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Malhação - Viva a Diferença: Protagonistas comemoram reprise e falam de spin-off: "Ousado"

Atrizes relembram seus papéis, falam da boa repercussão e da série As Five prestes a estrear

Malhação - Viva a Diferença: Protagonistas comemoram reprise e falam de spin-off:
Protagonistas de Malhação - Viva a Diferença reunidas - Raphael Dias/TV Globo

Publicado em 19/05/2020 às 06:59:00 ,
atualizado em 19/05/2020 às 11:14:04

Por: Taty Bruzzi

A pandemia do coronavírus obrigou a Globo a adiar lançamentos e interromper produções, colocando reprises no ar a fim de respeitar o período de quarentena, preservando, assim, a saúde dos seus funcionários. Para ocupar o horário deixado por Malhação - Toda Forma de Amar, a direção do canal escolheu a temporada de 2017, Viva a Diferença. O NaTelinha reuniu as cinco protagonistas para uma conversa exclusiva e ambas foram enfáticas ao afirmar que a escolha da reprise da produção às pegaram de surpresa, mas não podia ter vindo em hora mais propícia.

Escrita por Cao Hamburger e com direção artística de Paulo Silvestrini, a novelinha tem repetido o sucesso de quando foi exibida pela primeira vez, garantindo bons índices de audiência. A trama foca em cinco personagens distintas, as adolescentes Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Tina (Ana Hikari), Benê (Daphne Bozaski) e Keyla (Gabriela Medvedovski). 

O quinteto se conhece durante uma viagem de metrô na qual ficam presas em um mesmo vagão. Grávida, Keyla entra em trabalho de parto e conta com a ajuda das até então desconhecidas que se tornam amigas inseparáveis.

"Fiquei muito feliz com a noticia! Pensei, vai ser uma oportunidade de rever essa historia incrível e de refletir novamente sobre os assuntos que a novela aborda, que são temas atemporais", afirma Manoela Aliperti.

"A boa recepção do público na época e também agora só mostra a urgência que o Brasil tem em discutir com verdade esses temas. Precisamos de posicionamentos coerentes e sensatos como a nossa Malhação expõe para combater a lógica opressiva, de desigualdade e violenta que tem ganhado força nos últimos anos", sinaliza Ana Hikari.

"No meio de tantas noticias ruins que estavam vindo, essa foi uma que conseguiu nos alegrar e ver um lado bom e positivo nisso tudo", Gabriela Medvedovski

Seguindo os moldes de cada temporada, a de 2017 não fugiu à regra e trouxe temas polêmicos como preconceito racial e de classes, sexo casual e gravidez na adolescência, homossexualidade e autismo, entre outros. Questionadas se a novelinha pudesse sofrer algum tipo de rejeição hoje, as atrizes disseram não. Para elas o retrocesso existe há muito tempo, a diferença é que agora está mais exposto.

"Vivemos em retrocesso desde quando seres humanos foram escravizados, desapropriados da sua cultura/direitos e após a 'abolição' não foi feito um trabalho de inclusão ou tentativa de reparo", dispara Heslaine Vieira. "O que estamos vivendo agora é a declaração mais aberta de um ódio já existente. Nosso país machista,  misógino e racista não consegue reconhecer a beleza da nossa diversidade e cultura", complementa a interpreta de Ellen na trama.

Já sobre o segredo para o sucesso, as cinco creditam muito ao bom texto do Cao Hamburger. "Por ter tantos temas abordados de maneira inteligente, sensível e que dialoga diretamente com o público jovem, sem pudor ou hipocrisia. A novela convida o telespectador a refletir junto, não impõe nada", ressalta Ana.

"O texto era muito inteligente porque era questionador e trazia reflexões com as quais o publico se identificava, embarcava nos questionamentos e, consequentemente, na história", opina Gabriela.

"O texto do Cao me ajudou muito no processo de construção", Daphne Bozaski

Malhação - Viva a Diferença não foi a estreia das meninas na carreira, mas na televisão aberta e em uma novela. Estando há tanto tempo no ar e lançando nomes, todas concordam que a produção é uma escola. Sobre seus papéis, Ana relembra que seu maior desafio ao dar vida à Tina foi se aprofundar na cultura japonesa, mesmo ela também sendo sansei. "Talvez por eu ser uma mistura de família japonesa e negra", avalia.

"Para falar com propriedade das questões da Tina eu precisei estudar muito sobre uma cultura que não fazia parte da minha realidade. Além disso, foi muito importante e delicado falar sobre questões raciais, porque é um assunto que me toca muito", desabafa a atriz.

Já Heslaine teve dificuldades para deixar Ellen o mais humana possível. "Cada personagem traz à tona o que pulsa de mais forte em sua vida. Em relação a Ellen, temos grandes pontos de convergência. Eu, ela e mais da metade da população", observa a jovem.

O trabalho em Malhação deixou Gabriela ainda mais apaixonada pelo audiovisual e lhe deu a clareza de que profissionalmente ela está no caminho certo. Falando sobre a Keyla, a atriz também chama a atenção para o texto do autor.

"Sempre tentávamos fugir dos esteriótipos e entender que cada uma tinha suas características boas e ruins. O texto do Cao é genial!", vibra. "Ele construiu personagens profundas, com camadas e que fugiam de maniqueísmos. O desafio era conseguir entender tudo isso e ler nas entrelinhas desse texto genial", pontua.

Spin-off, projetos futuros e para quando a quarentena acabar

A parceria entre o autor e o diretor deu tão certo que a temporada exibida em 2017 foi a mais vista dos últimos 10 anos da novelinha e o resultado rendeu muitos prêmios, o maior deles foi o Emmy Internacional no ano passado.

A notícia deixou as meninas radiantes de felicidade pelo reconhecimento do trabalho de uma equipe bem afinada. "Ficamos extremamente felizes em receber esse prêmio", relata Daphne.

"Senti muito orgulho, porque é um recado também para o Brasil sobre como os temas que abordamos são relevantes não só no país, mas no cenário mundial", chama a atenção Ana.

"O que ficou claro para mim é que a nossa mensagem estava chegando nas pessoas. Foi a confirmação de que os assuntos, as tramas, faziam sentido e que o trabalho estava sendo reconhecido por isso", reflete Gabriela.

"O reconhecimento de nosso trabalho, esforço e carinho que tivemos para apresentar a história dessas mulheres tão diferentes entre si. A gente tem muito orgulho disso e de toda equipe que conquistou esse prêmio", Ana Hikari

Malhação - Viva a Diferença deu tão certo que antes mesmo de finalizar a temporada, Cao Hamburger começou a escrever um spin-off reunindo as cinco personagens novamente. Com previsão de estreia ainda este ano no Globoplay, plataforma de streaming da Globo, As Five vai mostrar como Lica, Ellen, Tina, Benê e Keyla estão nos dias de hoje. A primeira temporada está gravada, só aguardando a hora de sair do forno.

"Logo que o coronavírus chegou forte em São Paulo, eu pensei: 'Se pararem as gravações, bem que poderiam reprisar Malhação - Viva a Diferença como gancho para a série As Five'", previu Daphne.

"O público pode esperar algo bem diferente da novela, porque as protagonistas estão em outro lugar, um lugar mais adulto, mais ousado", adianta Ana. "Eu espero que o público se surpreenda, tanto quanto a gente, com o rumo que cada uma das cinco tomou", torce Gabriela.

"A história agora se passa em outro tempo, as meninas são mulheres que estão entrando na fase adulta. Dentro desse contexto vamos falar das questões que envolvem esse momento, conflitos que cercam essa fase", completa Manoela.

"A expectativa está alta! Já tenho muita vontade de assistir como telespectadora", Heslaine Vieira

Profissionalmente, a novelinha mudou a vida dessas jovens atrizes positivamente e para sempre. "A Malhação me ajudou muito por conta da projeção que a novela teve", comemora Manoela.

"Malhação tem em média um ano de duração. Então, por um ano fazer a mesma personagem, com grande volume de diárias e textos, foi um aprendizado sem igual. Sem falar na possibilidade de mostrar seu trabalho para milhares de pessoas, devido ao grande alcance que tem a TV aberta", reflete Daphne.

Ao lado de Gabriela e Heslaine, a intérprete de Beneê está no elenco de Nos Tempos do Imperador, a próxima novela das seis e que teve seu lançamento adiado por conta da pandemia.

"Estou aproveitando o momento para silenciar", Manoela Aliperti

Falando em isolamento social, Ana se diz surpresa com a facilidade com a qual tem levado o período de quarentena. "Tenho feito bastante atividade física dentro de casa, cozinhando coisas gostosas, lido, vendo muitas séries e conversado com meus amigos. Eu, Gabi, Giovanna Grigio e Marcos Oli até fizemos yoga juntos por vídeo-chamada", lista.

Com filho pequeno, Daphne diz que a rotina em casa tem sido intensa. A atriz dedica-se parte do seu tempo para acompanhar o processo de crescimento da criança. "Acho que importante é não parar de planejar coisas para o futuro, mesmo num cenário tão triste e desesperançoso que estamos enfrentando", filosofa.

Já Heslaine vem se dedicando mais à culinária, ao estudo de novos idiomas e à reflexão. "Sempre paro para pensar na situação do nosso país. É muito triste tudo que estamos vivendo e ainda sem a devida atenção dos nossos governantes", critica.

Assim como todo o planeta, as atrizes também torcem para que essa fase passe logo e todas possam matar as saudades da família e dos amigos, voltar ao trabalho e agradecer. Daphne quer estar com a mãe e rever o mar, assim como Gabriela.

"Hoje eu estou em Porto Alegre. Então, quando acabar aqui a primeira coisa que eu quero é ver minhas amigas", diz a intérprete de Keyla. "E quando eu voltar para o Rio de Janeiro, a primeira coisa, com certeza, vai ser entrar no mar", completa a atriz.

"Respirar um pouco de natureza. Sentar na areia da praia, respirar e agradecer por essa nova oportunidade de vida. Quero muito também rever meus amigos e minha família", torce Heslaine.

Filha de profissional da saúde pública, Ana não vê a hora de reencontrar sua mãe que tem trabalhado no combate ao coronavírus. "Eu quero muito abraçar minha mãe, meu pai e minha irmã, porque estamos isolados em casas separadas", conclui.

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