Em agência da Caixa

Repórter de afiliada da Band é agredida ao vivo e protesta: "Isso tem que parar"

Funcionário de banco estatal tentou impedir trabalho da jornalista Simone Santos, da TV Tribuna

Repórter de afiliada da Band é agredida ao vivo e protesta:
A repórter Simone Santos discute com funcionário da Caixa - Foto: Reprodução/TV Tribuna

Publicado em 30/09/2020 às 17:20:00 ,
atualizado em 30/09/2020 às 17:25:07

Por: Paulo Pacheco

A repórter Simone Santos, da TV Tribuna, afiliada da Band em Pernambuco, foi agredida ao vivo (veja vídeo abaixo) por um funcionário da Caixa Econômica Federal enquanto denunciava a desorganização no atendimento em uma agência no bairro Casa Amarela, no Recife, na última terça-feira (29).

Durante o programa Ronda Geral, a jornalista entrevistava beneficiários do auxílio emergencial que formaram fila em frente à unidade da Caixa. Ela atravessou o portão externo com uma cliente, mas permaneceu do lado de fora da agência. Um funcionário apareceu de repente e avisou que a repórter não podia estar ali.

"Eu estou em uma área externa, estou em um banco estatal, então eu posso fazer a reportagem aqui", rebateu Simone Santos ao ser abordada pelo homem responsável pela agência.

A jornalista continuou a transmissão, quando o funcionário ficou na frente da câmera e empurrou a profissional da TV Tribuna, que tentou afastá-lo da imagem.

"Isso é agressão", acusou o funcionário. "Agressão foi você que me empurrou pelas costas!", retrucou Simone, sendo ovacionada por quem estava na fila.

O homem insistiu para que a repórter se retirasse, porém ela não se intimidou e foi novamente aplaudida pela multidão: "Eu estou em uma agência da Caixa, é um banco estatal, eu não estou dentro da agência. E eu, como jornalista, se eu quisesse, como cidadã, eu poderia entrar no banco!".

"Isso tem que parar", protestou jornalista da Band

Horas depois, em sua rede social, Simone Santos se manifestou a respeito do incidente na agência da Caixa e desabafou sobre a violência sofrida pelos profissionais de comunicação. Ela ainda criticou o presidente Jair Bolsonaro, que para ela estimula a agressão verbal e física contra jornalistas.

"Eu pensei em ficar quieta, não postar nada. Mas se eu fizesse isso, de alguma maneira, estaria me calando para a onda de violência que nós jornalistas temos sofrido nós últimos tempos. Quem trabalha na rua tem sentido mais. Um 'cidadão' já me disse que só não descia da moto para me bater porque eu não era de tal emissora. Verbalmente perdi as contas do que escutei... que iria apanhar, que jornalista deveria apanhar mesmo. A maneira como a maior autoridade do país se porta em referência a nós, jornalistas, só piorou absurdamente isso", escreveu no Facebook.

"Em local 'de rico' ou 'de pobre' somos agredidos. Isso tem que parar. As pessoas têm que nos respeitar. A nossa categoria também tem que se unir, e deixar de baixar a cabeça para essas tentativas de intimidação. É um assunto polêmico, delicado, mas a essência do bom jornalismo não vai ser extinta. Obrigada a todos e a todas que lá no Instagram, ou pelo WhatsApp, externaram solidariedade. A gente fica triste, mas segue! Hoje lembrei que Graça Araújo [jornalista morta em 2018] uma vez me disse, lá na rádio, acho: 'Dar voz a quem não tem voz é mais do que nosso dever, é nossa obrigação como jornalistas'. É isso que me esforço pra fazer todos os dias apesar dos obstáculos e dificuldades. E seguirei!", completou.

O Sinjope (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) repudiaram a agressão contra Simone Santos.

"A repórter Simone Santos foi impedida de exercer sua função mesmo estando do lado de fora da agência durante o programa Ronda Geral. Ela mostrava ao vivo o sofrimento de dezenas de trabalhadoras e trabalhadores que tentam sacar o auxílio emergencial quando foi visivelmente constrangida por uma pessoa que seria funcionário do banco", afirmaram as duas entidades, em nota conjunta.

"O Sinjope e a FENAJ acreditam sempre no bom jornalismo, aquele que exerce sua função social de ajudar as pessoas e não aceitará de maneira alguma que um profissional seja impedido de realizar o seu trabalho da forma como aconteceu na agência aqui no Recife. O sindicato vai solicitar esclarecimentos à Superintendência da Caixa Econômica Federal sobre o ocorrido", concluíram.

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