Polêmica

Que importância tem Chico Mendes? Figura histórica já foi inspiração de Glória Perez

"Que diferença quem é o Chico Mendes nesse momento?", disse o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

O Ministro Ricardo Salles no Roda Viva
O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deu declaração polêmica nesta semana - Reprodução/TV Cultura

Publicado em 15/02/2019 às 19:39:35

Por: Naian Lucas

Na última segunda-feira (11) o “Roda Viva”, programa da TV Cultura, entrevistou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e sua fala em relação a Chico Mendes causou polêmica, repercutindo até na mídia internacional.

“Que diferença faz quem é o Chico Mendes nesse momento?”, disse Ricardo. Marina Silva (Rede), Hamilton Mourão (PRTB) e o jornal inglês The Guardian, ao tomarem conhecimento do pronunciamento do ministro, posicionaram-se contra a declaração do membro do governo.

Mesmo reconhecendo que é ignorante em relação à vida do ativista assassinado há trinta anos no Acre, é impossível deixar passar batido que a figura histórica do país foi inspiração para Glória Perez.

Em 2007, a autora escreveu a minissérie “Amazônia, de Galvez a Chico Mendes”, contando a história em três tempos distintos. A primeira fase do enredo conta a vida do espanhol Luiz Galvez Rodrigues de Arias, líder da resistência dos acrianos contra a ocupação boliviana.

As duas primeiras fases contam a situação conflituosa do estado do Norte do país, local que nasceu e viveu Glória Perez durante sua adolescência. Na terceira fase, nasce a história de Chico Mendes. A roteirista fez questão de deixar claro que misturou fatos históricos com ficção para poder criar os personagens.

Na minissérie, Chico lidera os seringueiros, chamando atenção do Brasil e de todo o mundo. Seu objetivo era proteger a floresta que vinha sendo destruída desde a década de 1970, porque seringais passaram a transformar os espaços do local em gado.

Mendes passa a lutar contra o desmatamento, entretanto, sempre deixando claro para que isso ocorra de forma pacífica, sem o uso de armas. Índios e seringueiros se uniram e criaram o grupo “Povos da Floresta” para evitar que a Amazônia fosse completamente destroçada.



A fala do ativista ganha repercussão e ele é entrevistado pelo jornal The New York Times. Os políticos se assustam com a força de Mendes e os fazendeiros do Acre acabam parando de receber financiamento, gerando revolta entre o grupo. É neste momento que algumas pessoas poderosas do estado acriano decidem matar Chico.

Reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), Mendes foi assassinado aos 44 anos com tiros de escopeta na varanda de casa, mesmo sendo protegido por dois policiais. Darly Alves, fazendeiro mandante do crime, e seu filho, Darcy Alves Ferreira, autor dos disparos, receberam condenação de 19 anos de prisão.

Mesmo morto, luta de Chico Mendes continuou inspirando outras pessoas e o ativista se tornou importante figura histórica do Brasil. Não foi por acaso que Glória Perez resolveu envolver este líder na dramaturgia do país.

 


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