguidores e terminei com 20 mil, um aumento de quase 700% em 42 dias.


NaTelinha - Agora você faz a ponte aérea na maioria dos finais de semana. Dá para sentir alguma diferença entre como paulistas e cariocas lidam com o futebol?

Larissa Erthal -
Pois é, faço Rio-SP toda semana e já sinto diferença sim. Acho o torcedor Carioca mais leve, gosta de zoar o outro e aceita ser zoado. Já os paulistas me parecem levar mais a sério, não vejo muita brincadeira... Talvez seja um reflexo da própria diferença de comportamento num âmbito geral, e não estou mais falando de futebol. Mas claro que estou aqui generalizando.


NaTelinha - E daqui a pouco mais de um ano vem a cobertura da Olimpíada no Rio de Janeiro. Quais os seus maiores planos para os Jogos?

Larissa Erthal -
Poder participar dos Jogos Olímpicos 2016 através da Band, assim como foi na Copa do Mundo. Muita gente já me pergunta sobre um possível programa nos mesmos moldes do "Band na Copa", seria um "Band nas Olimpíadas". Não sabemos ainda se existirá e nem quais os planos da emissora pra mim... Se for ficarei muito feliz, porque é um programa sem folga, de segunda a segunda, debatendo o que aconteceu ao longo do dia. Ou seja, participação melhor, naquela que provavelmente será a Olimpíada da minha vida, por ser na minha cidade maravilhosa, não tem.


NaTelinha - Você já apresentou o "Jogo Aberto" até como Mamãe Noel. Sente que o jornalismo esportivo permite esse lado com um pé no entretenimento?

Larissa Erthal - Nem todo jornalismo esportivo, o "Jogo Aberto" sim. No "Jogo Aberto" que eu apresento sim mais ainda. É um programa diário, de 2 horas, numa TV aberta e na hora do almoço. Temos um público não só de amantes de futebol como também o senhorzinho aposentado, a dona de casa preparando o almoço, a criança se arrumando pro colégio, o adolescente chegando da faculdade... Se a gente falar de esporte de um jeito muito aprofundado e sem entretenimento junto, essas pessoas mudam de canal. O principal objetivo é fazer um programa informativo porém democrático. E também, se não tivesse brincadeira, vamos combinar que não seria a minha cara!


NaTelinha - E alimenta alguma vontade em tentar outras áreas, como ser atriz ou modelo, ou está realizada no papel de informar e debater?

Larissa Erthal -
No momento estou satisfeita onde estou, alias só satisfeita não, estou muito feliz. Mas nada é definitivo nessa vida. Estou apresentadora, mas já estive atriz e uma coisa não invalida a outra. Ainda bem que o nosso português nos permite separar os verbos ser e estar. Ser eu só sou Larissa Erthal, o resto todo, estou.


NaTelinha - Aliás, como o próprio Milton ressalta, você não somente lê TP, mas dá pitacos sobre as partidas. Sente superado o preconceito que existia contra as mulheres no jornalismo esportivo ou ainda há resquícios?

Larissa Erthal -
Realmente são só pitacos, porque eu sou abusada (risos). Mas, na verdade, eu sou apresentadora e não comentarista e minha função é trazer a notícia, informar. Mas eu não me aguento... Às vezes erro, às vezes acerto, não me importo. O que vale é me divertir, entreter o público e talvez gerar um debate. Preconceito superado? Não, de maneira nenhuma. Como eu fico com o tablet na mão durante o "Terceiro Tempo", ao longo do programa vejo de perto a reação do público e muitas vezes a minha opinião é a mesma de algum comentarista, mas só eu sou xingada. Ainda assim não é mais maioria, e prefiro valorizar isso!

NaTelinha - Falando nas discussões futebolísticas, dois temas preenchem os maiores debates da atualidade. Gostaria de saber a sua opinião sobre eles: afinal, quem é melhor jogador, Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo?

Larissa Erthal -
Eu brinco muito de "criticar" o CR7, mas é sempre em relação ao super ego dele. Do futebol não temos o que falar, né? O cara é gênio, extremamente focado e que se supera a cada jogo. Mas o mesmo também podemos falar do Messi e é muito difícil dizer quem é o melhor, seria melhor se ele não fossem contemporâneos um ao outro. Aí os dois seriam melhores do mundo. Mas ao mesmo tempo, talvez, essa competitividade seja combustível pra superação entre eles.... Ah, não sei, pergunta difícil. Passo (risos).


NaTelinha - E qual é o formato mais apropriado para o Campeonato Brasileiro? Pontos corridos ou mata-mata?

Larissa Erthal -
Pontos corridos, assim temos pra todos os gostos! Copa do Brasil com mata-mata, bom pra times fortes; e Campeonato Brasileiro, de pontos corridos, onde quem leva a vantagem são os elencos reforçados. É utópico ser tudo mata-mata, os times considerados pequenos não conseguiriam se sustentar.


NaTelinha - Claro, para finalizar, fica o espaço para avisar o que os telespectadores podem aguardar do "Jogo Aberto" ao longo de 2015. Agora mais maduro, o programa terá novidades?

Larissa Erthal -
Sim, teremos. Alguns quadros exclusivos do nosso "Jogo Aberto". Um meu, provavelmente sobre a Olimpíada Rio 2016 mas sempre com um olhar carioca. E outros dois, um do Pedrinho e outro do Djalminha, ambos de entrevista, mas de uma maneira diferente, bem com a cara deles. Tudo isso ainda esta sendo pensado e assim que estiver pronto colocaremos em prática. Estamos ansiosos para essas pequenas mudanças, tenho certeza que vocês vão adorar!



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