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Mauro Beting elogia investimento do SBT no futebol: "A casa que se reinventa"

Jornalista vai comentar a final da Libertadores

Mauro Beting sorrindo
Mauro Beting falou da Libertadores - Foto: Reprodução
Naian Lucas

Publicado em 30/01/2021 às 07:47:00

Mauro Beting nasceu no dia 2 de setembro de 1966 e garante que sua alma veio verde Palmeiras, seu clube do coração. O amor pelo time - finalista da Taça Libertadores da América, que terá exibição exclusiva do SBT na TV aberta -, fez com que se transformasse em jornalista esportivo, só que ele garante que não é pago para ser palmeirense. Seu profissionalismo é elogiado por colegas, tanto que lhe rendeu diversas premiações e o fez trabalhar em várias emissoras de televisão e rádio. Mauro comentará a decisão do torneio continental e confessa sua admiração pela emissora de Silvio Santos.

Convidado para integrar o time da Libertadores, ele explica com orgulho e felicidade o prazer de trabalhar no canal. “Ir para o SBT é como uma convocação para ir para seleção brasileira. O que tiver, estamos juntos. É maravilhoso o que estou fazendo dentro do SBT, porque me sinto absolutamente em casa”, afirma em entrevista exclusiva ao NaTelinha.

Nos últimos anos, a emissora deixou de realizar grandes coberturas esportivas. Mauro discorda que o canal não tenha o DNA do esporte e deixa claro que a cobertura da competição organizada pela Conmebol é a prova disso. O jornalista ainda relembra outros eventos que fizeram sucesso na casa.

“O SBT tem uma estrutura maravilhosa, mas tem essa cultura de ‘ah, não gosto do esporte’. Pode não ter tanto espaço ao esporte, mas quantas vezes não fez coisas fantásticas? Um exemplo é a Copa do Brasil de 1995. Tem a Mercosul de 1998, os jogos da Copa Ouro de 2004, projetos diferentes como o Arena SBT e outros programas de esporte voltados ao entretenimento esportivo. O SBT é a casa que se reinventa a todo momento, uma casa que, no fundo, é super futebol, ela tá sempre buscando emoção, o diferente, o algo novo. Um esporte tão popular como esse e com um timaço que o SBT montou, é claro que é diferente", analisa.

E completa: "Trabalhei em quase todas as emissoras de TV aberta e fechada, as que eu não trabalhei é porque faltou um detalhe aqui, um acerto ali, mas fui chamado por quase todas elas, exceção a Globo. Fico muito feliz por essa experiência no SBT. Não sou o jornalista que mais trabalha, mas é o que mais faz coisas diferentes, como cinema, exposição, palestras, e sou um cara super feliz porque visto a camisa do trabalho mais do que a empresa. Eu visto a ideia da emissora e o SBT nos dá toda a liberdade pra passar essa emoção. Por isso quando o SBT usa o slogan que tem torcida, é verdade. A gente torce em nome do futebol, em nome da mídia, do público. A gente torce para que o SBT faça o que tá fazendo: uma excelente cobertura”.

Com três décadas de carreira, Mauro tem uma memória e conhecimento invejável. Durante a conversa com a reportagem, ele relembra de Doutor Osmar de Oliveira (1943-2014) e como foi seu início na TV. Por coincidência do destino, seu parceiro de comentários de Libertadores presenciou sua primeira aparição em um programa na televisão.

“É muito emocionante trabalhar com o Jorginho, porque o primeiro programa que participei de televisão – que eu tinha quatro meses de jornalista esportivo como colunista do jornal Folha da Tarde, que desde 1999 se chama Agora São Paulo – foi com convite do grande e saudoso Doutor Osmar de Oliveira, que eu comentava na TV Manchete, e o convidado era o Jorginho, que jogava na Europa. Trinta anos depois, que emoção dividir comentário com ele, que eu sempre gostei como jogador desde o América-RJ, antes de vir para o Flamengo em 1983. Sempre tive um respeito e um carinho muito grande por ele, e a recíproca é verdadeira, e aprendo demais com a experiência dele como atleta, como pessoa, como treinador e agora como comentarista. Tenho o privilégio do Jorginho ser o ex-jogador, treinador e árbitro número 55 com quem eu já trabalhei em TV e rádio. Eu sempre defendi a presencia do ex-jogador, do ex-árbitro, do treinador porque sempre acrescenta, ainda mais no futebol. Quanto mais informação, melhor. Ele é muito estudioso, muito sério e, principalmente, tem muita sensibilidade profissional e humana para entender uma partida de futebol e também as pessoas”, elogia.

Nos últimos 10 anos, Mauro passou pela Band e Fox Sports e agora faz parte do TNT Sports – antigo Esporte Interativo – e SBT. Com vasta experiência, ele explica que não subestima a inteligência do seu público. Sua intenção é dialogar com todos da mesma forma, sempre levando informação e conteúdo, tanto que seu tom de voz é um pouco mais sério ao tocar nesse assunto.

“A pretensão que eu tenho nesses 30 anos fazendo jornalismo esportivo, 29 anos fazendo rádio e TV, é sempre falar da mesma maneira. Eu acho que é um absurdo nós subestimarmos a inteligência do nosso público, como ‘Ah, o público da TV fechada é mais intelectualizado que o público da TV aberta’. A gente atende todo mundo, como se estivéssemos falando na orelha dela. Por isso consigo trabalhar tanto tempo em tantos lugares e ser muito versátil, falando com vários públicos, porque eu tento falar de uma mesma maneira com diversas pessoas. Sempre tento ser menos populista e menos popular, porque tento elevar o nível da conversa. Não que eu consiga, mas eu acho que a gente precisa levar mais informação, mais conteúdo e saber, entender e respeitar a inteligência de quem está nos vendo e ouvindo. Lamentavelmente, nas últimas décadas, muitos dos nossos chefes, muitos dos nossos mídias, eles estão mais bola para os números de audiência do que para o conteúdo, quando isso acontece, eles estão dando mais bola para os índices do que para a audiência, daquilo que está sendo passado. Se o cara só fizer uma palhaçada, se o cara fizer só uma polêmica, se o cara só gritar, mesmo com conteúdo, ele vai só ganhar cliques, mas ele dará um clique no cérebro das pessoas? Será que vamos estar buscando o melhor dos fatos? Quase sempre não”, dispara.

Mauro Beting e o coração verde

Mauro Beting elogia investimento do SBT no futebol: \"A casa que se reinventa\"

Joelmir Beting (1936-2012), pai de Mauro, trabalhou como jornalista esportivo durante anos. Na década de 1950, deixou sua paixão ao Palmeiras falar mais alto na transmissão de um jogo contra o Corinthians e quase foi agredido pelos torcedores alvinegros. Isso não manchou sua carreira, muito pelo contrário, o jornalista recebeu todas as homenagens em vida e pós-vida.

Esse sentimento pelo clube alviverde passou de pai para filho. Mauro não esconde que é palmeirense, mas aprendeu desde cedo a não permitir que sua paixão atrapalhasse sua profissão. “Desde o início da minha carreira, todos sabem que eu sou muito palmeirense e só sou jornalista esportivo por ser palmeirense há 54 anos. Mas o meu trabalho há 30 anos na área prova que eu não sou pago para ser palmeirense, eu sou pago para ser jornalista. E eu acho que, como um árbitro, um jogador, um treinador, a gente lá é profissional por mais que a gente sofra. Eu sofri demais com a derrota do Palmeiras contra o River Plate no Allianz Parque, mas não sou pago pra distorcer pelo Palmeiras. Eu tenho direito, como ser humano, de ser palmeirense, mas o dever de jornalista de não distorcer para o Palmeiras”, comenta.

“Explicar a emoção de ser palmeirense a um palmeirense é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense, é simplesmente impossível”, afirmou Joelmir e se eternizou na história da equipe alviverde, tanto que pode ser vista no Allianz Parque.

A maior prova que seu pai tem o respeito de todos os clubes do Brasil, após morrer, o Santos homenageou Joelmir. Mauro ficou com a responsabilidade de receber uma placa no gramado responsável por revelar o maior jogador de todos os tempos, Pelé, em nome do homem que o ensinou a torcer ao Palmeiras.

 “E um Palmeiras e Santos, me sinto muito confortável, porque o time que tenho mais afinidade, sem ser o Palmeiras, que é a minha vida, é justamente o Santos. Quando meu pai morreu, o Santos fez uma placa em homenagem a ele no gramado da Vila Belmiro, dois dias depois da morte. Já o Palmeiras entrou com a faixa em campo com a frase famosa do meu pai, todos os jogadores com a camisa 10 com o nome do meu pai e a frase no peito. E, na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2012, o Palmeiras já rebaixado, eu recebi uma placa em homenagem ao meu pai no centro do campo por parte do Santos pelo presidente Laor, dada pelo Neymar, que eu escreveria a biografia, junto com o Ivan Moré, no ano seguinte. Imagina minha emoção receber essa placa do Neymar no gramado da Vila Belmiro com toda sua mística? E eu tenho livros do Grêmio, Flamengo, tem mais textos meus em livros do Corinthians do que do Palmeiras, apesar de ter escrito nove livros do Palmeiras. Sou muito bem recebido no Allianz, mas nunca tive problema na Neo Química Arena, no Morumbi e outros estádios do país”, completa.

E ele não acredita que isso prejudica sua imagem. Na opinião do jornalista, o público gosta de quem é sincero e não esconde seus sentimentos. “Eu acho que o torcedor se identifica muito com quem assume o time. Respeito quem não assume, mas acho que fica muito difícil entender um cara que inventa um time pra torcer ou deixa de torcer por um time, aí não consigo entender, apesar de respeitar. Mas eu não sou pago pra ser torcedor e acho que o meu trabalho deixa isso muito claro. Tem quem vai me chamar de clubista, o que é uma bobagem. Clubista não é quem assume o time, mas é aquele que distorce os fatos de outro time que ele não gosta ou contra o adversário do seu time de coração. Tem colegas brilhantes que fazem e fazem muito mal”.

De 2015 para cá

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Em 2015, Mauro Beting esteve no Shopping Mooca Plaza e foi questionado por mim sobre qual era o futuro do Palmeiras. Bem humorado, ele acreditava que seria próspero, porque enxergava um bom trabalho feito pelo ex-presidente do clube, Paulo Nobre. Naquele ano, o time alviverde venceu o Santos e se consagrou campeão da Copa do Brasil.

Mais de cinco anos depois, hoje os dois times vivem realidades diferentes. O Palmeiras é o segundo clube mais rico do Brasil e com um elenco recheado de estrelas. O Santos vive uma crise financeira e passou por uma tempestade política ao longo do ano passado.

Contudo, ele não aponta um favorito ao título e elogia o trabalho feito por Cuca, técnico do time da Baixada. “Muita coisa mudou. Naquela final, o Santos estava bem melhor que o Palmeiras, mas o Palmeiras ganhou. Pra essa final, meu palpite é pênaltis. O que esse time do Cuca faz é maravilhoso e admirável. Essa busca pelo tetra é sensacional, poucas vezes na história do futebol eu vi um trabalho tão fantástico, então admirável e tão torcível, como foi o próprio Atlético-MG do Cuca, em 2013, o que prova todas as qualidades do Cuca, que as vezes escuta bobagens, como o Cucabol. Pô, olha o que faz o Cuca, o que fez e o que está refazendo no Santos. Claro que uma camisa tão poderosa e tão gloriosa fica menos difícil, mas olha o potencial deste Santos, o potencial do Cuca e veja o que está extraído de futebol de um time que teve salários cortados, achatados e não pagos, além que não podia contratar jogadores. O Santos está muito além da expectativa. Eu não tenho moral nenhuma pra falar, porque não achava que o Santos chegaria tão longe, nem mesmo o Palmeiras”, analisa.

O jornalista relembra que também não apostava que o Palmeiras fosse tão longe. Hoje, elogia o trabalho feito por Abel Ferreira e tem a sensação que a final no Maracanã será muito bonita. “Mesmo campeão Paulista, eu não via evolução com o Vanderlei Luxemburgo e achava que, mesmo que o melhor treinador da história do Palmeiras e um dos melhores da história do futebol no Brasil tivesse que sair, eu não via como melhorar. Mas o time melhorou com o Andrey Cebola e tá bem demais com o Abel Ferreira, treinador que eu nem cogitaria pra treinar o Palmeiras. Mas parece que ele foi criado no Palestra Itália e vai fazendo com que as crias da base, assim como os Meninos da Vila, façam uma final sensacional e digna do Santos bicampeão do mundo e digna do Palmeiras campeão da Copa Rio de 51”, acrescenta.

Mauro Beting e a informação

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Se você ver um jogo comentado por Mauro Beting, tenha certeza que receberá um grande número de informações. O jornalista diz que é obrigação de um comentarista oferecer conteúdo ao público e explica que, diferente do período em que começou a trabalhar, hoje há vastas opções para buscar detalhes de jogadores, equipes e treinadores.

“Eu sou de uma época pré-internet, então era muito mais difícil você conseguir informações dos clubes e seleções estrangeiras do que hoje. Atualmente, entra qualquer jogador do sub-12, por exemplo, você digita na hora no YouTube o nome do cara e tem vídeo de cinco minutos do rapaz. O cara tem mais imagem antes de estrear no profissional do que o Garrincha na carreira, seria bom se tivesse o contrário. Você tem acesso nos tempos atuais muito grande, qualquer pessoa, não só o jornalismo esportivo, apesar de estar falando do meu caso, tem o dever de estar bem informado, não pode chegar, como aconteceu com colegas brilhantes e mais antigos e até atuais, o narrador e o comentarista falar: ‘Quem é esse cara?’. Você tem que saber, porque é pago pra isso, ainda mais porque temos acesso ao futebol internacional muito grande, ainda mais com os dados estatísticos”, opina.

“Sou o percussor de TV aberta e fechada em usar números, tanto que hoje estou tirando um pouco do campo, porque hoje as pessoas tem acesso ao que eu coletava até os anos de 1990 quando era comentarista do SporTV e depois da Band. Você precisa dar uma informação a mais, porque hoje as pessoas estão bem informadas pela internet e até pelo vídeogame, você tem que dar algo mais. Há dois anos, eu fiz um jogo de Champions e, 90 minutos depois, estava comentando um jogo da Copa do Nordeste de um clube maior e um clube menor. Cara, fiquei 50 minutos escutando música clássica pra tentar limpar a cabeça do jogo espetacular que teve sete gols da Champions pra voltar para uma realidade mais dura que é o futebol brasileiro. Não é fácil. E a gente precisa compreender que as pessoas torcem pro time daqui e pro time lá de fora. E cada vez mais compreender que tem mais pessoas torcendo pro time de fora do que pelos daqui, algo parecido com a NBA”, conclui.

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