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Daniela Escobar elogia obras fechadas: "ninguém se mete ou opina"

Atriz está de volta à TV na série "A Garota da Moto", no SBT

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Fotos: Divulgação/Mixer
Thiago Forato

Publicado em 15/07/2016 às 07:21:51

A atriz Daniela Escobar está de volta às telinhas depois de três anos. Seu último trabalho no Brasil havia sido na novela "Flor do Caribe", da Globo.

Agora, está em cartaz na série "A Garota da Moto", uma coprodução entre SBT, Fox e Mixer, que estreou na última quarta-feira (13) na TV aberta, na pele de Bernarda, uma vilã sem escrúpulos.

Geralmente, um vilão é sempre um fascínio dos atores, e com Daniela não é diferente. "Fazer uma personagem parecida com você mesmo, além de fácil, é monótono", destaca ela em entrevista exclusiva ao NaTelinha.

A ideia da série ser rodada completamente antes de ir ao ar foi o que seduziu Daniela para integrar o elenco, e ela detona mudanças na história, com os famosos "grupos de discussão" em obras abertas de telenovelas. "Sempre achei medonho. Por isso amo cinema. Ninguém se mete ou opina sobre o roteiro", sintetiza.

Mostrando personalidade, Escobar foi além: "Mudar o rumo no meio do caminho por pesquisas acho meio absurdo. Parece que desvaloriza a criação original do autor".

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Confira a entrevista na íntegra:

NaTelinha - Geralmente, toda atriz sonha em interpretar uma grande vilã, e você parece satisfeita em viver uma. Qual o motivo de tanto desejo pelos atores em ser vilão na ficção?

Daniela Escobar -
Eu acredito que seja pela oportunidade de vivenciar sentimentos e atitudes bem distantes da sua realidade. Se você foi bem educado, tem caráter, respeita as pessoas, é generoso, fazer uma psicopata vai requerer trabalho! Fazer uma personagem parecida com você mesmo, além de fácil, é monótono ao longo de uma carreira como esta.

O desafio está justamente no diferente. E quanto mais diferente, mais novidades experimentamos. E aí é que se torna divertido. Reproduzir a si próprio não tem nada de novo. Nada mais distante da minha realidade do que um psicopata.

NaTelinha - Em "A Garota da Moto", haverá cenas de perseguição e ação. Qual delas você achou mais difícil gravar?

Daniela Escobar -
Nenhuma foi difícil pra mim. Como toda criatura de má índole é covarde, assim é a Bernarda. Uma grande covarde que pagava para fazerem o que ela queria mas não tinha coragem. Ela jamais sujava suas mãozinhas diretamente.

Assim todas as perseguições que a Joana sofre, é fugindo das criaturas que a Bernarda vai colocando na sua cola... Enquanto ela ficava em casa maquinando e usufruindo das mordomias que seu dinheiro e posição garantiam.
 
NaTelinha - Houve alguma cena que você pensou que não conseguiria ser rodada?

Daniela Escobar -
Não, nenhuma. Tudo muito simples pra mim. Não precisei andar de moto, nem lutar, nem pular janela ou sequer apressar o passinho. Cenas de beijo e cama são sempre um pouquinho constrangedoras, mas tive colegas bastante profissionais e tudo saiu bem.

NaTelinha - O que te seduziu tanto para aceitar o convite para "A Garota da Moto”?

Daniela Escobar -
A ideia de que seria toda gravada antes de ir ao ar foi o que mais me seduziu. O que significa que a vontade e a criação do autor não seria submetida a pesquisas públicas ou opiniões de quem não fizesse parte diretamente do projeto, durante o processo todo.

Sempre achei medonho submeter uma criação desse peso à opinião externa no decorrer do trabalho e ver uma história mudar de rumo por conta de pesquisas aleatórias. Por isso amo cinema. Ninguém se mete ou opina sobre o roteiro. Ou você gosta ou não gosta. E tem gosto pra tudo... Saber o início, meio e fim de uma história que você estará contando é fundamental para fazer as escolhas que vai definir o comportamento da personagem. Não saber onde vai dar uma escolha, já basta a vida. ;)
 
NaTelinha - Acredita que pelo fato de séries ou minisséries serem mais curtas, o produto final fica com uma qualidade tão superior aos olhos do telespectador? Qual a comparação que você faz neste aspecto?

Daniela Escobar -
Acredito que boas histórias e bem contadas agradam o espectador. E podem até ser longas. A serie “Scandal", por exemplo, a minha favorita dos últimos anos, já está na quinta temporada, cinco anos no ar e continua eletrizante. Mas não tem público palpitando na vida dos personagens. Ela vai ao ar depois de toda a temporada gravada. Acho isso fascinante.

Mudar o rumo no meio do caminho por pesquisas acho meio absurdo. Porque as pesquisas são todas relativas, como o gosto de cada um. Parece que desvaloriza a criação original do autor.

NaTelinha - Como é trabalhar numa produção que envolve várias mãos, com produtora e duas emissoras - formato que vem crescendo ultimamente?

Daniela Escobar -
Foi um prazer. Eu achei incrível o quanto eles estavam alinhados com o futuro do mercado audiovisual e não perderam uma boa oportunidade quando esta se apresentou a sua frente. Foi uma parceria arrojada, uma aliança corajosa, com uma visão de mercado bastante inteligente.

E pra mim, não ha nada melhor do que trabalhar com gente inteligente.

NaTelinha - Como está a expectativa para "A Garota da Moto"?

Daniela Escobar -
Espero que as pessoas gostem. A história é original, interessante e bastante real. E como tenho certeza que todos deram o melhor que tinham pra dar naquele momento espero que colham bons frutos por isso.

Espero que a audiência seja tão positiva para as duas emissoras que essa parceria se multiplique brindando o espectador com novas e cada vez melhores histórias. ;)

NaTelinha - E sobre novelas, fechou as portas ou há chance de fazer uma novamente?

Daniela Escobar -
Se eu puder gravar aqui, estou totalmente aberta. (Nota da redação: A atriz mora há anos em Los Angeles, nos Estados Unidos).

Mas nove meses direto no Brasil, só se for com o Kevin Costner de par romântico (risos). Do contrário sem chance. Fiz uma escolha de vida bastante consciente quando me mudei pra cá.

Não há dinheiro que pague ou ego que seja maior do que a delícia de viver uma vida sem medo. Sem a necessidade de carro blindado, de trancas nas portas, de incertezas sociais... Com "A Garota da Moto" foi assim.

Ia pra SP, gravava uma semana e voltava pra casa. Dali um mês ia de novo, gravava mais uma ou duas semanas e voltava e assim foi o trabalho todo. Foi conveniente pra todos.
 
Aliás, êta equipe fantástica!! Só elogios para a Mixer.