Polêmica

Ex-alunos de Aguinaldo Silva enfrentam a Globo e querem vetar "O Sétimo Guardião" no exterior

"O Sétimo Guardião" tem dois processos na justiça pelo reconhecimento da coautoria da sinopse

Ex-alunos de Aguinaldo Silva enfrentam a Globo e querem vetar
Montagem NaTelinha

Publicado em 15/08/2019 às 04:45:12 ,
atualizado em 15/08/2019 às 09:02:31

Por: Sandro Nascimento

"O Sétimo Guardião" saiu do ar há três meses, mas na Justiça a novela continua polêmica pela disputa dos direitos autorais da sinopse que originou a história. Seis roteiristas que participaram do curso MasterClass ministrado por Aguinaldo Silva em 2015 enfrentam o autor e a Globo nos tribunais.

Eles buscam o reconhecimento como coautores do folhetim e a indenização de R$ 6 milhões. Além disso, solicitaram ao juiz que a trama seja vetada de ser vendida para o exterior sem que a decisão final do caso ocorra. Atualmente, "O Sétimo Guardião" é exibida em Portugal através da Globo Internacional via TV por assinatura.

"A suspensão de comercialização para o exterior visa impedir que os requeridos Aguinaldo Silva e Rede Globo obtenham ainda mais lucros e enriquecimento excessivo sobre a obra sem que se resolva a controvérsia sobre os direitos patrimoniais", manifestou a defesa de Ariela Massotti, Danilo Castro, Ryllberth Ribeiro, Valtair Barbosa, Washington Duque e Weber Lasaro Oliveira, no processo. A ação conjunta, de número 0274288-97.2018.8.19.0001 está aberta na 4ª Vara Cível do Rio.

Em julho, os ex-alunos de Aguinaldo Silva, que pedem R$ 6 milhões de indenização, responderam a contestação da Globo, que figura como ré no processo junto com Aguinaldo Silva,  de que esse valor não seria razoável.

"No caso de ‘O Sétimo Guardião’, a Rede Globo já lucrou mais de 3 bilhões de reais com a obra. Mais precisamente, R$ 3.365.963.244,00", justifica a defesa dos roteiristas, anexado a tabela comercial praticada pela emissora com os valores cobrados para inserções de propagandas e merchans durante os sete meses que a trama foi exibida.

Do outro lado no processo, a Globo, em sua contestação, não reconhece que os alunos participaram da sinopse final de "O Sétimo Guardião", e justifica: "Temos aqui um ponto importante, a segunda ré (Globo), como a maior produtora de conteúdo audiovisual do país, oferece aos seus escritores/novelistas contratados toda a estrutura necessária para a criação e o desenvolvimento de novas obras, deixando a disposição destes uma equipe que conta com mais de cinquenta roteiristas profissionais experientes para auxiliarem na redação dos capítulos e na elaboração das tramas que permeiam a obra".

E continua: "Essa foi a equipe que participou da criação da novela ‘O Sétimo Guardião’ com o primeiro réu (Aguinaldo Silva) e não os autores. Estes últimos participaram da criação de outra sinopse (‘Dinastia’) no curso ‘Master Class’, que serviu como inspiração e referência para a criação pelo escritor Aguinaldo Silva da nova sinopse por ele denominada de ‘O Sétimo Guardião’, que culminou virando a novela recentemente exibida pela segunda ré".

Sobre a decisão da emissora de creditar os 26 alunos, que participaram do curso de roteiristas, ao fim de cada capítulo da novela que antecedeu "A Dona do Pedaço", a Globo justifica: "Muito embora apenas parte da sinopse ‘Dinastia’, criada pelos autores e demais alunos do curso de roteiristas ministrado pelo primeiro réu tenha sido aproveitada na novela ‘O Sétimo Guardião’, demonstrando boa-fé e sua constante preocupação em respeitar os direito autorais de quem quer que seja, a segunda ré exibiu em todos os capítulos da novela o nome dos autores em seus créditos".

Sobre esse ponto, a defesa de Ariela Massotti, Danilo Castro, Ryllberth Ribeiro, Valtair Barbosa, Washington Duque e Weber Lasaro Oliveira classificam as afirmações da Globo como "fantasiosas e confusas" e que não existiu nenhum representante de emissora, durante o curso, para comprovar o que de fato ocorreu em sala de aula.

"Até mesmo o título ‘O Sétimo Guardião’ se originou na ‘Master Class 3’ e foi sugerido pelos alunos, conforme já apontado anteriormente. Distorce os fatos, ainda, quando afirma que o primeiro réu, Aguinaldo Silva, propôs a elaboração de uma sinopse baseada no realismo fantástico. Esta também foi uma sugestão dos alunos, ao passo em que a proposta de Aguinaldo Silva era reescrever sua novela urbana ‘O Outro’ e transformá-la em ‘A Outra’", responde num trecho do processo.

Aguinaldo Silva no processo

O autor Aguinaldo Silva, através da sua advogada, também fez sua contestação no processo movido por seus seis ex-alunos. Em sua defesa, ele alega que criou a sinopse de "O Sétimo Guardião” em 2015, antes da polêmica Master Class.

"No final de 2015, quando da realização do curso, os alunos (incluindo os autores) de fato debateram e ajudaram a ‘fechar’ (‘finalizar’) a sinopse da novela (até então de nome ‘Dinastia’). Após o curso, Aguinaldo começou a criar e escrever a novela em comento, ou seja, a novela começou a ser escrita em 2016", explica a defesa do autor.

E completa: "Somente pela sequência acima exposta já é possível identificar que jamais – em nenhuma hipótese – os autores poderiam ter escrito a novela. No entanto, a própria Rede Globo reconheceu a existência ‘do debate acadêmico’ havido entre o 1º réu e seus alunos, onde houve, como dito, um ‘amadurecimento’ acerca da sinopse da novela, e concedeu crédito aos alunos, mencionando o nome de todos quando do encerramento diário da aludida novela, como forma de reconhecimento".

A reportagem apurou que ainda não existe uma data para o julgamento da coautoria da novela "O Sétimo Guardião".

Além deste processo que tramita na Justiça do Rio de Janeiro, existe um outro pleiteando a coautoria da sinopse e o primeiro capítulo de ‘O Sétimo Guardião’. A ação individual é movida pelo escritor Silvio Cerceau que também busca seu reconhecimento na elaboração da obra.

"Se a Globo se manifestou no processo informando o juiz que seríamos creditados durante toda a exibição, isso foi graças a minha luta e coragem. Todos foram beneficiados com meu ato, mas somente eu apanhei e apanhei sozinho, com todos assistindo e alguns atirando pedras", contou Cerceau em  entrevista publicada pelo NaTelinha no último capítulo da novela, em 17 de maio.

O Sétimo Guardião

Exibida entre 12 de novembro de 2018 e 17 de maio deste ano, num total de 161 capítulos, a novela "O Sétimo Guardião" foi a quarta pior audiência da Globo no horário das 21h, de acordo com dados do Kantar Ibope PNT ( Painel Nacional de Televisão).

A trama de Aguinaldo Silva conquistou média de 28,7 pontos superando apenas outros três fracassos na faixa: "Babilônia" (2015), que marcou 25,6, "A Lei do Amor" (2017), com 27,2, e "A Regra do Jogo" (2016), que teve 28,5 pontos.

Além da baixa audiência, a trama da fonte mágica de Serro Azul e seus guardiões,l foi marcada por polêmicas nos seus bastidores, como briga entre atores, morte de figurante, desentendimento de diretor e a reunião polêmica de Silvio de Abreu, diretor de dramaturgia da Globo, com a equipe da trama criticando a novela escrita pelo autor Aguinaldo Silva.

O outro lado

Os roteiristas emitiram o seguinte posicionamento ao NaTelinha: "Reafirmamos tudo o que defendemos na inicial e na réplica. Conforme consta no processo, nossa causa é justa e só buscamos o que é de direito, respeitando também os direitos dos demais criadores da obra. Acreditamos na Justiça e continuaremos lutando até o fim”.

Procurada, a Globo informou que não comenta casos sobre casos sub judice.

A reportagem ainda telefonou para o assessor de Aguinaldo Silva, que não atendeu a ligação.


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