Editorial

Perdendo anunciantes, Jovem Pan faz editorial e se coloca contra atos golpistas

Canal de Tutinha afirmou que sempre exercerá o papel de crítico


Jornalista lendo editorial da Jovem Pan News
Jovem Pan publicou longo editorial - Foto: Reprodução/Twitter
Por Redação NT

Publicado em 28/12/2022 às 17:09,
atualizado em 28/12/2022 às 17:18

A Jovem Pan publicou um editorial nesta quarta-feira (28) negando que tenha tido algum tipo de lampejo com teor golpista. "Ainda que visões políticas e ideológicas dissonantes tenham dividido a população em lados opostos, é crucial que todos entendam que essas divergências são pilares fundamentais da democracia", disse logo no início, com voz de Adalberto Piotto. O texto vem a quatro dias da posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e após ser alvo de uma campanha de desmonetização e perder anunciantes.

"É por isso que a Jovem Pan, há décadas, abre espaço para o mais amplo debate em seus jornais e programas. Porque entendemos que as cores que compõem a nossa democracia vão muito além do verde, do amarelo e do vermelho", continuou o porta-voz.

Para a emissora, é necessário "reforçar o óbvio". "A Jovem Pan não faz coro e não endossa qualquer lampejo golpista, ato de violência ou o uso retórico irresponsável de instrumentos constitucionais como o artigo 142 da Constituição", garantiu.

Por fim, ressaltou: "A Jovem Pan nunca vai apoiar qualquer manifestação que caminhe na direção do enfraquecimento ou da destruição de nossas instituições. Somos defensores do direito de discordar e vamos exercer o papel de críticos sempre que necessário".

Confira o editorial na íntegra abaixo em vídeo e também por escrito:

"O próximo dia 1º de janeiro abrirá mais um capítulo na história da nossa República. Um novo governo tomará posse, e, nos termos do artigo 78 da Constituição de 1988, estabelecerá o compromisso de 'manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil'. O juramento que será feito pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva é um compromisso firmado publicamente diante do povo, e o lembrete de que é dever de todos os brasileiros manter, defender e cumprir a Constituição.

Ainda que visões políticas e ideológicas dissonantes tenham dividido a população em lados opostos, é crucial que todos entendam que essas divergências , e principalmente a possibilidade de que elas sejam cultivadas. são pilares fundamentais da democracia. Não podemos nem devemos ignorar o óbvio e imaginar que todos, da noite para o dia, vão convergir, mas é imprescindível que essa divergência seja mantida no campo das ideias e do respeito às instituições e à Constituição.

Não há espaço para ameaças, para violência ou para que se coloque sob suspeita a realização da transição de governo, que seguramente acontecerá no próximo domingo. Se há divergências, que estas sejam discutidas no mais alto nível, de forma propositiva e com argumentos que se sustentem pela clareza e pelo caráter técnico. É por isso que a Jovem Pan, há décadas, abre espaço para o mais amplo debate em seus jornais e programas. Porque entendemos que as cores que compõem a nossa democracia vão muito além do verde, do amarelo e do vermelho. Porque acreditamos que as ideias vão se somar e nos permitir construir, inclusive por meio da divergência, um país melhor e uma democracia ainda mais forte.

É preciso, nestes tempos em que a verdade se decompõe com a truculência de uma publicação falsa em rede social, reforçar o óbvio e dizer que a Jovem Pan não faz coro e não endossa qualquer lampejo golpista, ato de violência ou o uso retórico irresponsável de instrumentos constitucionais como o artigo 142 da Constituição. A Jovem Pan nunca vai apoiar qualquer manifestação que caminhe na direção do enfraquecimento ou da destruição de nossas instituições. Somos defensores do direito de discordar e vamos exercer o papel de críticos sempre que necessário."

Jovem Pan é alvo de campanha de desmonetização

O editorial vem num momento em que o canal é alvo de uma campanha de desmonetização organizada pela Sleeping Giants Brasil, que atua contra o financiamento do discurso de ódio e das fake news.

Segundo o movimento, a JP já perdeu oito anunciantes, que estão deixando de veicular nas empresas do grupo. São eles: Tim, Quinto Andar, Natura, Oi, Burger King, Sandálias Ipanema, IG e Ponto Frio.

As publicações da página Slepping GIants Brasil no Twitter utilizam uma hashtag dizendo “Desmonetiza Jovem Pan”. O objetivo é levar as palavras de ordem até os Trending Topics, assuntos mais comentados da rede social. Entre as postagens, o perfil e seus seguidores elencam as marcas que financiam o canal de notícias e propõe a cobrança de um posicionamento diretamente a essas empresas.

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