Ainda na Justiça

Silvio Cerceau diz que perdoou Aguinaldo Silva e defende "O Sétimo Guardião"

Escritor analisa os rumos da história adotada pela equipe da novela

Silvio Cerceau e Aguinaldo Silva
Silvio Cerceau garante que não guarda mágoas de Aguinaldo Silva
Foto do Colunista / Jornalista

Sandro Nascimento
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Sandro Nascimento

O jornalista Sandro Nascimento assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br

Publicado em 02/04/2019 às 00:01:34 Atualizado em 02/04/2019 às 09:25:19

Embora ainda lute na Justiça pelo reconhecimento da coautoria da sinopse e do primeiro capítulo de "O Sétimo Guardião", e mesmo tendo trocado inúmeras farpas com Aguinaldo Silva, o escritor e roteirista Silvio Cerceau afirma que já perdoou o autor da Globo e não guarda mágoas de toda a situação.

Ele foi aluno de Aguinaldo durante um curso de roteiristas no ano de 2015 em Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro.

"Fica o sentimento de perdão. Afinal o que passou, passou. Aguinaldo Silva é um ótimo profissional. A vida segue, agora é cada um pegar sua rota e fazer coisas boas. Não guardo mágoa, até mesmo porque acho que a mágoa é uma energia ruim que inflama a alma. O que precisamos é de paz e de mais amor em nossas vidas", diz Cerceau em entrevista exclusiva ao NaTelinha.

Ele acaba de finalizar a sinopse da sua primeira novela, que ganhou o título provisório de "Escolhi Você". Além disso, escreve uma série que prefere não revelar detalhes.

Questionado se poderia apontar os erros que fizeram "O Sétimo Guardião" não conquistar os índices de audiência que suas antecessoras atingiram no horário das 21h - até o capítulo 120 tem média de 28,3 pontos na Grande São Paulo, contra 32,4 da antecessora "Segundo Sol" -, Silvio explica: "não classifico como erros, mas estratégia. A estratégia que a produção (autor, colaboradores e direção) adotou para contar essa história não funcionou porque queimaram toda ela depressa demais. O tom dado no primeiro capítulo destoou totalmente da nostalgia das chamadas da novela. O público hoje anda muito saudosista e esperavam de fato uma novela como as de antigamente. Infelizmente, logo nos primeiros capítulos perceberam essa diferença, notaram que não seria assim".

Eu faria da Valentina uma vilã marcante a nível de Nazaré Tedesco e Odete Roitman.

Silvio Cerceau sobre os caminhos que adotaria na novela

E completa defendendo "O Sétimo Guardião": "É importante dizer que apesar da audiência, não se pode considerar a novela um fracasso, seria vil pensar assim, porque ainda é o programa mais visto da TV brasileira. Acho que essa audiência em torno dos 30 pontos será a nova realidade de agora em diante, o público que gosta de novelas é um telespectador tradicional. Uma questão complicada é o horário, tem dia que a novela acaba após às 22h30. Também não começa em um horário fixo, a exibição oscila entre 21h10 e 21h30, e isso é algo negativo. A novela das nove teria que voltar ser novela das oito e iniciar no máximo às 20h40".

Além disso, Cerceau acredita que a trama irá crescer sua audiência agora em sua reta final. Para o roteirista, que é sócio de uma editora em Belo Horizonte, novela é melodrama, é clichê e "é disso que quem assiste gosta, um exemplo atual é 'Verão 90'".

Sobre os caminhos que adotaria pra contar a história da fonte milagrosa e os seus guardiões liderados por Gabriel (Bruno Gagliasso), Silvio Cerceau revela que guardaria os segredos mágicos e só revelaria aos poucos no folhetim.

"Conforme a sinopse e o que foi discutido durante a criação, eu não deixaria o público saber que fonte era essa, deixaria pensarem que era apenas um lençol d'água. Revelaria os guardiões pouco a pouco através da marca que cada um tem. Faria da Valentina uma vilã marcante a nível de Nazaré Tedesco e Odete Roitman. Criaria um bom enredo para o casal protagonista. Faria do fetiche do delegado um drama pessoal de uma forma que cativasse o público. Se eu for apontar todos os rumos, me delongarei muito. Mas contaria uma história cheia de drama, melodrama e clichês", analisa.

Questionado sobre os motivos da personagem Valentina Marsala (Lília Cabral) não ter se tornado uma vilã forte como era esperado, ele explica: "De fato era para ela ser uma vilã marcante, mas nem sempre a forma de escrever os capítulos segue a sinopse. Todas as características dela descritas na sinopse foram mantidas, exceto a vilania, a maldade natural que um bom vilão tem espontaneamente".

O ex-aluno de Aguinaldo Silva conta que foram criados 52 personagens na Masterclass 3; desse total, foram retirados um núcleo indígena e Ronalda, filha de Nicolau (Marcelo Serrado), que foi substituída por outro tipo.

"Todos os personagens tem uma função na história e esse núcleo indígena poderia explicar muito sobre a fonte. Foram retirados devido a estratégia de contar a história", finaliza.


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