Séries da Quarentena

Por que Skins deveria voltar ao radar do público brasileiro

Série de 2007 é pioneira num estilo que voltou a ganhar espaço

Por que Skins deveria voltar ao radar do público brasileiro
Skins foi um marco para o telespectador fã de produtos teen - Foto: Divulgação

Publicado em 07/06/2020 às 07:14:25

Por: Daniel César

O advento de séries teen atualmente, como Euphoria (HBO), Sex Education (Netflix), Elite (Netflix) e a ainda não lançada As Five (Globoplay) mostra um movimento de um tipo de público que perdeu espaço na TV aberta: adolescentes e jovens. Justamente por isso, é hora dos fãs dessas produções darem uma olhada para o que foi chamada de “mãe” da ousadia nas séries voltadas para o público mais jovem: Skins.

A produção britânica, que foi ao ar originalmente entre 2007 e 2013, chocou boa parte do mundo por seu tom libertário, hiperbólico e, em muitos momentos constrangedor por conta de inúmeras sequências de drogas, violência urbana e sexo entre todos os gêneros.

Com um modelo bastante diferente do que se vê no universo das séries e que se aproxima de Malhação, Skins apresentava gerações para o telespectador. Cada geração contava com um elenco diferente e duas temporadas para o público acompanhar as histórias, cada temporada girava em torno de oito a dez episódios.

A série é ainda hoje cultuada por fãs e críticas e foi uma das primeiras produções para o público teen e garantir prêmios importantes e uma indicação ao BAFTA, o Emmy da TV britânica. O sucesso das três gerações foi tanto que em 2013 a série retornou com uma espécie de Revival mostrando como estava a vida de alguns dos personagens das duas primeiras turmas.

Tudo o que se vê de chocante nas plataformas atualmente, Skins já fez. Seja a discussão sobre gêneros e sexualidade, como Sex Education promove, seja as drogas e a irresponsabilidade, como Euphorya, seja nas cenas chocantes como Elite ou mesmo na força das amizades como As Five. Tudo isso Skins fez primeiro.

E o toque de humor típico de produtos adolescentes/jovens também esteve lá antes. Num estilo dramédia que lembra séries como Gilmore Girls ou Desperate Housewives, a trama acompanhava os dramas reais dos protagonistas sob um ponto de vista caricata e muito bem humorado.

Para o público brasileiro ainda há um adendo especial. A protagonista mais marcante de Skins, a única que aparece em 5 das sete temporadas, Effy, é interpretada por uma espécie de brasileira. Espécie porque ela não nasceu no Brasil, mas tem sangue tupiniquim correndo em suas veias. Kaya Scodelaro ganhou o coração dos fãs da série e adora o Brasil, já que sua mãe nasceu por aqui. Em entrevista ao The Noite, em 2014, ela conversou em português fluente e disse adorar o país e novelas. Inclusive afirmou que tem vontade de fazer o formato.

Se o público gosta do estilo e procura uma série de qualidade, Skins é ótima pedida para o período de quarentena. A série tem todas as sete temporadas disponíveis na Netflix com episódios na casa dos 45 minutos. Fácil de maratonar e viciante.


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