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Futuro

“Programas sem audiência e patrocínio precisam ser cortados”, diz Boni

Ex-número um da Globo publicou texto analisando o futuro da televisão

Boni sentado, com uma caneta na mão, olhando para a câmera
Boni falou sobre a TV. Foto: Divulgação/Zanone Fraissat, Folhapress
Naian Lucas

Publicado em 10/04/2019 às 12:50:56

O ex chefão da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, afirmou que programas que não tenham índices de audiência satisfatórios ou lucratividade deverão ser cortados da TV brasileira, caso as emissoras não queiram desaparecer.

A afirmação aconteceu em artigo publicado no site Prop Mark, onde o executivo fala sobre o advento da nova “televisão”, graças à força crescente do streaming e que, segundo ele, pode decretar o fim dos canais de TV aberta.

No texto, Boni afirma que as emissoras precisam fazer ajustes fiscais para se manter em relevância dentro de um mercado que cada vez mais conta com disputas rígidas por investidores.

O responsável por criar o famoso “padrão Globo de qualidade” afirmou ainda que a TV aberta pode sobreviver a esse novo movimento do mercado, desde que consiga se adequar. Para Boni, é fundamental que as redes consigam produzir seu próprio conteúdo voltado para streaming e se manter investindo num momento em que não há certezas sobre o futuro.

Para ele, o advento de tantos aplicativos como Netflix, Amazon e, mais recentemente a Disney e a Apple TV+, não significa necessariamente que o streaming vá dominar o conteúdo da televisão mundial. Para ele, o assunto está longe de estar encerrado e tudo depende do quanto o mercado financeiro irá suportar continuar investindo na área.

Vale lembrar que, ao falar da importância do streaming para a TV aberta, Boni citou indiretamente duas emissoras brasileiras. É que apenas Globo e Record possuem aplicativos desse porte. A primeira com o Globoplay, que já produz séries exclusivas para o mundo digital, e a segunda com o Play Plus, que vem investindo em conteúdo de entretenimento para a internet.

Boni, no entanto, coloca em dúvida o atual modelo da televisão aberta em que o anunciante e o assinante dividem a conta de produção de conteúdo. Para ele, este formato ainda é o mais eficiente, mas não se pode dizer por quanto tempo.

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