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Os Jogos Olímpicos do Rio, por Domitila Becker

NaTelinha convida mulheres da TV para escreverem crônicas sobre a Olimpíada


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Divulgação
Por Redação NT

Publicado em 30/08/2016 às 16:41:49

Entre os dias 5 e 21 de agosto, o mundo se voltou ao Brasil, onde aconteceu a Olimpíada do Rio de Janeiro. Esta edição foi das mulheres, já que contou com a maior participação feminina da história, com 45% de todos os atletas.

Elas nos deram alegrias em todas as modalidades, demonstrando muita garra, com cenas emocionantes, históricas e ganhando mais medalhas que os homens no geral. Pensando nisso, nesta fase pós-Olimpíada, o NaTelinha criou "Os Jogos pelas Mulheres", onde destaques femininos das transmissões na TV escrevem textos especiais para o site e contam como o evento passou pelos seus olhos.

Depois de Flavia Delaroli, da ESPN, agora é a vez de Domitila Becker, do SporTV, que durante os Jogos apresentou diariamente o "Bom Dia SporTV", ao lado de Bárbara Coelho - que também falará com o NaTelinha nos próximos dias.

Confira a crônica de Domitila:

Foram muitos meses de preparação. Durante esse tempo, escutei diversas histórias de como a cobertura da Olimpíada é um negócio mágico. Mas nada, absolutamente nada, me preparou para o que viveria nesses 17 dias.

Minha primeira, e única, experiência olímpica tinha sido em 2012. Na época eu trabalhava como correspondente do projeto Passaporte SporTV em Barcelona, uma cidade que não se sentia representada pela bandeira espanhola nos Jogos de Londres. Os catalães saíam às ruas para reivindicar a independência da região, não para torcer. E o espírito olímpico passou beeeem longe do meu trabalho.

Eis que, quatro anos depois, eu me via num dos mais bonitos estúdios panorâmicos já construídos, no meio do Parque Olímpico, no maior evento do planeta, no comando do primeiro jornal do dia, na maior cobertura da história da televisão. Nossa! Até agora me arrepia. Um tanto superlativo para uma novata, né?! O trabalho nem tinha começado para valer e eu já não conseguia dormir. Era um ensaio do que viria pela frente.

Para ter uma hora a mais de sono por dia, coloquei os uniformes numa mala e fui passar o mês no apartamento de uma amiga que é quase vizinha da TV (aproveitando, obrigada pela acolhida, Deia). Era na casa dela que o Hilton me pegava todos os dias à 1h30 da matina. Parece muito, mas às vezes faltava tempo para ler os jornais, rever as principais provas da noite anterior e estudar o perfil dos convidados do dia antes da reunião das 3h da manhã.

A van da Lúcia para o Parque Olímpico saía com a nossa equipe às 4h30 em ponto. Às 6h30, no máximo 6h34, eu e a Barbara Coelho já estávamos na bancada - maquiadas, microfonadas e cafeinadas - para combinar a abertura do "Bom Dia SporTV".

A vantagem é que, antes de poder dizer boa tarde, o trabalho já estava terminado. E a gente liberada para assistir às competições ao vivo. Quando a prova era de noite, a gente dormia a tarde e ia direto para o trabalho depois.

A "boa noite de sono" ficou em 23º lugar no quadro de medalhas, atrás do basquete, do tênis, da ginástica olímpica, do polo aquático, do boxe, do atletismo, do vôlei, do badminton. E tudo regado a muitos e muitos pacotes de biscoitos (integrais, tá?!).

Numa das raras vezes em que sentei num restaurante para apreciar uma refeição descente, chorei. Era sábado. O Flamengo jogava contra o Sport na televisão da direita. Mas os garçons, TODOS eles, olhavam para o judô na TV da esquerda. Aquilo me emocionou de uma tal maneira... O espírito Olímpico tinha superado até o Brasileirão!

Naquela altura eu já estava totalmente entregue. Entregue à garra daqueles rostos suados, àquela alegria desmedida dos voluntários e de seus megafones, ao BRT lotado e poliglota, à equipe do SporTV que se uniu e se doou de peito, àquela gente toda nas arquibancadas gritando com o coração. Chorei muitas outras vezes depois desse sábado. Já tinham me falado que a Olimpíada era um negócio mágico. Mas nada, absolutamente nada, me preparou para o que vivi nesses 17 dias.

Domitila Becker, apresentadora do SporTV