Polêmica

Cacau Protásio lamenta racismo e conta: "Eu tinha vontade de ser bombeira"

Atriz foi entrevistada pelo Fantástico no último domingo (1°) e desabafou sobre polêmica

Cacau Protásio lamenta racismo e conta:
Cacau Protásio no Fantástico - Foto: Reprodução/Globo

Publicado em 02/12/2019 às 10:59:00

Por: Redação NT

Cacau Protásio desabafou sobre os ataques que recebeu após gravar cenas do filme Juntos e Enrolados em um quartel do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Em conversa com Fantástico no último domingo (1°), ela contou que ficou chateada e machucada com os áudios racistas.

“Eu não mereço ser xingada, não mereço ser insultada, eu mereço respeito. Não só eu, como qualquer ser humano”, relatou. “Eu cheguei lá e fui super bem recebida pelos bombeiros”, acrescentou, relembrando que publicou uma foto ao lado da corporação agradecendo o carinho que recebeu.

“Foi por um grupo de WhatsApp dos Bombeiros [que iniciou a polêmica] e aí eles receberam e foram passando. Começaram a xingar, começaram a insultar e é muito doloroso ouvir. Essa gente coloca a gente num lugar que eu pensei ‘eu não tinha que ta aqui, eu não tinha que ta trabalhando, eu não devia ta fazendo filme’, a gente pensa no pior”, comentou emocionada.

O filme conta a história de um bombeiro que se apaixona por uma mulher. Na cena, Cacau dança linda e sensual em um sonho do profissional. Os trabalhos duraram das seis da manhã até 17h e a equipe do filme confirmou ao Fantástico que o momento não será cortado da história.

Protásio registrou um boletim de ocorrência por injúria, mas um caso inusitado aconteceu quando ela chegou na delegacia. “Fiquei presa no elevador. O policial falou assim: ‘Olha, você vai ter que aguardar porque vou chamar o bombeiro pra te salvar’. Me deu uma angústia e um medo muito grande”, desabafou.

“Quando eu era criança eu tinha muita vontade de ser bombeira”, confessou. “É uma farda que acho linda, continuo respeitando o bombeiro”, finalizou.

Cacau Protásio e o racismo

No dia 27 de novembro, Cacau Protásio usou as redes sociais para responder os atos de racismo e gordofobia que sofreu em mensagens de áudios gravadas por bombeiros do Rio de Janeiro.

Ela não deixou barato ao saber que bombeiros estavam praticando atos racistas e gordofóbicos contra ela, divulgando trecho da gravação do filme Juntos e Enrolados em grupos do WhatsApp com zombarias.

"Sou negra, sou gorda, sou brasileira, sou atriz. Eu conto história, conto ficção e eu não mereço ser agredida assim", cravou Cacau Protásio em vídeo publicado no Instagram.

A atriz se emocionou ao dizer o quanto é difícil sofrer com atos racistas e gordofóbicos e que nem sempre é fácil resistir. "Eu sei que sou uma pessoa forte, mas ouvir tudo isso de um ser humano é horrível, muito triste. Como uma pessoa que veste uma farda tão linda tem esta postura?", finalizou.

Os áudios

Nos áudios que percorreram a internet na manhã do dia 26 de novembro, membros da corporação zombam da situação enquanto exibiam trechos das gravações.  'Vergonhoso. Mete aquela gorda, preta, numa farda de bombeiro, uma bucha de canhão daquela, com um monte de bailarino viado, quebrando até o chão. Vão achar que é o quê? Bombeiro? Aquilo é tudo viado. Lamentável", diz um dos áudios.

Em outro momento, os bombeiros demonstram revolta pela autorização ao elenco utilizar farda. "Olha a vergonha no pátio do quartel central. Essa mulher do Vai que Cola, aquela gorda, colocou a farda e botou os dançarinos viados com roupa de bombeiro. Isso é um esculacho, rapaz. Qual é a desse comandante? Vai deixar uma p***** dessas no pátio do quartel?".

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro soltou nota lamentando o episódio. Confira:

"O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) informa que não compactua com qualquer ato discriminatório. A corporação se solidariza com a atriz Cacau Protásio e já abriu procedimento interno para identificar o(s) militar(es) e apurar a conduta.

O CBMERJ reforça o seu compromisso com a população de Vida Alheia e Riquezas Salvar independente de cor, gênero, raça ou qualquer outra distinção. Os atos divulgados não representam a corporação centenária que, por anos seguidos, é considerada a instituição mais confiável do Brasil".



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