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Memórias da Telinha

Inspirada em Shakespeare, problemática Suave Veneno estreava na Globo há 21 anos

Suave Veneno teve média de 38 pontos em 1999

Elenco de Suave Veneno
Suave Veneno foi transmitida entre janeiro e setembro de 1999 - Divulgação/TV Globo
Thiago Forato

Publicado em 18/01/2020 às 10:08:13

Em 18 de janeiro de 1999, a Globo levava ao ar um dos raros fracassos de Aguinaldo Silva em sua carreira: Suave Veneno, que marcava sua volta às novelas sem a presença do realismo fantástico.

A trama teve uma média geral de 38 pontos e foi assombrada até por Ratinho, que vivia seu seus primeiros meses no SBT e ainda estava no auge. Temos que considerar que 38 pontos naquela época era um fracasso retumbante.

Em uma matéria do jornal O Estado de São Paulo, a jornalista Sônia Apolinária escrevia que cabia a Aguinaldo Silva manter a média de 50 pontos de audiência desejada pela direção da emissora.

A missão de Silva não era fácil. Mas, para tentar manter o horário em alta, recorreu a um clássico de Shakespeare, Rei Lear. Suave Veneno contou a história de um empresário pernambucano Waldomiro Cerqueira (José Wilker), que fez fortuna explorando jazidas de mármore no interior nordestino.

O autor ainda prometia que a cada 30 capítulos, pouco mais de um mês, Suave Veneno teria uma grande reviravolta.

Promessa não cumprida

A história não pegou, e Suave Veneno, que oscilava entre 30 e 35 pontos em suas primeiras semanas, chegou ao final com média de 43 pontos e picos de 52.

O próprio autor, em uma entrevista ao periódico do Grupo, reconheceu que não era sua vez de escrever uma novela das oito. "Me pediram para quebrar o galho e eu não soube dizer não. Eu não estava preparado, tinha pouco tempo, mas precisava escrever, para que as gravações começassem", disse ele.

Aguinaldo acreditou ter saído da experiência vitorioso: "Em vez de ter um chilique, virei o jogo; transformei a novela no ar, sutilmente. Para isso, tive que eliminar a trama de suspense e matar uma das principais personagens, a Clarice (Patrícia França), o que não estava previsto. Depois, popularizei a história e passei a privilegiar os romances. Dai para a frente a novela das 20h foi o que sempre é: o programa mais visto do Brasil. Mas meu grande mérito foi mesmo ter feito as pessoas deixarem de ver Letícia Spiller como Babalu e passarem a chamá-la de Regina".

Já no ano de 1999, Aguinaldo Silva também reconheceu que o grau de exigência do público vinha aumentando e truques colocados em prática na dramaturgia anteriormente já não funcionavam mais. "Novela é ação, acontecimento. Se não, ele simplesmente muda de canal", opinou.

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