Luto

Carta escrita por Flávio Migliaccio antes de morrer é divulgada: "Me desculpem"

Programa de TV revelou texto deixado pelo ator de 85 anos

Flávio Migliaccio - Foto: Divulgação
Por Redação NT

Publicado em 04/05/2020 às 15:51:49

Na tarde desta segunda-feira (04), o programa A Tarde É Sua, comandado por Sonia Abrão na RedeTV!, trouxe à público a carta que estava ao lado do corpo do ator Flávio Migliaccio, encontrado morto durante a manhã em seu sítio na Serra do Sambê, Rio Bonito, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Em foto que foi compartilhada pelo colunista Alessandro Lo-Bianco, é possível ver o texto, escrito com caneta vermelha, em cima de uma mesinha, acompanhado de um óculos escuro.

Na mensagem, deixada pelo artista de 85 anos antes de morrer, ele pede desculpas, faz uma reflexão e por fim um apelo em torno das crianças deste país.

"Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é o caos, como tudo aqui. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora... Num país como este. E com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje", dizia o documento assinado com o nome do ator.

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Rosto bastante conhecido pelos brasileiros, Flávio Miglliacio teve como última participação na TV a novela Órfãos da Terra (2019), no ano passado, onde interpretava Mamede Adud.

Migliaccio começou a ganhar notoriedade nos anos 70 em O Primeiro Amor e Shazan Xerife e Cia (1972). Ele ainda atuou na primeira versão de O Astro (1977), Pai Herói (1979), dentre outras produções. Ao todo, foram mais de 40 novelas.

Além da TV, o ator também participou de vários filmes. Ao total, foram 20 longas no currículo.

Em uma entrevista ao NaTelinha publicada em 2018, questionado sobre o momento mais importante em sua vida, Flávio respondeu que foi a capacidade de descobrir o outro lado do realismo, e explicou: "Desde criança eu aprendi que não existe apenas uma realidade que se apresenta pra nós normalmente. A realidade tem coisas por trás dela que a gente tem que perceber e sentir. Não é só aquilo que toca aos nossos sentidos. Tem que fazer que nosso intelecto, nossa razão, absorva isso que os sentidos colocaram e passe a fazer outras coisas. Eu sempre fui muito criativo nesse sentido. Não bastava a realidade pra mim. Eu acho que a realidade tinha uma coisa a mais que a gente tinha que descobrir. Eu passei a tentar descobrir essas coisas. O que me deixou mais feliz na vida, foi isso, de descobrir o outro lado do realismo".

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