Christiane Pelajo conta história da bisavó em livro: “Criadora do brigadeiro”
A entrevista com Christiane Pelajo foi conduzida por Drika Oliveira e Helô Amighini no canal NT+Talk, no YouTube
Publicado em 02/12/2025 às 19:38,
atualizado em 02/12/2025 às 19:42
A jornalista Christiane Pelajo participou do NaTelinha Talk na terça-feira (2) para apresentar detalhes de Protagonistas, livro que reúne 65 textos escritos por mulheres. Durante a entrevista, ela explicou por que decidiu contar a trajetória de sua bisavó, Heloísa Nabuco, personagem central de seu capítulo e apontada por ela como responsável pela criação do brigadeiro.
Pelajo afirmou que a obra foi estruturada a partir de histórias diversas e selecionadas em uma curadoria que, segundo relatou, buscou representar diferentes experiências. “A diversidade. A diversidade de mulheres e histórias que eu garanto para vocês: não existe livro colaborativo tão diverso”, disse.
Ela citou a presença de mulheres indígenas, ribeirinhas, negras, mães atípicas, integrantes da comunidade LGBT e executivas. “A nossa curadoria foi no detalhe. A gente tem duas mulheres indígenas, uma mulher ribeirinha, mulheres negras, mães atípicas, mulheres da comunidade LGBT, CEO”, afirmou.
Para ela, essa amplitude permite identificação direta do público. “Eu tenho certeza que você, que está me assistindo agora, vai se identificar com alguma história ou com algumas histórias”.
Em seu capítulo, Pelajo escolheu não escrever sobre a própria trajetória, ao contrário da maior parte das participantes. “Sabe o que as mulheres falam? Primeiro, fazem uma mini biografia inspiracional. Algumas falam de algum capítulo ou episódio específico da vida delas. Eu sou a única que não falo de mim, mas falo da minha bisavó”, explicou.
Ela relatou ter buscado referências familiares. “Fui na minha ancestralidade. Escolhi falar da minha bisavó porque ela nada mais é do que a criadora do brigadeiro”.
A história narrada por Pelajo começa na década de 1930, quando sua bisavó se separou em um período em que não havia divórcio legal no país. “Minha avó se desquitou, porque na época não tinha divórcio, na década de 1930. Ela pioneira nisso”, disse.
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Segundo a jornalista, a bisavó criou três filhas sozinha e buscou alternativas para se sustentar. “Na década de 1930, ela se viu sozinha, sem marido e com três filhas mulheres para criar. Ela pensou: ‘No que eu faço bem? No que sou única?’”.
Pelajo relatou que a bisavó decidiu trabalhar com doces após reconhecer habilidade culinária. “Minha bisavó parou e pensou no que ela era especial. Ela cozinhava muito bem salgados e doces e mergulhou no mundo dos doces”, afirmou.
Segundo ela, a atividade levou Heloísa Nabuco a se tornar conhecida no Rio de Janeiro. “Ela então virou a maior doceira do Rio de Janeiro. Era chamada para fazer doces de casamentos, aniversários e tudo mais”.
O episódio que, segundo Pelajo, marcou a criação do brigadeiro ocorreu em 1945. Heloísa foi convidada a preparar doces para um evento de homenagem ao então candidato à Presidência, o Brigadeiro Eduardo Gomes.
“Em 1945, ela foi convidada para fazer os doces de uma homenagem ao então candidato a presidência da República”, disse a jornalista, lembrando que o Rio de Janeiro era a capital federal à época. Pelajo relatou que a bisavó avaliou que tipo de doce ofereceria no evento, que poderia contribuir com a arrecadação de campanha.
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“Não falo isso no livro, mas dizem que ele era um homem muito bonito e solteiro. As mulheres da sociedade carioca achavam o Brigadeiro um homem especial e minha bisavó, que não era boba, acho eu que também estava de olho no Brigadeiro”.
Segundo Pelajo, a criação do doce ocorreu no dia 10 de setembro de 1945. “Foi assim que surgiu o brigadeiro. No dia 10 de setembro de 1945. O brigadeiro acabou de fazer seus 80 anos. O nome dela é Heloísa Nabuco”, afirmou.
A edição do NaTelinha Talk com Christiane Pelajo vai ao ar às 19h no canal do programa no YouTube, sob comando de Drika Oliveira e Helô Amighini.
Quem é Christiane Pelajo

A entrevista também revisitou a trajetória profissional de Pelajo. Formada em jornalismo pela PUC-Rio, ela integrou a equipe inaugural da GloboNews em 1996, onde apresentou telejornais e realizou reportagens internacionais. Em 2005, passou para a TV aberta como apresentadora do Jornal da Globo, permanecendo dez anos na função.
Voltou à GloboNews em 2016, assumindo o Jornal da GloboNews – Edição das 16h, e, em 2022, passou a apresentar o Conexão GloboNews. No mesmo ano, deixou o grupo após 26 anos.
Em 2024, Pelajo foi contratada pela CNBC Brasil como primeira âncora do canal no país, voltando-se para coberturas relacionadas a negócios e economia. Ao longo da carreira, realizou reportagens no Brasil e no exterior, entrevistou candidatos à Presidência em diversas eleições e participou de coberturas jornalísticas de grande repercussão.