Racismo

Repórter negro da CNN é confundido pela polícia: "Apontaram fuzil na minha cara"

Jairo Nascimento desabafou sobre dois casos de preconceito que sofreu no mesmo dia

Repórter negro da CNN é confundido pela polícia:
O repórter Jairo Nascimento, da CNN Brasil - Foto: Reprodução/CNN Brasil

Paulo Pacheco

Publicado em 14/10/2020 às 20:00:01 ,
atualizado em 14/10/2020 às 20:20:42

O repórter Jairo Nascimento, da CNN Brasil, relatou dois casos de racismo que sofreu na última segunda-feira (12), no Rio de Janeiro. Em uma das situações, foi parado em uma abordagem policial e chegou a ter um fuzil apontado para o seu rosto.

"Estávamos saindo com a equipe cedinho para trabalhar. O carro andou mais ou menos uns 30 metros. Logo veio uma viatura, mandou que a gente parasse, com a sirene ligada e tudo mais. Quando descemos do carro, os policiais nos apontavam um fuzil, inclusive bem na minha cara. A abordagem só parou porque o cinegrafista desceu com a câmera e eu desci com o microfone. Naquele momento, o policial viu e mandou que encerrasse aquela situação", falou o jornalista em sua rede social.

Nascimento, que tem passagens por afiliadas da GloboRecord e do SBT no Paraná, refletiu sobre o que está por trás da abordagem da polícia e promoveu para seus amigos na internet sobre racismo estrutural, que acontece, por exemplo, quando se confunde um homem negro com um bandido.

"Será que naquele momento houve alguma informação de roubo de carro do mesmo modelo, com a mesma cor e mesma placa? O carro estava em baixa velocidade, os vidros estavam abertos. Será que houve algum outro tipo de atitude suspeita a não ser a cor das três pessoas que estavam dentro do carro?", indagou.

Repórter da CNN Brasil foi confundido com manobrista

O repórter contou outra situação discriminatória no mesmo dia de trabalho: 'Estava aguardando a equipe chegar, de terno e gravata, do jeito que a gente se apresenta na televisão, e uma pessoa pergunta para mim se eu estava fazendo serviço de manobra dos veículos".

Na opinião de Nascimento, a pergunta só existiu porque, para aquela pessoa, é mais comum ver um negro como manobrista do que como jornalista, outra consequência do racismo estrutural.

"O problema é ser manobrista? Obviamente que não, é um trabalho honesto, mas será que as pessoas negras só podem fazer esse tipo de trabalho? Será que elas não podem estar em outra situação, um dia ter cargo de chefia, de análise, qualquer outra situação, ou apenas devem ser prestadores de serviço em todos os ambientes?", questionou.

O jornalista encerrou o desabafo com um recado direto aos racistas: "Se você não conhecia, passe a conhecer. Vale a pena estudar, entender, conhecer e deixar de praticar o que é racismo estrutural. Nós, negros, não devemos e não vamos mais aceitar esse tipo de situação. Fica o recado para você que às vezes faz isso sem pensar, sem perceber ou para você que é racista. E todo racista merece cadeia".


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