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Tradutor da GloboNews revela artimanhas de Trump e Biden nos debates

Jornalista é responsável por traduzir simultaneamente debates na GloboNews

Tradutor da GloboNews revela artimanhas de Trump e Biden nos debates
Marcelo Lins tem experiência internacional desde os anos 90 - Divulgação

Thiago Forato

Publicado em 15/10/2020 às 04:01:00

Ano de corrida à Casa Branca nos Estados Unidos, Joe Biden e Donald Trump disputam a presidência do país e vêm protagonizando uma série de debates, transmitidos no Brasil com tradução simultânea. Na GloboNews, um dos responsáveis por esse trabalho de traduzir ao vivo é do jornalista Marcelo Lins, que atua na cobertura de jornalismo internacional desde o início dos anos 90 e realiza uma preparação especial para participar.

"Ouvir bastante quem você vai traduzir. Para entender o ritmo, as pausas, eventuais vícios de linguagem e vocabulário recorrente. Esse é um dos fatores mais importante na hora de realizar esse trabalho. Além disso, pedir ajuda a especialistas em voz e linguagem e a um fonoaudiólogos, para exercícios para articulação e respiração", conta em entrevista ao NaTelinha.

Segundo Lins, que está há 23 anos na GloboNews, as maiores dificuldades são siglas, sotaques muito carregados e a velocidade da fala. "Eventuais problemas de articulação e clareza em discursos podem dificultar bastante o trabalho de tradução simultânea", aponta.

Vícios de linguagens dos presidenciáveis

O profissional revela alguns vícios de linguagens de Trump e Biden: "O presidente Donald Trump gosta muito de superlativos, frases de efeito e adjetivos. Ele tem como costume usar palavras como 'fantástico', 'lindo', 'terrível'. Ao mesmo tempo, tem um vocabulário do qual foge pouco. E, como já vimos em outras oportunidades, Trump gosta de interromper quem quer que seja em um debate. Biden tem um vocabulário mais elaborado, mas não rebuscado. Preocupa-se em ser direto, objetivo. Adora começar uma frase com 'é o seguinte...'".

Lins relembra ainda sua experiência mais inusitada com esse universo: "Aconteceu depois de um atentado terrorista em Barcelona. Fui chamado para traduzir um pronunciamento da polícia. Quando abriu o sinal, notei que o oficial falava em catalão. Falo espanhol, italiano, inglês e francês, mas não catalão fluente. Mas tinha acabado de ver uma série de TV em catalão, e aproveitei para estudar um pouco a língua, que tem várias semelhanças com as outras que domino. E fiz. Traduzi uns 80% e o mais relevante em termos de informação".


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