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JN cita a Constituição e critica Bolsonaro no dia das 100 mil mortes por Covid-19

Renata Vasconcellos e William Bonner falaram sobre as 100 mil mortes e cobrou presidente

JN cita a Constituição e critica Bolsonaro no dia das 100 mil mortes por Covid-19
Jornal Nacional homenageou todas as vítimas - Foto: Reprodução/Globo

Publicado em 08/08/2020 às 21:20:00

Por: Redação NT

O Jornal Nacional começou neste sábado (8) de forma diferente por causa das 100 mil pessoas que morreram vítimas do novo coronavírus. William Bonner e Renata Vasconcellos leram um artigo da constituição e criticaram as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a pandemia.

“Todo cidadão brasileiro tem o direito a saúde e todos os governantes têm obrigação de proporcionar aos cidadãos esse direito. As ações dos governantes têm como objetivos diminuir os riscos da população ficar doente. Não somos nós que estamos dizendo isso, é a constituição brasileira que diz e todos os governantes juraram respeitar. Esta registrado no artigo 196”, iniciou o âncora do telejornal.

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, acrescentou Bonner.

“São 85 dias desde o primeiro caso. Dois médicos deixaram o cargo [Ministro da Saúde] porque pretendiam seguir as orientações da ciência e o presidente Bolsonaro não concordou com essa postura deles”, explicou Renata.

“Primeiro ele menosprezou o coronavírus e chamou de gripezinha. Depois um repórter pediu que ele falasse do alto de mortes e Bolsonaro disse que não era coveiro. Disse duas vezes: ‘Não sou coveiro’. Quando os óbitos chegaram a cinco mil, a resposta dele foi para um repórter: ‘E daí?’. Agora o presidente repete que a pandemia é uma chuva e todos vão se molhar, que a morte é um destino de todos nós e que temos que enfrentar a doença, como se fosse uma questão de coragem, como se nada pudesse ter sido feito”, continuou William.

“Quando a ciência defendia mundo a fora que o isolamento era a única medida capaz de conter o avanço dessa tragédia, os brasileiros viam o presidente criticar essa iniciativa diariamente, indo na contramão do bom senso daqueles governadores que defendiam. O resultado foi a confusão e a perplexidade de muitos cidadãos que ficaram sem saber em quem acreditar. Além de um isolamento capenga e sem atender o seu objetivo”, completou Renata.

JN teve longo discurso

William Bonner e Renata Vasconcellos ficaram cerca de cinco minutos detalhando como o país chegou ao número de 100 mil mortes, criticando não apenas Bolsonaro, mas também governadores e prefeitos.

“Vocês viram diariamente aqui no JN cidades sem leitos porque não tinham sido comprados a tempo e na quantidade necessária por prefeitos, governadores e pelo presidente. Ou porque o isolamento social deixou de achatar a curva e sobrecarregou o sistema de saúde”, disse Bonner.

Renata voltou a falar da constituição e fez um questionamento se Bolsonaro cumpriu o dever de proteger os cidadãos contra o coronavírus. “Mais cedo ou mais tarde, o Brasil terá que ter as respostas dessas perguntas. É assim nas democracias e nas repúblicas que todos temos direitos e deveres, e que ninguém está acima da lei”, falou.

“Essas respostas vão ter que ser dadas para as famílias dos mais de 100 mil foram vítimas mortos no Brasil, porque eles não podem ser vistos apenas como números. O Jornal Nacional não vai se cansar de repetir. Essas vidas eram de brasileiros como todos nós, não estavam fardadas a morrer por outro motivo. Elas morreram de Covid-19, deixando familiares, amigos, colegas de trabalhos e vizinhos”, concluiu William Bonner.


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