Troia

Após adiar novela das 21h, Silvio de Abreu é alvo de críticas na Globo

"Troia" terá autoria de Manuela Dias

Silvio de Abreu é diretor de teledramaturgia da Globo
Silvio de Abreu é diretor de teledramaturgia da Globo

Publicado em 21/09/2018 às 06:30:53

Por: Sandro Nascimento

Inicialmente prevista para estrear em maio de 2019, a novela "Troia", escrita por Manuela Dias para a faixa das 21h, foi adiada pela Globo e trouxe a discussão entre alguns roteiristas da emissora sobre os critérios de aprovação nas sinopses para a horário nobre.

"Troia" teve sua história aprovada em julho de 2017 e a escalação do seu elenco começou em abril deste ano. A trama é a primeira escrita por Dias para o horário. A autora recebeu essa missão após o sucesso de audiência e crítica da sua supersérie, "Justiça", indicada ao Emmy como melhor série dramática de 2016.

Após o anúncio na mudança da data de exibição, prevista agora para ir ao ar entre final de 2019 e início de 2020, alguns atores escalados estão reclamando do fato de terem deixado de aceitar convites para projetos no cinema e teatro no ano que vem, com o intuito de reservar suas agendas apenas para "Troia".

Dentro da Globo, de forma velada, seu atual diretor de teledramaturgia, Silvio de Abreu, vem recebendo críticas de alguns roteiristas quanto a sua maneira de gerenciar o setor, em destaque, quanto aos critérios utilizados para as aprovações das sinopses das novelas. Eles citam como exemplo "Homem Errado", folhetim de Thelma Guedes e Duca Rachid que fora prometida para o horário das 21h e cancelada, misteriosamente, em 2016.

As escritoras tiveram sua sinopse aprovada, o elenco estava em escalação, tinha previsão de substituir "A Força do Querer" e chegaram a entregar 12 capítulos. Na época, oficialmente, a Globo não deu detalhes sobre engavetar a trama, apenas informou que não iria produzi-la.

Os contratados da Globo usam também como justificativa para as críticas a nova história de Walcyr Carrasco, que foi aprovada para o horário nobre a partir de uma pequena ideia apresentada, sem ter a sinopse final.

Troia

A decisão de deslocar "Troia" na ordem de produções do horário nobre teria ocorrido após a reprovação dos primeiros blocos de capítulos entregue à alta cúpula do canal. De acordo uma fonte do NaTelinha na Globo, o setor de dramaturgia avaliou que a linguagem de Manuela Dias seria muito culta para a faixa que o produto seria exibido.

Para ir ao ar, a trama precisaria sofrer ajustes em seu desenvolvimento, como ter personagens mais populares, incluir alguns clichês e um texto mais coloquial. Diante destas observações, foi solicitado que a autora reescrevesse os primeiros capítulos de "Troia", que estava confirmada para substituir "O Sétimo Guardião", de Aguinaldo Silva, no primeiro semestre do ano que vem.

Com a necessidade destes ajustes, a emissora avaliou que seria mais prudente conceder mais tempo para Manuela Dias. Como Walcyr Carrasco apresentou uma sinopse resumida de um novo folhetim que já tinha sido aprovada, o setor de teledramaturgia da Globo, liderado por Silvio de Abreu, decidiu antecipar seu retorno a fila do horário nobre das novelas no lugar da autora de "Justiça".

Um profissional que está na produção de "Troia" contou à reportagem que a decisão de adiar a novela pegou parte da equipe de surpresa e que teria deixado Manuela frustrada. Além disso, relatou que caso as mudanças impostas pela diretoria não forem desenvolvidas da forma como foi pedida, a emissora estaria cogitando exibi-la na faixa das 23h, no formato de supersérie, preservando suas características originais.

Consultada pelo NaTelinha, a Globo nega. Diz que "a obra da Manuela é sim novela das nove e irá ao ar após a novela do Walcyr".

Oficialmente, "Troia" foi adiada para dar descanso às atrizes Taís Araujo e Adriana Esteves, que são as protagonistas da novela. Segundo a Globo, elas estariam emendando produções. Porém, de acordo com fontes ouvidas pelo site, essa foi uma justificativa encontrada para não expor publicamente os problemas relacionados a trama de Manuela Dias e reverberar o adiamento de maneira elegante.

A benevolência da Globo quanto ao descanso de suas contratadas não refletiu quando Marina Ruy Barbosa foi escalada para ser protagonista de "O Sétimo Guardião" e precisou emendar "Deus Salve o Rei" e a nova produção de Aguinaldo Silva, que estreia em novembro, num intervalo de 30 dias.

Procurada pela reportagem, Manuela Dias não se manifestou.



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