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Insatisfação, pressão e arrependimento marcam os bastidores da CNN Brasil

Projeto do canal enfrenta problemas com três meses no ar

Insatisfação, pressão e arrependimento marcam os bastidores da CNN Brasil
Divulgação

Publicado em 08/06/2020 às 10:45:19 ,
atualizado em 08/06/2020 às 19:25:29

Por: Gabriel Vaquer

Com praticamente três meses no ar, os bastidores da CNN Brasil explicam bem as mudanças anunciadas na última quinta-feira (4) e que começam nesta segunda (6), com troca de apresentadores e horários. Existe uma pressão muito grande por resultados imediatos e metas de audiência, porém, esta situação vem ocasionando uma crescente insatisfação entre profissionais. Alguns jornalistas contratados já conversam com suas antigas emissoras sinalizando a vontade de retorno, e neste cenário, Reinaldo Gottino foi o primeiro que abandonou o projeto.

Durante toda a última semana, o NaTelinha apurou que profissionais estavam ficando desgastados com a pressão para cumprirem metas de audiência e que estavam achando exageradas algumas cobranças, principalmente porque a CNN Brasil tem apenas três meses no ar e atingir certos patamares de audiência leva tempo.

Um exemplo usado e ouvido pela reportagem foi uma cobrança por falta de agilidade no dia 22 de maio, com a liberação do polêmico vídeo da reunião ministerial onde o presidente Jair Bolsonaro teria revelado obstrução na Polícia Federal, segundo o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. A GloboNews conseguiu colocar a reunião no ar antes da CNN e disparou na audiência.

De fato, isso aconteceu. Às 17h, o canal de notícias da Globo já tinha imagens da reunião ministerial, que só foi parar na tela da CNN Brasil cerca de 10 minutos depois. A audiência percebeu a diferença. Dados obtidos pelo NaTelinha mostram que naquele dia, às 17h05, com o vídeo no ar, a GloboNews marcava 2,5 pontos de Ibope na Grande São Paulo, ante a 0,9 da concorrente.

A insatisfação pela pressão por audiência fez pelo menos três profissionais que trabalham na produção do canal de notícias e vieram da Band, sondarem um possível retorno para o Grupo Bandeirantes. Para a tristeza deles, todos disseram que não era possível neste momento. Outros contratados da GloboNews já sinalizaram para seus antigos chefes o desejo de retornar ao canal de notícias do Grupo Globo.

Essa frustração pelo projeto da CNN Brasil pode se exemplificada com o fato de Reinaldo Gottino deixar a emissora e retornar ao comando do Balanço Geral SP na Record após sete meses. Foi o apresentador que fez chegar à diretoria da antiga emissora, através de emissários, que estaria disposto a retornar.

Decepção com o Jornal CNN de William Waack

Jornal que mais sofreu mudanças na dança das cadeiras da CNN Brasil divulgada na última quinta, o Visão CNN é considerado o ponto de desequilíbrio na disputa entre GloboNews e CNN Brasil. Na visão de executivos, o programa deveria subir os números e alavancar toda a programação, o que não acontecia - o CNN 360 conseguia crescer, mas a interpretação é que o alcance poderia ser muito maior.  

A troca de Cassius Zeilmann por Evandro Sini não foi à toa. O ex-SBT estava considerado muito verde ainda na apresentação, enquanto Sini se destacou rapidamente como um grande interino. Segundo fontes ouvidas pelo NaTelinha, acreditam que ele pode sair muito melhor na condução junto com Luciana Barreto, que tem sido elogiada.

De todos os programas a partir do meio-dia, o Visão CNN é o único que marca menos de 0,8 ponto em São Paulo. A GloboNews, que no mesmo horário exibe o Estúdio i com Maria Beltrão, geralmente atinge pouco mais que o dobro, chegando a liderança geral da TV paga com índices de 1,6 ponto. O CNN 360 tem alcançado com frequência picos de 2 pontos, o que já transforma o programa de Daniela Lima e - agora - Rafael Colombo, num queridinho interno.

Por outro lado, fontes ouvidas pela reportagem relataram que numa avaliação interna sobre os primeiros três meses da operação da CNN Brasil, existe uma decepção quanto ao produto que deveria ser o carro-chefe da programação: o Jornal CNN com William Waack. O jornalístico foi considerado pouco ágil e sem repercussão.

Procurada, a CNN Brasil não se pronunciou sobre as informações.

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