Jogada de Risco é regular e seu maior erro é seu sucesso: o excesso
Estrelada por Cauã Reymond no Globoplay, série mergulha nos bastidores do futebol como negócio e acerta no elenco, mas derrapa no excesso de temas
Publicado em 30/08/2026 às 10:00
Jogada de Risco, série original do Globoplay idealizada e protagonizada por Cauã Reymond, parte de uma premissa bastante promissora: mostrar o futebol brasileiro para além dos gramados, revelando as negociações, disputas de poder, interesses financeiros, apostas e relações pessoais que movimentam esse universo. A produção estreou em julho de 2026 e tem oito episódios.
No centro da história está Maurício (Cauã Reymond), um ex-jogador que teve a carreira interrompida por lesões e pela má administração do próprio pai, Valdemar (Marcos Frota).
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Depois de abandonar os gramados, ele decide trabalhar como empresário de jogadores e tenta construir uma nova trajetória profissional. Ao seu lado está Cris (Mariana Sena), advogada inteligente e determinada que rapidamente se transforma em uma peça fundamental da agência.
A partir daí, a série abre espaço para uma rede de personagens envolvidos com diferentes lados do futebol. Luan (Juan Paiva) representa o jovem talento seduzido pelo dinheiro e pelos excessos; Geraldo (Breno Ferreira), enfrenta o conflito de esconder sua homossexualidade em um ambiente marcado pelo machismo; enquanto Vítor (Cauê Campos) surge como uma promessa que acaba entrando no universo das apostas.

Rita (Letícia Colin) por sua vez, circula entre jogadores, empresários e festas privadas e ganha uma trama própria de sobrevivência, poder e interesses.
Um dos maiores méritos de Jogada de Risco é justamente a escolha de não transformar o futebol em uma simples sucessão de partidas. A série entende que, atualmente, o futebol também é um grande negócio, envolvendo empresários, contratos, patrocínios, influência, mídia e dinheiro.
Essa perspectiva dá à produção uma identidade própria e permite explorar um lado pouco mostrado nas histórias tradicionais sobre o esporte.
Jogada de Risco tem elenco forte
O elenco também é um dos pontos fortes. Cauã Reymond segura o protagonista com segurança, enquanto Mariana Sena se destaca como Cris, personagem que poderia facilmente ficar em segundo plano, mas ganha importância ao longo da narrativa. Letícia Colin também chama atenção como Rita, uma personagem cheia de contradições e potencial dramático.
Outro destaque é Marcos Frota. Seu Valdemar possui uma relação complexa com Maurício e representa uma das melhores possibilidades dramáticas da série: um pai que também foi empresário do filho e cuja influência ajudou a definir os caminhos do protagonista.
A presença de Juan Paiva e Breno Ferreira acrescenta ainda outras camadas à narrativa, especialmente nas histórias envolvendo pressão, fama, sexualidade e vulnerabilidade dos jogadores.
O problema de Jogada de Risco
O principal problema está no excesso, jogada de Risco quer falar de muitas coisas ao mesmo tempo: futebol, apostas, drogas, corrupção, violência, sexo, relacionamentos, machismo, homofobia, conflitos familiares e disputas empresariais. A variedade de temas é interessante, mas os oito episódios deixam pouco espaço para desenvolver todos eles com a profundidade necessária.
A sensualidade e a exposição fazem parte do universo retratado e podem ter função narrativa. O problema aparece quando o recurso parece ser utilizado apenas para provocar o público.
Quando isso acontece, a série corre o risco de transformar uma proposta potencialmente sofisticada em um drama que depende demais do impacto imediato.
Também é questionável o pouco espaço dado ao próprio futebol. A produção se apresenta como uma história sobre os bastidores do esporte, mas o futebol muitas vezes funciona apenas como pano de fundo para conflitos pessoais.
Isso não é necessariamente um defeito afinal, a proposta é justamente olhar para aquilo que acontece longe do campo, mas pode frustrar quem espera uma série mais diretamente ligada ao esporte.
Jogada de Risco está longe de ser uma série perfeita, mas também seria injusto reduzi-la às cenas provocativas que marcaram sua divulgação. Existe uma produção interessante por trás da polêmica, principalmente quando a história mergulha no futebol como indústria e mostra como dinheiro, fama e poder podem transformar jogadores em peças de um jogo muito maior.
No fim, Jogada de Risco é uma produção irregular, mas com personalidade.
Uma jogada ousada, nem sempre bem executada, mas suficientemente envolvente para manter o espectador interessado até o apito final.