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Memórias da Telinha

Há 20 anos, CNT desfazia parceria com a TV Gazeta e sucateava programação

CNT e TV Gazeta tiveram parceria de sucesso nos anos 90

 Há 20 anos, CNT desfazia parceria com a TV Gazeta e sucateava programação
Clodovil, Luciano Huck e Ratinho passaram pela CNT - Reprodução/YouTube

Thiago Forato

Publicado em 30/05/2020 às 08:59:10

Atualmente jogada às traças e toda arrendada para a programação religiosa, a CNT (Central Nacional de Televisão) já teve seus dias de glória na segunda metade da década de 1990, graças a uma parceria com a TV Gazeta.

Tendo revelado nomes importantes e no ar até hoje como Luciano Huck e Ratinho, a CNT foi inaugurada em 1993, sucedendo a Rede OM, criada nos anos 80 pelo empresário e político José Carlos Martinez no estado do Paraná. A mudança no nome (de Rede OM para CNT) se deu pela ideia de transformar a emissora paranaense numa potência nacional.

Para começar a colocar esse plano em prática, a CNT se associou à TV Gazeta e levou sua programação à principal praça do país, São Paulo.

Clodovil liderou mudança

Em maio de 1993, estreava o programa Clodovil em Noite de Gala, transmitido diretamente do Teatro Opera de Arame, em Curitiba. "Queremos mudar a imagem da emissora", disse o superintendente de operações da CNT na época, Eduardo Lafond, ao jornal O Globo. Lafond, aliás, posteriormente teve passagens importantes por Record e SBT.

De acordo com José Carlos Martinez, o magnata do canal, os investimentos feitos na CNT eram estimados em cerca de US$ 3 milhões, com 10 anos para pagar.

"Pretendemos fazer uma televisão mais amiga, companheira, familiar e alegre. Todas as nossas novelas, que por enquanto são importadas, não tem sexo. Pelo menos explícito", disse ao jornal do Brasil em maio de 93, reiterando que a busca da CNT era brigar pelo terceiro lugar com a Record, Band e a extinta TV Manchete.

Anos de ouro da CNT

Além de Clodovil, a CNT contava com outros nomes como Ratinho e Luciano Huck. A emissora ainda lançou nos anos 90 o Programa João Kléber nas madrugadas, além de dedicar sua programação ao esporte, jornalismo, filmes, séries e até mesmo desenho. A variedade era lema no canal que se deteriorou a partir de 2000.

No ano de 1996, a CNT também investiu em dramaturgia com o seriado Pista Dupla, além das minisséries Irmã Catarina, Ele Vive e Antônio dos Milagres. O investimento vinha ao passo que Ratinho explodia nacionalmente, o que o credenciou a ser contratado pela Record pouco tempo depois.

A CNT ainda buscou uma parceria com a Televisa, que lhe permitiu exibia histórias como Coração Selvagem, Prisioneira do Amor, Império de Cristal, Simplesmente Maria e Alcançar uma Estrela, além de esquetes do Chespirito.

O final dos anos 90 e a derrocada da CNT

Já no final da década, nomes como Ronnie Von e Sergio Mallandro abrilhantaram o canal. O primeiro para mesclar um pouco de audiência qualitativa, enquanto o segundo para fazer um pouco mais de barulho.

O Festa do Mallandro, nas noites de sábado, chegou a bater a Globo no Ibope e Sergio Mallandro promoveu um alvoroço ao vivo, quebrando o cenário. Sua atração era feita em um estúdio pequeno, onde apresentava pegadinhas que ele mesmo interpretava caracterizado. A atração abusava dos "closes ginecológicos" em suas malandrinhas e das apelações gratuitas para tentar uma audiência tão grande quanto pudesse.

No final de maio do ano 2000, CNT e TV Gazeta anunciaram o fim da parceria de sucesso. O canal paranaense que queria o terceiro lugar nacional, então, recorreu a tapa-buracos e tentou transformar programas locais em nacionais, como o Programa da Lili e Programa VIP.

A dança das cadeiras entre TV Gazeta e CNT foi ferrenha. A separação ficou longe de ser amigável. Enquanto a estação paulista se manteve com certa relevância, a CNT buscou uma nova frequência UHF em São Paulo, mas nunca mais obteve o mesmo sucesso. De lá para cá, a CNT teve alguns respiros e chegou a ter nomes de respeito no casting, como Boris Casoy e Ney Gonçalves Dias, além de exibir novelas mexicanas como Marimar e A Outra.

Sem condições financeiras para se manter, acabou tendo que arrendar quase toda sua grade de programação para igrejas e abriu mão de ser uma televisão comercial.

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