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Massacre de Suzano fez Record repensar reprise de "Vitória" e escalar "Os Mutantes"

Cena de Vitória
Reprise cancelada, "Vitória" aborda um grupo de neonazistas

Publicado em 15/03/2019 às 10:54:57 ,
atualizado em 15/03/2019 às 11:00:44

Por: Gabriel Vaquer

Ocorrido na última quarta-feira (13) na cidade de Suzano (SP), o massacre dentro da Escola Estadual Professor Raul Brasil fez a Record repensar, e posteriormente cancelar, a reprise da novela "Vitória".

Segundo relatos ouvidos pelo NaTelinha com pelo menos quatro fontes diferentes ligadas a programação da emissora em São Paulo e em filiais pelo Brasil, a emissora quis evitar começar uma reprise de uma trama com temática neonazista tão próxima do que aconteceu.

Em seu núcleo que mais chamou a atenção na época da exibição original, em 2014, "Vitória" contou a vida de Priscila, interpretada por Juliana Silveira. Ela é líder de um núcleo nazista que assassina negros, gays e homossexuais, além de armar atentados terroristas apenas por ódio.

Os personagens Paulão (Marcos Pitombo) e Enzo (Raphael Montagner) também cometem esses atos, a mando de Priscila. O núcleo também tem Bárbara (Liége Muller), uma policial infiltrada no grupo, que tenta evitar ao máximo as barbaridades cometidas pelos seus três colegas.

Já no capítulo 3 e 4, ou seja, na primeira semana, eles executam um homem negro chamado Sorriso (Izak Dadora) com requintes de crueldade. Paulão, por exemplo, finaliza Sorriso com um golpe idêntico ao que os assassinos de Suzano fizeram após atirarem nas vítimas.

A arma no caso da novela foi um porrete, diferentemente do machado usado pelos criminosos. Em outros capítulos da novela, Enzo mata mendigos de forma covarde, usando armas e socos ingleses, que também foram utilizados pelos assassinos de Suzano em seu ato.

Já na última quarta, no calor dos acontecimentos, a Record teve uma reunião e pensou que não seria um timing bom para estrear uma novela com temática forte próximo de um massacre que teve motivação no ódio praticado por neonazistas, segundo investigações feitas pela polícia no momento.

O fato foi alertado pelo departamento de dramaturgia e também pela programação da casa, sendo acatado pela alta direção. A decisão também foi rápida: o canal decidiu colocar "Caminhos do Coração", a primeira temporada da trilogia dos "Mutantes", que já seria umas das próximas reprises do Record à tarde, que acabou sendo adiantada.

Isso explica a mudança faltando três dias para o início de "Vitória". Chamadas rodaram a programação até a quarta pela manhã, anunciando o retorno. A mudança foi tão de repente, que até esta sexta (15), o site comercial da Record ainda anuncia a reexibição da história de Cristianne Fridman.

Contudo, o cancelamento da reprise não significa que ela não possa voltar em um momento mais propício para sua exibição, diferentemente de agora. A novela continua na lista para voltar num futuro não muito distante, no mesmo horário: a faixa da tarde.

Em sua exibição original, "Vitória" teve uma audiência baixa, na casa dos 6 pontos na Grande São Paulo. Foi a última novela contemporânea produzida pelo canal, que só voltará a fazê-las neste ano, com a estreia de "Topíssima" - da mesma autora, diga-se.

Procurada ainda nesta quinta (14) para comentar sobre o assunto, a Record negou que a troca tenha sido pelo massacre, alegando que tal mudança ocorreu por questões de "estratégia de programação".


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