Globo adia "O Sétimo Guardião", de Aguinaldo Silva, por medo de ter novela barrada na Justiça

Trama de João Emanuel Carneiro foi antecipada na fila

Reprodução

Publicado em 19/07/2017 às 09:44:57 , atualizado em 19/07/2017 às 14:04:40

Por: Sandro Nascimento com Fabrício Falcheti

A Globo decidiu adiar a novela "O Sétimo Guardião", dois dias depois de reportagem exclusiva do NaTelinha com um ex-aluno insatisfeito de Aguinaldo Silva, onde ele revela que entrará na Justiça para provar sua coautoria na sinopse da trama.

Em seu lugar, a emissora antecipou a história de João Emanuel Carneiro, que agora tem previsão de estreia para maio de 2018, substituindo "O Outro Lado do Paraíso", de Walcyr Carrasco.

Oficialmente, a Globo alega que a direção e equipe técnica de "O Sétimo Guardião" seriam as mesmas da atual "A Força do Querer", que teriam que emendar dois trabalhos. Para dar férias aos profissionais, decidiu-se antecipar a obra de João Emanuel.

Entretanto, segundo fontes ouvidas pelo NaTelinha, o motivo do adiamento é outro. A emissora percebeu que mesmo com todos os termos assinados pelos alunos, onde cediam os direitos da novela para Aguinaldo Silva, existiam diversas brechas jurídicas, caso algum participante decidisse reclamar coautoria na sinopse. Consequentemente, poderia acarretar uma guerra de liminares com a possibilidade de suspender a exibição de "O Sétimo Guardião" já no ar.

Para evitar o risco de ver um capítulo de novela impedida de exibição por uma decisão da Justiça, a Globo deu o veredicto sobre o futuro da produção.

Aguinaldo Silva ficou sabendo da decisão na manhã de ontem, mas pegou de surpresa os atores já escalados para a trama, levando tensão ao elenco. Nos bastidores da emissora, comenta-se que "O Sétimo Guardião" corre o risco de não ser mais produzida. Segundo informações obtidas pela reportagem, a novela de Manuela Dias, que já está na fila para fazer sua estreia no segmento, poderia vir na sequência de João Emanuel Carneiro, deixando Aguinaldo para 2019, com uma nova sinopse.

Na entrevista ao NaTelinha, um ex-aluno da MasterClass promovida pelo autor em 2015, que pediu para não se identificado, declarou que assinou o termo de cessão de direitos autorais sob pressão e definiu o documento como "inconstitucional".

"Toda verdade se tornará pública. Certas coisas se provam judicialmente. Contra provas não há argumentos. Aguinaldo não plagiou, até mesmo porque, ao trabalhar a sinopse criada pelos alunos, ele ajustou algumas situações, criou novos personagens e modificou outros, conforme sua experiência. Com isso, Aguinaldo se torna autor também. O que ocorreu é que ele nega o direito moral dos autores ao apresentar numa emissora a obra como se fosse unicamente dele. A sinopse não é só dele, é de 27 pessoas, ou seja, os 26 alunos e ele", bradou ele, frisando que sua declaração não é em nome dos outros participantes do curso e completa: "Falo apenas por mim. A insatisfação é minha e não concordo com o que foi feito".

A decisão da Globo de adiar ou cancelar "O Sétimo Guardião" é a maior evidência de que os trâmites de cessão de obra é problemática.

O NaTelinha procurou a assessoria de imprensa da emissora, que preferiu não se pronunciar sobre o imbróglio jurídico e repetiu a mesma explicação mencionada no início da matéria. Também contactado, o assessor pessoal de Aguinaldo Silva não retornou.

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