Memória

Só mexia os olhos: astro que brilhou na Globo morria há 9 anos

Ator que brilhou em diversas produções da Globo, como TV Pirata, Meu Bem, Meu Mal, O Clone e América, Guilherme Karam lutou contra doença degerativa que herdou de sua mãe


Guilherme Karam em América
Guilherme Karam em América

Há exatamente nove anos, no dia 7 de julho de 2016, o Brasil perdia o talento de Guilherme Karam. O ator, que se destacou em produções da Globo, como TV Pirata (1988), Meu Bem, Meu Mal (1990) e O Clone (2001) teve um final de vida bastante complicado, lutando contra uma doença degenerativa herdada de sua mãe.

Ele nasceu em 8 de outubro de 1957, no Rio de Janeiro (RJ), filho de Alfredo Karam, que era almirante e foi ministro da Marinha no governo João Figueiredo. O artista estreou na televisão na novela Partido Alto (1984), depois participando de Dona Beija (1986), Tudo ou Nada (1986) e Carmem (1987) antes de brilhar na TV Pirata, que revolucionou o humor na televisão brasileira.

Pedido

Só mexia os olhos: astro que brilhou na Globo morria há 9 anos

Em 1990, Karam pediu um papel em Meu Bem, Meu Mal para Daniel Filho, diretor da Globo, e Cassiano Gabus Mendes, diretor da trama.

Em entrevista ao jornal O Globo de 13 de janeiro de 1991, Karam disse que queria aproveitar a chance de mostrar que não era só comediante. "Quando soube que a novela das oito seria um folhetim, perguntei ao Daniel Filho se não teria um papel para mim, já que era um trabalho diferente ao que o público se acostumou no TV Pirata. Ele disse que ia ver se era possível, por eu ser um comediante", disse.

Já Cassiano gostou da ideia e prometeu uma chance. "Ele disse que adorava o meu trabalho, parou uns 10 segundos e disse que ia pensar num papel para mim", explicou.

Mordomo e secretário pessoal de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte), Porfírio acabou sendo um dos principais personagens da produção, principalmente pelas obscenidades que dizia para sua musa, a "divina" Magda (Vera Zimermann).

Só que Porfírio não era qualquer um. Ele era simplesmente o alter ego de Cassiano Gabus Mendes, que não escondia sua predileção pelo personagem. "Uma colega da novela perguntou ao Cassiano o que ele gostava da novela. Ele falou: “o Porfírio, porque ele sou eu”. O cinismo da novela pode estar no Porfírio", disse o ator à Folha de S.Paulo de 10 de março de 1991.

Anos depois, em 2003, em entrevista ao canal AllTV, da internet, Karam confidenciou mais detalhes. "No último dia de gravação, uma atriz, que eu não posso revelar o nome, se aproximou de mim e disse que todas as declarações que Porfírio havia feito à Divina Magna durante a novela, ela havia ouvido na vida real do Cassiano", contou.

O que aconteceu com Guilherme Karam?

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Depois disso, ele esteve em diversas produções assinadas por Glória Perez, como Explode Coração (1995), Hilda Furacão (1998), Pecado Capital (1998), O Clone (2001) e América (2005), que acabou sendo sua última participação na telinha.

O ator lutou contra a doença degenerativa de Machado-Joseph, que também acometeu a mãe e os três irmãos do astro, dos quais dois já morreram. Em seus últimos meses de vida, ele ficou internado no Hospital Naval Marcílio Dias, na capital fluminense, em situação bastante delicada, sem falar e se comunicando com a família apenas com o movimento dos olhos.

Guilherme Karam morreu em 7 de julho de 2016, aos 58 anos, em decorrência da síndrome. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de São João Batista. Discreto na vida pessoal, o ator foi casado com a bibliotecária Betina Callado, com quem teve Gustavo Callado, seu único filho.

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