Arrependido

Após levar "Sérgio Moro" para série, José Padilha critica ministro e repercute na web

Diretor de "O Mecanismo" escreveu texto contra pacote anticrime

Após levar
José Padilha critica Sérgio Moro - Foto: Montagem

Naian Lucas
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Naian Lucas

Naian Lucas escreve há 10 anos e já fez de tudo um pouco nas redações. Apaixonado por televisão, é roteirista e trabalha na área desde 2014. Atualmente, é repórter do NaTelinha e aficcionado por tudo que envolve dramaturgia. Siga-me no Twitter: @naiaan

Publicado em 16/04/2019 às 10:10:18 Atualizado em 16/04/2019 às 10:13:48

José Padilha, diretor do filme “Tropa de Elite” e da série “O Mecanismo”, escreveu um artigo para Folha de S.Paulo criticando Sérgio Moro, Ministro da Justiça escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro. O cineasta tem convicção que o pacote anticrime vai estimular o crescimento das milícias.

Padilha inicia seu texto enumerando o funcionamento da milícia e afirma que Moro acredita que os milicianos têm o mesmo peso que os criminosos de facções em presídios. “Milicianos e políticos ligados a milicianos foram eleitos no Brasil para cargos legislativos e executivos em níveis municipal, estadual e federal”, explicou o diretor.

 

“Mesmo sabendo de tudo isso, o ministro Sergio Moro declarou que as milícias representam a mesma coisa que as facções criminosas dentro das prisões, sugerindo que esses grupos operam como o varejo do tráfico de drogas”, continuou.

José declarou que foi um defensor da Operação Lava Jato e considerou Sérgio Moro o “samurai ronin”, contudo, arrependeu-se de tal apelido e acredita que se equivocou. “Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de 'samurai ronin', numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi”, escreveu.

O diretor não é favorável ao pacote anticrime, porque, na sua visão, vai favorecer o crescimento de poder da milícia. "Sergio Moro finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro não foi o senador mais votado em 74 das 76 seções eleitorais de Rio das Pedras por acaso...", declara.

Padilha acredita que a ação visa dificultar a corrupção política, mas facilitará a violência policial, chamando o projeto de “pacote pró-milícia”. Para defender sua tese, o diretor informou aos leitores que, apenas no Rio de Janeiro, a cada seis horas, uma pessoa é morta por policiais em serviços. Apenas 2% é denunciado à Justiça e raramente ocorre julgamento.

“O pacote prevê que, para justificar legitima defesa, bastará que o policial diga que estava sob “medo, surpresa ou violenta emoção” — ou, ainda, que realizava “ação para prevenir injusta e iminente agressão”, declarou.

O diretor finalizou o texto dizendo que o pacote anticorrupção é também pró-máfia, permitindo o crescimento das milícias nas favelas e na vida pública. “Sergio Moro foi de “samurai ronin” a ‘antiFalcone’, concluiu.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais e se tornou o assunto mais comentado nas redes sociais na manhã desta terça-feira (16). A série “O Mecanismo”, da Netflix, também entrou no Trending Topics do Twitter.

Confira alguns comentários abaixo:


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