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Em crise familiar, nova decisão da Justiça pode afastar presidente da Band

Desembargador valida resultado de assembleia dos acionistas do Grupo Bandeirantes

Johnny Saad com o logo da Band
Johnny Saad pode ter que deixar presidência após validação de assembleia - Foto/montagem: NaTelinha
Foto do Colunista / Jornalista

Sandro Nascimento
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Sandro Nascimento

O jornalista Sandro Nascimento assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br

Publicado em 22/03/2019 às 11:23:41 Atualizado em 22/03/2019 às 11:47:52

Uma nova sentença do Tribunal de Justiça de São Paulo, deferida na última segunda-feira (18) e que o NaTelinha teve acesso, valida a resolução da assembleia dos acionistas do Grupo Bandeirantes, que decidiu pelo afastamento do seu atual presidente, Johnny Saad, em dezembro do ano passado.

A abertura da ação nº 2012889-88.2019.8.26.0000, agravo de instrumento, foi feita por Márcia de Barros Saad e Maria Leonor Barros Saad, sócias do conglomerado e irmãs de Johnny, na 2ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem.

"Buscando arbitrar o interesse particular das partes com olhos no interesse de continuação, sem maiores traumas, das atividades do Grupo Bandeirantes, ao menos neste momento que precede a prometida arbitragem, não me animar ao deferimento da intervenção, por qualquer das modalidades subsidiariamente pleiteadas pelas agravantes em sua minuta recursal', explicou o desembargador e relator da ação, Cesar Ciampoli.

"Defiro, portanto, como dito, antecipação de tutela recursal para que as reuniões de 11 e 13 de dezembro de 2018 e de 5 e 7 de fevereiro do ano corrente produzam seus devidos efeitos de direito", concluiu. O jornalista e empresário Johnny Saad ainda pode recorrer da decisão.

Em fevereiro, foi decidido, além do afastamento do atual presidente do grupo de mídia por três votos a dois, a demissão de mais quatro executivos que fazem parte do alto comando da Band.

Ciampoli também negou segredo de justiça do processo, e justificou: "trata-se de disputa que envolve empresas concessionárias de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. 223 da Constituição Federal), havendo, pois, interesse público a impor a observância da publicidade de todos os atos processuais, na forma do § 3 o do art. 2 o da Lei 9.307/96".

Com a decisão, Cesar Ciampoli derruba a liminar do juiz Eduardo Pellegrinelli, do dia 4 de fevereiro, que amparava a permanência João Carlos Saad, conhecido como Johnny Saad, na presidência da Band.

Pellegrinelli elegou que deveria respeitar o documento assinado pelos acionistas em 2014, que concedia o mandato até 2026.

Como prevê uma cláusula de arbitragem deste contrato, em caso de conflito, ele está sendo discutido na Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CAM-CCBC), em São Paulo. Porém, diante desta nova decisão concedida pelo desembarcador, Cesar Ciampoli, Johnny Saad pode ser afastado da presidência antes da decisão final deste tribunal particular.

De acordo com uma fonte ouvida pela reportagem, ainda não existe uma definição de que forma isso será feito e nem quando. "A situação dele fica delicada", disse uma pessoa envolvida no caso.

Procurada, a Band não se pronuncia sobre essa questão familiar.

Entenda

O NaTelinha apurou que não existe clima para acordo entre os acionistas e Jonny Saad. Seu afastamento é visto como o pilar para iniciar a reestruturação da Band. A maior critica da família é referente a gestão do atual presidente e a crise financeira que o grupo atravessa nos últimos anos.

Os acionistas desejam implantar uma administração realizada por profissionais de televisão, com conselheiros independentes, inserindo processos de gestão, sendo transparentes e que as decisões ocorram de maneira técnica - afastando desta tarefa sócios e herdeiros.

Repartida em 20% para cada irmão, os cinco conselheiros da Band são: Johnny, Ricardo, Márcia, Marisa e Maria Leonor. De acordo com fontes, seus sócios não recebem dividendos mas o grupo comprou participações em outras empresas, como concessões de rádio, obtendo em sua maioria um resultado considerado "fiasco".

De acordo com o site Brazil Journal, a TV fundada em 1967 deve cerca de R$ 1,2 bilhão, em torno de oito vezes mais que a geração do seu caixa. Nestes números estão inclusos dívidas cada mais maiores das afiliadas, que já ameaçam deixar a rede.


Décima temporada do "MasterChef Brasil" estreia domingo (24) na Band - Foto: Carlos Reinis

O Grupo Bandeirantes começou com uma emissora de rádio em 1937, fundada pelo ex-governador de São Paulo, Ademar de Barros. Mais tarde, o político passou o controle do veículo para sua filha Maria Helena Saad e o genro, João Saad.

Com outras empresas repassadas aos outros filhos de Ademar, coube a João Saad a virtude de transformar a Rádio Bandeirantes numa das maiores do Brasil e criar a TV Bandeirantes em 1967, hoje chamada apenas de Band.

Neste ano, a emissora vem tentando se recuperar, apostando em vários formatos e novos programas em sua programação.

Na última segunda, a emissora lançou "O Aprendiz", com Roberto Justus. Já neste próximo domingo (24), estreia a nova temporada do "MasterChef Brasil", agora em novo dia.

A direção do canal também prepara outras novidades, como um jornal com Joel Datena, filho de José Luiz Datena, e uma revista eletrônica matinal possivelmente com Silvia Poppovic.


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