Para o "BBB18", uma pergunta: quem ainda quer ser um BBB?

Divulgação/TV Globo

Publicado em 03/02/2018 às 09:48:05

Por: Ariane Fabreti

Levando em conta a audiência e a repercussão que o reality mais longevo do Brasil ainda mantém, ao estrear, segunda-feira passada (22), a sua 18ª edição na Globo, a pergunta do título pode parecer até absurda. Um pouco antes de mostrar os participantes entrando na casa, o “BBB18” exibiu lances do processo de seleção para a entrada no programa, com direito a candidatos de variadas idades e rostos esgoelando para as câmeras o seu sonho de serem eleitos para participar da atração (alguns declararam estar na tentativa há anos).

Ao tornar uma ex-miss um dos principais nomes da teledramaturgia da emissora, assim como alçou uma carismática moça do interior à apresentadora (da concorrência), sem falar de um ex-participante engajado que hoje é nome de destaque na política de esquerda, o “BBB” conseguiu captar o espírito da época de seu lançamento de uma maneira que a ficção ainda engatinhava na questão. Se hoje temos “Black Mirror”, série atualmente produzida pela Netflix sobre o lado apocalíptico da tecnologia e da perda da privacidade, ontem tínhamos o “BBB”.

Em suma, o reality é a cara dos anos 2000, quando a revolução tecnológica e a popularização da internet cumpriram a profecia do artista plástico Andy Warhol de que, no futuro, todos teriam 15 minutos de fama. Mais do que isto, qualquer anônimo poderia se tornar o que quisesse, desde que caísse nas graças do diretor e da equipe de edição e, consequentemente, nas do público - mas sem carisma o suficiente, a fama tem fôlego ainda mais curto, como podemos ver pela vencedora do “BBB17”, Emily, e os bem-sucedidos ex-participantes citados anteriormente.

Em 2018, o atual “BBB”, com pouco mais de uma semana de exibição, a despeito do seu elenco eclético (um refugiado da Síria, uma professora pós-doutora, uma autointitulada “bruxa”, uma família inteira, etc.) carrega um ar de “e agora, José?”: a Playboy faliu, o site Ego acabou, o Instagram vingou, mas os aspirantes a famosos têm que concorrer com as fotos de milhares de celebridades nesse aplicativo.

Em quase 20 anos, a própria relação do público com a tecnologia mudou, por meio de imagens, perfis, postagens e opiniões cada vez mais voláteis, que duram bem menos de 15 minutos, mas que, neste intervalo, são problematizados, discutidos, dissecados nas praças públicas virtuais.

Ainda que argumentem estarem atrás do prêmio final de R$ 1 milhão, os participantes do “BBB18” se veem às voltas com a questão do título desta coluna, mesmo que ainda não o saibam.

Em uma época de fama não só instantânea, mas debatida à exaustão (como mostrou o selinho entre pai e filha nesta edição), vale a pena a exposição?

Ariane Fabreti é colunista do NaTelinha. Formada em Publicidade e em Letras, adora TV desde que se conhece por gente. Escreve sobre o assunto há oito anos.



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