Memórias da Telinha

Há 30 anos, Pantanal assombrava a Globo e liderava no Ibope

Pantanal era pedra no sapato da Globo

Há 30 anos, Pantanal assombrava a Globo e liderava no Ibope
Cristina Oliveira protagonizou Pantanal em 1990 - Divulgação

Publicado em 21/03/2020 às 08:50:50 ,
atualizado em 21/03/2020 às 18:33:03

Por: Thiago Forato

Em 1990, ano em que a extinta TV Manchete investia US$ 50 milhões para tirar o SBT do segundo lugar, a emissora estreava em 27 de março a novela Pantanal, que fez história na TV.

Em meio a novelas urbanas, Pantanal surgia como uma opção para o telespectador. A trama significava naquela época o fim de um monopólio, o que não veio a se concretizar.

Com uma bela abertura e imagens similares aos do canal National Geographic, Pantanal foi escrita por Benedita Ruy Barbosa e dirigida por Jayme Monjardim.

A saga de Pantanal contava a história de José Leôncio (Paulo Gorgulho) e seu pai Joventino (Cláudio Marzo), que chegam ao pantanal para aumentar o rebanho de um tipo de boi selvagem (marruás), quando o fazendeiro desaparece durante uma caçada. Depois, o filho, que já está rico, vai até ao Rio de Janeiro e engravida Madeleine (Ingra Liberato).

A segunda fase ocorre 25 anos depois, quando Jove (Marcos Winter) viaja ao pantanal para conhecer o pai e se relaciona com Juma Marruá (Cristiana Oliveira), que conseguia se transformar em onça pintada, segundo relatos.

A história que começou com 7 pontos rapidamente cresceu e se tornou um fenômeno, superando os 30 pontos de audiência. Ao Jornal do Brasil em abril de 1990, o autor disse que o que estava acontecendo era um sonho. "A Globo rejeitou a sinopse há seis anos [1984] por achar que ia ser difícil gravar no pantanal", recordou.

O sucesso de Pantanal fez com que ele voltasse a dar autógrafos na rua, o que não acontecia desde Os Imigrantes, na Band, em 1981. Barbosa se gabava ainda de ter encontrado a linguagem para as novelas das 18h: "A Globo tinha medo de me colocar às 20h. Há tempos queria fazer novelas fortes".

"Queria ter liberdade de fazer um casal transando em um rio no meio de jacarés. Às seis horas da tarde, é impossível fazer um romance pra valer, isso cerceava minha liberdade", lamentava ele, que estava em alta.

Inovação do diretor

Monjardim, que sempre foi conhecido por explorar belas paisagens, utilizou o formato inédito até então de captação em fitas Betacam. Elas melhoravam a qualidade de imagem. Isso fez com que Pantanal ganhasse ares cinematográficos, com imagens de tirar o fôlego do telespectador.

A mistura de uma boa história aliado a nudez e sexo disparou no Ibope. Até a Globo se viu obrigada a combater a novela com as armas que tinha.

A emissora carioca terminava Rainha da Sucata cada vez mais tarde e chegou até a trocar o humorístico TV Pirata por filmes. Mas não adiantou.

A Manchete recorreu à Pantanal em outras duas oportunidades para tentar alavancar a audiência: 1991 e 1998, às vésperas de fechar as portas.

As fitas foram adquiridas de sua massa falida por Silvio Santos. A novela foi reapresentada em 2008 pelo SBT, chegando a picos de mais de 20 pontos na faixa das 22h, ressuscitando a emissora.




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