Nostalgia

Por que a Globo vem apostando em tramas repetidas como Verdades Secretas e Éramos Seis?

A emissora tem apostado em tramas já conhecidas do grande público

Por que a Globo vem apostando em tramas repetidas como Verdades Secretas e Éramos Seis?
Verdades Secretas e Éramos Seis são exemplos do momento da Globo. Foto: Montagem

Publicado em 10/10/2019 às 04:45:37 ,
atualizado em 10/10/2019 às 08:54:33

Por: Daniel César

A Globo confirmou nessa quarta-feira (09) a segunda temporada de Verdades Secretas. A novela de Walcyr Carrasco que foi um fenômeno em 2015 deve entrar no ar em 2021 e será mais uma trama consolidada a ganhar sobrevida na tela da emissora, assim como é o caso de Éramos Seis, atual trama das 18h. Mas por que, no auge da produção de dramaturgia, a Globo vem apostando em produções já feitas para voltarem em voga?

A decisão tem a ver com a memória afetiva do público e o momento atual da sociedade brasileira. Pelo menos é o que acredita Felisberto Sabino, doutor em dramaturgia pela USP (Universidade de São Paulo).

“O Brasil vive um momento de transformação e que não existe uma única vertente que é um retrato do brasileiro no momento atual. Se não é possível fazer um retrato do nosso povo, a dramaturgia corre o risco de ser rejeitada por parcela significativa da população, daí a aposta no que já deu certo”, explicou ele em entrevista exclusiva ao NaTelinha.

Para Sabino, o momento é muito diferente de 2012, quando a Globo pôde apostar em tramas muito mais ousadas justamente porque era fácil achar um paralelo com a população. “Novelas como Cheias de Charme e Avenida Brasil retratavam a ascensão da Classe C, praticamente todos os brasileiros que consomem telenovelas se viam representados ali”, lembrou.


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O atual momento da sociedade, no entanto, é diferente. O doutor explicou que o Brasil vive um momento de polarização. “Hoje, ver uma classe representada na TV pode significar que me sinto desvalorizado e aí organizo um boicote e vira um tsunami”, comentou ele traçando um paralelo da TV com o momento político brasileiro.

“Em momentos assim, a dramaturgia precisa apostar no que é certo porque ela é um produto comercial e não pode ficar só no fracasso e rejeição do público. O público é o combustível da dramaturgia. Se não dá para alcançar todo mundo porque as pessoas estão em guerra, o jeito é apostar no que um dia uniu a todos em prol de uma novela”, cravou.

Pensando assim, Éramos Seis já está em sua quinta edição na TV brasileira. A obra baseada no livro homônimo de Maria José Dupré conta em 2019 com sua terceira versão como novela diária, as outras duas foram sucesso de público e crítica.

O mesmo caso é para Verdades Secretas. A novela de Walcyr Carrasco bateu recordes de audiência e repercussão em 2015, além de ser a última novela brasileira a vencer um Emmy Internacional, fato que continuará já que em 2019 a Globo ficou de fora da lista.

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O NaTelinha questionou o especialista se ainda existe história para contar em novelas encerradas. Sabino afirmou que tramas assim, quando retornam, historicamente se escoram muito mais na memória afetiva do público.

“Qualquer coisa que for ao ar, se mantiver o universo e o tom que fez o público se apaixonar, vai dar certo. Quando as pessoas gostam de uma novela, elas querem rever aquilo, do jeitinho de antes. Se for assim, não precisa ter uma história muito coerente”, cravou.


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