História

Morte, tapa na cara e transplante: conheça o que não foi ao ar em “Por Amor"

Muita coisa da sinopse original da novela foi alterada ou cancelada por Manoel Carlos

Morte, tapa na cara e transplante: conheça o que não foi ao ar em “Por Amor
Helena (Regina Duarte) e Eduarda (Gabriela Duarte) no hospital, após o parto - Acervo/Globo

Diogo Cavalcante
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Diogo Cavalcante

Jornalista diplomado, Diogo Cavalcante tem experiência na cobertura de Cidades e Entretenimento. Apaixonado por televisão, se dedica a escrever sobre o assunto desde 2013.

Twitter: @diogo_cc

Publicado em 10/06/2019 às 17:18:00 Atualizado em 10/06/2019 às 18:32:01

Nesta segunda-feira (10) foi ao ar a clássica cena da troca dos bebês em “Por Amor”, atual reprise do “Vale a Pena Ver de Novo”. Na novela de Manoel Carlos, exibida nas tardes da Globo, Helena (Regina Duarte) põe seu filho vivo no lugar do neto morto, tudo para não ver Eduarda (Gabriela Duarte) sofrer. A cena, que até hoje suscita discussões, não sai do imaginário popular e sempre esteve prevista na sinopse original da novela. No entanto, como toda obra aberta, o planejamento original de histórias abordadas sofreu algumas alterações.

A novela foi concebida em 1983, após Maneco ter lido uma notícia no jornal sobre troca de bebês. Mas ficou engavetada por anos, até que Boni aceitou produzir a obra na faixa das 21h - a mais adequada para este tipo de história, na visão do escritor. O NaTelinha teve acesso à sinopse original de “Por Amor”, tal como foi entregue pelo autor à direção da Globo no começo de 1997.

O autor pretendia que sua volta ao horário das 21h fosse mais dramática do que o que foi exibido na TV. Eduarda morreria, Helena ficaria angustiada achando que foi castigada por Deus, Sandrinha (Cecília Dassi) precisaria de um transplante de fígado e sequer teria conhecido a meia-irmã, Branca (Susana Vieira) seria esbofeteada por Helena em virtude de um comentário inadequado e o maior segredo da novela não seria revelado aos personagens.

Morte de Eduarda

Originalmente, Eduarda deveria se chamar Alice. Ela é descrita exatamente da mesma forma que foi ao ar: insegura, com a saúde um pouco frágil e totalmente apaixonada por Marcelo. O amadurecimento de Eduarda, no entanto, não era previsto: ela ficaria de certa forma menos infantil, mas não teria o tempo de crescer e melhorar de comportamento porque estava prevista sua morte.

Eduarda teria problemas cardíacos, começando a definhar da metade para o final da novela. Afastada da mãe por ingerência de Marcelo (Fábio Assunção) e família, ela iria a Nova York junto do marido e descobriria o seu real estado de saúde.

Debilitada pela doença, Eduarda e Helena voltariam a se relacionar como no passado. Após pedir perdão por ter sido injusta e omissa e manifestar sua vontade em doar órgãos se morrer, a personagem de Gabriela Duarte também pediria à mãe para não deixar que Marcelinho (o filho trocado) fosse criado por Laura. Ela sentia que Marcelo poderia reatar com a ex-obsessiva e não queria que o filho caísse nas mãos da vilã.

Marcelo também desenvolveria um quadro depressivo, tanto pelo estado de saúde da esposa quanto pelos negócios da família, que vão de mal a pior. Por sinal, a empresa passa a ser comandada por Leonardo (Murilo Benício), que afasta Arnaldo (Carlos Eduardo Dolabella) e o irmão da diretoria.

Conta ou não conta?

Helena fica boa parte da novela atormentada entre a verdade e a mentira. Se conta, destrói toda a felicidade ao redor. Se mantém o segredo, priva todos de saberem o que aconteceu naquela noite chuvosa no hospital. A protagonista de Regina Duarte optaria por não revelar a troca dos bebês. Nem mesmo à Eduarda, que estava à beira da morte e pede para que ela não deixe Marcelinho cair nas mãos de Laura e Marcelo.

Marcelo, que fica devastado com toda a situação e afastado dos negócios, resolve atender ao pedido da falecida esposa e deixa o “filho” com Helena. Assim, em partes, seria desnecessário destrinchar toda a verdade.

“Houve coerência do destino. Se Helena sofreu e perdeu um filho para fazer sua filha feliz, Maria Eduarda morreu para devolver à mãe a criança que de fato lhe pertencia. De uma maneira ou de outra, fez-se Justiça”, grifa Maneco ao fim da sinopse.

Bofetada merecida

“Por Amor” foi uma novela recheada de barracos. Em seus 191 capítulos, não faltaram cenas de personagens trocando tapas, socos, empurrões, xingamentos e diversas outras modalidades de agressões físicas e verbais. No entanto, uma cena de tapa prevista na sinopse foi descartada com o desenvolvimento dos capítulos, em 1997: uma “sonora bofetada” que Helena iria desferir em Branca.

A sequência em questão se tratava de mais uma alfinetada da vilã imortalizada por Susana Vieira. Diante de observar, mais uma vez, Helena amamentando o neto, destila veneno: “Será que não faz mal para a criança receber o leite da avó?”, questiona, para espanto de Helena. “Não sei, foi uma coisa que me passou pela cabeça. É como casamento entre primos - nunca dá certo. Pode acarretar doenças, anomalia”.

Estarrecida, a mãe de Eduarda diz que é uma atitude ignorante acreditar nisso. “Não é ignorância. É um questionamento natural. A ciência ainda desconhece muita coisa”, replica Branca. Helena, então, resolve revidar: “A ciência só ignora mesmo a origem da burrice. Caso contrário. você teria cura”. Marcelo intervém na história de forma ríspida, defendendo a mãe.

Eis que Branca dispara outro comentário venenoso: “Sabe o que está parecendo, Helena? Que só porque você perdeu seu filho, quer agora ficar com o da sua filha! Quem sabe você não providencia outro para daqui a nove meses?”. Indignada, a protagonista de “Por Amor” lhe desferia um tapa. Branca iria chorar e Marcelo expulsaria a sogra de sua casa. Eduarda, que só pegou a discussão pela metade, nada iria fazer por se sentir impotente.

Transplante

A menina Sandrinha teria problemas no fígado. Com o desenvolvimento dos capítulos, a saúde da pequena iria piorar. Mas a morte de Eduarda mudaria seu destino. Como a filha de Helena manifestou o desejo de doar órgãos em caso de óbito, a criança receberia um transplante de fígado da meia-irmã.

Por sinal, se na história que vimos na TV, Sandrinha diversas vezes aparece em cenas fofas com Eduarda, na sinopse uma mal conhecia a outra.


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