Globo mais do que dobra lucro em 2024: "Ano extraordinário"
Executivo vê 2025 como desafiador, mas adianta que o grupo está preparado

Publicado em 02/04/2025 às 12:11
A Globo fechou o ano de 2024 com crescimento financeiro. O lucro líquido registrou alta de 138% em relação ao ano anterior, fechando em R$ 1,99 bilhão. "Foi um ano extraordinário", garantiu Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da emissora ao Valor Econômico.
Maior empresa de mídia do país, a Globo atingiu receitas de vendas de R$ 16,4 bilhões, um volume 8% maior em comparação com 2023. Já o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda, ficou com R$ 1,55 bilhão, um crescimento de 26%.
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O conglomerado teve um bom lucro em função de uma combinação de fatores, como forte desempenho operacional. Também contribuíram duas aquisições no fim de 2024, o Telecine e Eletromídia, que passaram a constar no balancete em novembro. Com isso, um acréscimo de R$ 70 milhões do Ebitda aconteceu.
Globo amplia presença na Eletromídia e compra Telecine
Anteriormente, a Globo detinha 27% da Eletromídia. Agora, esse número é de 75%. A operação totaliza investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão.
O Telecine, adquiriu a fatia da Amazon, Paramount e NBC Universal a valor simbólico. Atualmente, o Grupo Globo controla 100% do negócio. "Temos o Telecine como uma oferta complementar a todo o portfólio de conteúdo linear [TV aberta e canais pagos] e VOD [vídeo sob demanda] dentro do ecossistema Globo", frisa Belmar.
Para o executivo, é importante todo esse ecossistema de canais, plataformas e modelo de distribuição de conteúdo. "O mais importante é que todos esses componentes, quando somados, indiquem evolução e crescimento e mostrem que estamos avançando na transição entre modelos de distribuição."
A receita da Globo
No pay-per-view, a Globo mantém o Premiere, que pode ser adquirido sem a necessidade de ter televisão por assinatura. A alta foi de 41%, enquanto do Globoplay a base de assinantes teve um acréscimo de 42%.
O executivo enfatizou o caixa da Globo como indicativo de solidez. Fechou 2024 com R$ 13,6 bilhões em caixa, 4% abaixo de 2023. "Achamos que era oportunidade de alocar caixa e pré-pagamos dívida", explicou.
A dívida cresceu 30%, mas teve um forte motivo: a valorização do dólar frente ao real. E revela que o grupo está protegido por meio de swaps, contratos de proteção na moeda norte-americana que cobrem 100% da dívida.
A Globo financeiramente em 2025
Para este ano, Belmar vê o cenário desafiador. "A combinação da questão fiscal com mais inflação, que eleva os juros, vai cobrar um preço na atividade econômica. Mas nos preparamos com taxas de crescimento mais conservadoras e olhamos para o cenário dia após dia tentando achar caminhos alternativos para propor soluções aos clientes que possam mitigar os efeitos da desaceleração econômica."
De toda a receita da Globo no ano passado, 66% são oriundos da publicidade e 34% do conteúdo. Historicamente, relembra que essa relação era de 60%-40%.
No que tange a custos, a Globo gastou 7% a mais. Esse foi o resultado por pagar um volume de dinheiro maior à Olimpíada de Paris, por exemplo.