Novos tempos

Por que o jornalismo vem ganhando espaço na programação das emissoras

Programas infantis foram deixando a TV aberta e um novo modelo conquistou a TV

Por que o jornalismo vem ganhando espaço na programação das emissoras
Revista eletrônica se tornou a sensação das manhãs na TV brasileira - Foto: Montagem

Naian Lucas
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Naian Lucas

Naian Lucas escreve há 10 anos e já fez de tudo um pouco nas redações. Apaixonado por televisão, é roteirista e trabalha na área desde 2014. Atualmente, é repórter do NaTelinha e aficcionado por tudo que envolve dramaturgia. Siga-me no Twitter: @naiaan

Publicado em 09/06/2019 às 08:00:00 Atualizado em 09/06/2019 às 14:36:46

Nas três décadas passadas, muitos ligavam a televisão na parte da manhã para assistir aos programas infantis. Xuxa, Mara Maravilha, Angélica e Eliana iniciaram suas carreiras se dedicando as crianças. Porém, nos últimos anos, as emissoras abandonaram esse nicho e passaram a apostar na informação.

Atualmente, programas dedicados ao público adulto estão em alta. Os cinco principais canais do país deixaram de lado o universo infantil e resolveram atrair o público ao colocar assuntos do momento em debate e trazer as notícias mais quentes do dia, principalmente no setor regional.

A Record foi a primeira a abandonar completamente as atrações infantis ao estreia o “Hoje em Dia”. A produção chegou a liderar contra a Globo e ganhou muito espaço na emissora, chegando a conquistar versões regionais no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Salvador e Rio Grande do Sul numa tentativa de se aproximar do público local.

RedeTV! e Band também tentaram implementar revistas eletrônicas, mas não obteve o mesmo êxito que a concorrente. A Globo e o SBT resistiram durante anos para seguir o mesmo caminho que a Record, entretanto, a emissora dos Marinho mudou de atitude com o “Encontro com Fátima Bernardes”.

A produção comandada pela ex-âncora do “Jornal Nacional” manteve os índices da “Tv Globinho”, além de barrar o crescimento do “Hoje em Dia”. Na época, circulou em veículos de comunicação que a decisão da Globo em terminar com o programa infantil ocorreu por causa do baixo faturamento.

Enquanto o “Mais Você” conseguia vender todas as suas cotas de patrocínio e receber dinheiro de merchandising, a atração para as crianças não atingia a sua totalidade de venda de publicidade. Com Fátima Bernardes, a emissora enxergava a oportunidade de atrair anunciantes por causa da credibilidade da apresentadora e o espaço de programa também poderia receber merchan, o que se concretizou.

O SBT não encerrou com o “Bom dia e Cia”, mas resolveu entregar boa parte da manhã para o jornalismo com o “Primeiro Impacto”. A tentativa do canal era tirar a vice-liderança do “Fala Brasil” e do “Hoje em Dia”. Record e SBT disputam ponto a ponto no horário matinal.

Mundo cão

Apesar de a Globo manter a liderança na maioria dos dias, o “Fala Brasil”, “Hoje em Dia” e o “Primeiro Impacto” já chegaram a incomodar em 2018 e 2019. Por conta de estratégia de programação na briga pelo Ibope, o canal limou o “Bem Estar” da sua grade e, com as diversas tragédias que ocorreram no primeiro semestre deste ano, investiu em coberturas ao vivo.

Tornou-se comum a Globo derrubar a programação nacional em algumas regiões. No Rio de Janeiro, por exemplo, isso ocorreu na tragédia do “Ninho do Urubu”, em fevereiro. Em Minas Gerais, com a tragédia em Brumadinho, o canal deixou a grade local aos mineiros.

A Record utiliza desse recurso desde a década passada e se acentuou nos últimos anos. O SBT segue o mesmo caminho, principalmente nas afiliadas, como é o caso do SBT Rio. A Globo tem apostado nesse estilo nas suas manhãs em grandes tragédias, mas nem nos seus telejornais matinais busca usar o que especialistas chamam de “sensacionalismo”.

Maior liberdade para as afiliadas

A Globo tem tentado dar maior liberdade às afiliadas para brigar pela audiência contra os jornais e programas locais das concorrentes. O “Bom Dia Brasil” teve seu tempo de exibição diminuído e foi dado mais meia hora aos telejornais locais no final de janeiro deste ano.

Os telespectadores estão se interessando mais pelas suas cidades e menos por assuntos globais. Esse fenômeno tem uma explicação técnica. Ao redor do mundo, segundo Teemu Alexander Puutio, pesquisador da Universidade de Turku, na Finlândia, as cidades estão se tornando mais independentes dos poderes centrais.

O estudo promovido por Puutio indica que há muito tempo, os países sempre foram protagonistas nas discussões políticas de todos os seres humanos e, obviamente, ganhou espaço nos veículos de comunicação. Não por acaso, o termo globalização ganhou força bem na Segunda Guerra Mundial, por volta de 1941.

A publicação universitária mostra ainda que o avanço da tecnologia fez as informações circularem com maior intensidade, permitindo que as pessoas trocassem ideias, conhecessem novas culturas e realizassem amizades.

Puutio concluiu seu estudo afirnamando que o mundo da internet, os cidadãos têm apresentado mais interesses no município que vive do que no estado e até mesmo no país. Fazendo um paralelo com o mundo político, as cidades estão se tornando mais fortes nas suas decisões, formando alianças urbanas regionais, nacionais e até internacionais, desde que elas tenham interesses comuns.

Segundo pessoas ligadas ao jornalismo de televisão, o avanço tecnológico tem mostrado a TV aberta que o caminho será os programas locais, seja no entretenimento ou jornalismo. O próprio José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, já afirmou que as afiliadas devem ganhar mais espaço no poder de formatar suas programações.

A Record foi a primeira a perceber essa mudança e as outras estão seguindo o mesmo trilho. A própria Globo abriu maior espaço de sua grade para a chamada programação de jornalismo local.

Band e RedeTV!

A Band e a RedeTV! voltaram a apostar em revistas eletrônicas e atrações voltadas ao público adulto. Olga Bongiovanni estreou seu programa recentemente e “Aqui na Band”, com Silvia Poppovic e Luis Ernesto Lacombe, é sua principal concorrente.

A intenção dos dois canais é angariar investidores e voltar a ter média superior a um ponto de média. O início não tem sido fácil, porém, a avaliação se os programas estão funcionando e podem evoluir em termos de audiência devem ocorrer mais pra frente.


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