Veterano

Francisco José foi ameaçado de demissão na Globo por sotaque: "Faziam bullying"

Jornalista, que chegou a ser o único do Nordeste contratado da emissora, se recusou a mudar jeito de falar


Francisco José
Francisco José falou de sua trajetória em entrevista ao Sem Censura na segunda-feira (9) - Foto: Reprodução/TV Brasil
Por Walter Felix

Publicado em 10/03/2026 às 14:55,
atualizado em 10/03/2026 às 16:30

O jornalista Francisco José afirmou, em entrevista ao Sem Censura, da TV Brasil, que foi ameaçado de demissão da Globo por conta do sotaque. Natural de Crato, no Ceará, e radicado em Pernambuco, ele revelou ter sofrido preconceito nos bastidores e afirmou que, por muito tempo, foi o único jornalista do Nordeste contratado da emissora.

Hoje aos 81 anos, Francisco José contou que recebeu reprimendas pelo sotaque “em todos os momentos, inclusive ameaça de demissão”. Ele detalhou: “Faziam bullying com a minha maneira de falar, que eu falo até hoje. Eu me recusava [a mudar]”.

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O veterano chegou a consultar a famosa fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller (1925-2024). A profissional o orientava a dizer “Ôlinda”, mas o repórter seguia dizendo “Ólinda”. “Ela falou para eles: ‘Não tem jeito. Ele não muda, não quer mudar, e eu acho que ele tá certo’.”

Um episódio de preconceito aconteceu na cobertura da Copa de 1978, na Argentina. José dizia “Rusário”, mas era orientado a falar “Rosário”. Ele, entretanto, não obedeceu a ordem: “Desse jeito, não. Se eu chegar falando ‘Rosário’ no Nordeste, vão dizer: ‘Que é isso? Ficou doido?’”.

“Até que um dia disseram: ‘O Armando [Nogueira, chefe de jornalismo na emissora] mandou dizer que ou você fala direito ou te mandam embora’. Eu falo isso porque é verdade, todo mundo na Globo sabe disso. Eu falei: ‘Diga a ele que tem um voo às 11 horas. Se não quiserem assim, eu pego o voo e vou embora’.”

Francisco José

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O episódio garantiu autonomia ao repórter. “Foi assim que eu comprei a minha independência. Quando eu entrei na Globo, não tinha repórter no Nordeste. Só no Rio, São Paulo e Brasília. Aí entra um sotaque sertanejo, diferente de tudo. Durante oito anos, eu fui o único repórter da Globo do Nordeste.”

Francisco José trabalhou por 46 anos na Globo – ele deixou a emissora em novembro de 2021. Na longa trajetória no canal, notabilizou-se por reportagens de aventura, meio ambiente e grandes coberturas internacionais, com mais de 100 edições do Globo Repórter.

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